Assine Já

Ambiente exclusivo do assinante
Ainda não é assinante?
Saiba mais sobre como
tornar-se VIP, receber a
revista em casa e participar
da área restrita com mais
conteúdo e promoções
exclusivas.


Newsletter Receba as últimas notícias,
promoções e lançamentos
no TATAMEShop
 
 
Conan Silveira sexta-feira, 06 de junho de 2008 - 07:07:01 Marcelo Alonso

Faixa-preta de Carlson Gracie, Conan Silveira deu a volta por cima dos problemas que enfrentou na vida e agora está na melhor fase da vida, liderando uma das maiores equipes de MMA do mundo. Um dos primeiros a levar o Vale-Tudo para a terra do Tio Sam, o líder da American Top Team contou para a TATAME sobre seu recomeço, seus treinamentos e a época que passou ao lado de Carlson Gracie, além de comentar sobre a ATT. Confira abaixo a entrevista exclusiva com Conan Silveira.

Como estão as coisas? Fale um pouco do que aconteceu contigo...

Sem dúvida eu estou de volta, to treinando. Como a galera já sabe, eu estava de férias, umas férias forçadas e gratuitas, mas o mais importante não é o erro e sim o que você aprende através dele, no que isso pode modificar você, no que pode te aprimorar, evoluir. Acredito, sem dúvida nenhuma, que isso me fez ver e continuar a vida de uma forma diferente. Em relação a treino, luta, voltei com força total, desejo grande de lutar. Já lutei em março do ano passado, estou em negociação com o Japão pra ver se acontece alguma coisa, em resumo, de volta a família, que foi do que mais senti falta, essa vida de Jiu-Jitsu, Vale-Tudo, os amigos.

Você pensa em voltar a lutar ou você está mais focado na parte de treinamento?

Estou agora mais voltado para a parte de treinamento, até porque sou um dos pioneiros do Vale-Tudo e do MMA. Já tive o melhor, já fui campeão várias vezes, acho que agora eles precisam mais de mim no treinamento, é o momento agora é de passar experiência. Mas eu tenho uma vontade que já nasce com o lutador, que é difícil de controlar e, por isso, estou em negociação e devo lutar uma ou duas vezes ainda esse ano.

Você foi um dos pioneiros em Miami...

Eu fui o primeiro a chegar em Miami e um dos pioneiros no Vale-Tudo nos Estados Unidos. Por isso eu tenho um pouco de conhecimento do assunto.

Inclusive, foi na sua academia que o Minotauro foi treinar e quando tudo começou...

Eu não falo por crédito, afinal adoro o Mino, sou fã dele, mas a primeira vez que ele botou um short pra treinar sem quimono foi comigo. Ele era excelente campeao de quimono, mas não tinha noção nenhuma de Vale-Tudo sem quimono, era um garoto inexperiente nessa área mas se adaptou muito bem  E um grande lutador e campeão,  torco por ele sempre, ele nasceu pra isso.

Fala rapidamente sobre sua carreira, Vale-Tudo.

Em 1993, existiam dois eventos no Estados Unidos, o UFC, onde o Royce lutava, e eu lutava no Battle Cage Extreme Fighting, e existia aquela controvérsia, aquele problema político de ser ilegal, conquistei o primeiro título num campeonato, defendi a segunda vez, perdi na terceira vez pro Maurício Smith, que mais também se tornou campeão no UFC. Depois de mais ou menos três anos, eu voltei a lutar com ele no World Extreme Fighting na final ,e recuperei o título em 1999. Em 2001 ganhei outro título no World Extreme Fighting.

Quais as lembranças dos tempos do Carlson?

Falar do Carlson para mim é difícil e gratificante. É difícil porque não tem como não sentir falta dele, não só como professor, mas como amigo. O que ele me passou de mentalidade eu aplico demais nos meus alunos, lutadores e atletas, hoje em dia. Não existem palavras para falar de um mestre como Carlson Gracie. As lembranças são as melhores. É lógico que a partir do momento que a sua reação é maior do que simplesmente lutador e treinador, e nós tínhamos um relacionamento de família, surgem problemas, pois nós tínhamos opiniões e gostos diferentes, mas relevando tudo isso, tenho muita saudades, me pego várias vezes pensando nele, pois sempre foi um suporte muito grande, sempre me deu muita inspiração. Quando eu vim para os Estados Unidos ele me incentivou muito, ele tava sempre comigo nas vezes em que me tornei campeão,  e  defendi títulos. Não existem lembranças melhores que essas.

Fala sobre o início da ATT. Quem começou com ela o seu irmão ou você?

Primeiro surgiu a Conan Silveira Academy, depois eu e meu irmão montamos a Silveira Brothers, que foi quando meu irmão foi para o norte, eu fiquei no sul. Com a chegada do Libório resolvemos montar e consolidar a American Top Team, então, o começo fui eu e meu irmão Marcelo, com a chegada do Libório, que foi um ponto  importante para tudo funcionar. Não posso deixar de mencionar o Dan Lambert. Ele era meu aluno, começou comigo, como ele morava no norte na época que meu irmão abriu a academia lá, ele foi treinar com o Marcelo, mas é uma amizade de muitos anos, somos uma família, e o ATT surgiu daí. Hoje a ATT ainda é um bebê no MMA, uma criança que começou a andar outro dia. Nós já conquistamos muitas vitórias, mas nosso negócio ainda é muito novo, tem muita coisa pra acontecer.

Qual o diferencial da ATT, na sua opinião, comparando com outras equipes? Por que a ATT, hoje, estaria na frente?

O que a gente conhece de times, sabemos que existem alguns excelentes aí fora. Mas tem uma coisa que observo e faz a nossa diferença, que é o fator família, união, você gostar do seu parceiro de treino de verdade,
 mesmo fora desse meio. Nós temos uma irmandade, morremos um pelo outro. Nós, que somos os diretores do time, não admitimos a falta de amizade, tem que ter uma união, não só no fator treino. Além disso, aqui todos nós nos consideramos estudantes, não tem professor, isso faz com que a gente estude muito. Estamos sempre com a cabeça aberta para aprender mais, as novas técnicas, os novos estilos, ou seja, estamos aptos a aprender.

Explique a formação do ATT.

È difícil selecionar as funções de cada um, porque a gente se trata tão igual, mas existe um momento que cada um precisa assumir uma função. Toda casa precisa de um pai, uma mãe e os filhos. Praticamente, eu e Libório somos os líderes. Os treinadores somos eu, Libório, Ouali e Benkei, que eu chamo de cientista do time, não de condicionador físico, ele fica no laboratório desenvolvendo todas as formas que nós encaixamos no treino. Acredito que é uma combinação de gênios, somos parecidos, combinamos muito. Acho que a maneira mais fácil de responder essa pergunta em relação à função é dizendo que todo mundo tem às vezes a mesma função e às vezes temos funções diferentes, depende do momento.

E em relação à carga horaia dos profissionais?

O bloqueio é terça em pé, e quinta é chão comandados por mim e o Liborio, o Benkei dá o bloqueio de sabado, específico para cada lutador, que vai lutar com um oponente determinado. Na segunda, quarta e sexta, tem uma mistura de treinamentos diferentes, como Jiu-Jitsu, Wrestling, Muy Thai(Ouli) e posições espefícicas, fora os dias de condicionamento com a parte de peso e a parte de exercício que é toda feita pelo Benkei individualmente com cada atleta. Por isso que eu falo, nós trabalhamos todos juntos no condicionamento, bloqueio, Wrestling, Jiu-Jitsu, Muy Thai, os profissionais estão sempre envolvidos no mesmo momento. Isso faz uma diferença fenomenal.

Deixe uma mensagem para os seus fãs brasileiros que não te vêem há muito tempo.

To de volta, de cabeça erguida, olhando pra frente, e se Deus quiser, lutando em breve. Você tem acreditar no seus sonhos sempre e ter
 fe no que faz. Em relação a qualquer coisa na vida, não só no Vale-Tudo, MMA, Jiu-Jitsu, se você acredita em você, tudo se torna mais fácil.

 
 
     

 



Copyright 1994-2008 - editora TATAME Ltda. Todos os direitos reservados. All rights reserved.