A lenda viva do Pará
Marcio Fonseca da Silva, mais conhecido como “Parazinho”, é uma lenda viva do Pará, com mais de 120 lutas em seu currículo e muita história para contar. Em entrevista exclusiva ao site TATAME, Parazinho contou toda a sua trajetória dentro do meio da luta, além de apontar as principais dificuldades em sua vida e falar dos melhores lutadores da atualidade em sua opinião. “O melhor lutador de todos os tempos é o Paulão, dou valor ao Paulão. Assisti a um vídeo dele e vi que tá ruim de levar esse homem”, disse Parazinho, que também comentou que já foi chamado algumas vezes de Wanderlei dos leves: “Já me chamaram de Wanderlei dos leves. Eu não levo muito a sério, mas acho que cada um tem seu estilo”, garantiu. Confira abaixo a entrevista na íntegra:
Você começou a lutar com que idade? É verdade que hoje você já tem filhos?
No Vale-Tudo com 21 anos e hoje já estou com 40 anos de idade. Tenho uma filha chamada Crisdasy que tem 17 anos e ela canta em uma banda de forró. Estou casado com a Olívia e tenho uma filha com ela chamada Estefani de 9 anos, e tenho o Rafael de 21.
Mas você veio de que luta? E em que peso você lutava?
Vim do Boxe e do Judô. Sou faixa preta de Judô, fui campeão latino-americano de Boxe, e fui campeão duas vezes do Full Contact brasileiro. E no Judô fui campeão brasileiro e campeão paraense várias vezes. No Boxe eu lutava no galo com 54, 55 quilos na época. E no Judô lutava no meio médio.
Quantas lutas no Vale-Tudo você tem?
Estou com 129, mas gravadas só 100, porque eu lutava muito em boates. Esse meu apelido eu ganhei no Rio Grande do Norte. Eu lutava muito apostando em boate, em garagem, na época que o Vale-Tudo ia ser legalizado.
É verdade que você lutou vários campeonatos absolutos?
É verdade. Em todos que eu entrei no absoluto eu ganhei. Graças a Deus eu não tenho nenhuma derrota. Quiseram me tirar uma derrota aqui, mas não deu. Foi contra o Paulo Afonso. Era para ter mais dez minutos de luta e não teve porque ele estava com a perna fraturada. Faltavam dez minutos, mas ele não quis dizer que fraturou. Ai começou um tumulto, e como eu estava sozinho no córner, o pessoal acabou subindo e armou uma confusão e acabaram a luta. Eu estava com 66kg e ele com 93kg. Nunca lutei com ninguém da minha categoria.
Quantos torneios do circuito você fez? E qual foi o cara mais pesado que você enfrentou?
Fiz quatro. Fui campeão no Rio Grande do Norte, fui campeão no Freestyle aqui, depois fui campeão em Recife da moto, e em Brasília campeão do carro. Isso foi em 94 ou 95. O mais pesado da minha carreira foi o James Adler. Na época ele estava com 107kg.
Dessas suas 129 lutas, quantas foram empate?
Nunca tive empate. Eu procurava partir para o nocaute. Tiveram algumas decisões. Eu e o Fontinelle foi decisão. Faltavam 15 dias para a luta e me ligaram para lutar com ele. Eu não estava nem treinando, mas como a bolsa era de R$ 10mil e eu estava precisando, eu lutei. Todo mundo comenta que foi uma das melhores lutas que teve. Joguei ele pra fora do ringue e logo com três minutos eu quebrei minha mão esquerda.
Hoje em dia você trabalha com o quê?
Sou formado em Educação Física. Trabalho na prefeitura dando aula e tenho minha academia.Trabalho como personal trainer também. Eu faço evento, eu luto, mas faz um ano e pouco que eu não luto. Mas eu quero voltar. Passei quatro meses treinando com o Vitor Belfort, mas não fechei nada. Sempre quando ia fechar não dava certo porque eles não queriam alguém trocador. Eu ia lutar com o Gomi no Pride. O Paulão e o Zé Mário estavam vendo, mas quando o pessoal do Pride entrou no meu site e viu que eu era trocador o Gomi não aceitou. Nunca fechei por causa disso, eles viam só nocaute no site e me cortavam.
E agora com o Paulão? O que você espera?
Espero de tudo. Eu senti quando ele estava conversando comigo e a gente vê nas palavras da pessoa a certeza. Tô sentindo nele que não teve interesse, ele falou: “Você vem para cá que eu banco tudo”. A nossa dificuldade aqui no Norte é arrumar um patrocínio. Quando fui para São Paulo, o Vitor me ajudava, mas sempre fiquei na mão dos amigos. Cheguei a passar até um pouco de dificuldade.
Você é o Wanderlei dos leves?
Já me chamaram disso. Eu não levo muito a sério, mas acho que cada um tem seu estilo. Eu procurei fazer o meu estilo, procurei ser liso, rápido e de pegada. Porque a gente que é pequenininho tem que ter pegada para nocautear rápido.
Qual o seu golpe forte? O que você acha da sua queda?
O chute forte e meu cruzado. Eu chuto muito as pernas por dentro e por fora, e já fraturei muita perna. Eu tenho um bom Kata-guruma. Joguei o Fontinelli, joguei o aluno dos Gracies. Essa luta durou uma hora. Eu tinha 57kg e ele 90 e pouco. Foi uma hora de luta e eu quebrei a patela dele no final. Acabou porque já estava ficando tarde. O Hélio Gracie estava na mesa, o Renzo, o Ricardo Moraes...
Pra você, quem foi o maior lutador de todos os tempos?
Tem um cara que não por conhecer ele pessoalmente, mas por assistir as lutas dele. Esse cara é o Paulão, dou valor ao Paulão. Assisti a um vídeo dele e vi que tá ruim de levar esse homem. Antigamente todo mundo falava Wanderlei, por causa do soco e chute, mas algumas pessoas conseguiram superar ele no soco e chute. O Muay Thai dele caiu com o Cro Cop em uma técnica que ele sabe, que é chutar. Ele deveria saber defender melhor. Eu vi na época que o Paulão não sabia socar, mas vi a evolução dele. Ele lutou com caras que sabiam chutar e ninguém chuta a cara dele. Ele faz a arte que ele gosta. Ele é bom de Judô, e por isso tem aquela base para travar e no Jiu-Jitsu ele atropela. E em parte de soco e velocidade, eu gosto do Vitor.
Você sente que é o lutador mais querido do Pará?
Eu agradeço, porque o pessoal do Pará não gosta de gente falador. E eu sou um cara muito simples, humilde. Isso eu sempre perseverei, pois a humildade leva o lutador a qualquer coisa. Isso é que o povo gosta. E eu sou um lutador que procura dar um show para o público.