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Felipe Mota terça-feira, 12 de agosto de 2008 - 12:02:01 Eduardo Ferreira

Há um ano e meio com a faixa-preta, o meio-pesado Felipe Mota (Akxe BJJ) já coleciona títulos como o conquistado no último Rio Internacional Open da CBJJ, onde recebeu o ouro depois de derrotar Junior Santos (Gracie Floripa) numa pontuação de 7X0, mas, para o atleta, a luta mais marcante deste campeonato foi a semifinal com Ian Cabral (N.U.). Em entrevista exclusiva ao site da TATAME, Felipe contou que seus planos, que agora incluem viajar para Europa para dar aulas de Jiu-Jitsu e aproveitar para trocar experiências com os lutadores de lá, treinando outras modalidades das Artes Marciais e se preparar para o MMA. Porém, seu objetivo principal no momento é a seletiva do Abu Dhabi, no final do ano. Confira a entrevista completa com Felipe Mota.

 

Você pegou a faixa-preta há um ano e meio, como foi esse tempo? O que você já conquistou?

 

Foi uma fase boa. Com um mês de faixa-preta eu fiquei em terceiro no Europeu, em Portugal, tive a oportunidade de lutar com o Xande, uma luta boa, depois eu ganhei a primeira etapa do ranking estadual no Rio. Lutei a Copa do Mundo, onde fui vice-campeão no absoluto e, logo depois, fui campeão no Pan-Americano da CBJJE. Foi quando dei um intervalo de oito meses porque estava meio cansado, tinha me formado em Direito, precisava dar uma relaxada e decidi dar um tempo na luta. Este ano, sofri um acidente de moto, fiquei três meses sem treinar. Eu soube do Rio Internacional e achei que seria uma boa oportunidade, o equivalente ao mundial da CBJJ, fiquei muito interessado em lutar e comecei a me preparar, tive três meses para isso. Voltei a lutar no Brasileiro, lutei bem, perdi nas vantagens. Fiquei em terceiro no absoluto do Sul-Americano, em São Paulo, da CBJJE. Lutei no Mundial de São Paulo, perdi por uma vantagem para o Ian, que tem sido meu grande adversário no meio pesado aqui no Brasil. Agora, no Rio Internacional, a gente lutou de novo e eu consegui ganhar dele na semifinal, que pra mim foi a final antecipada, um lutaço, ficamos 10 minutos sem parar. A final foi com o Junior Santos, que eu consegui lutar bem, graças Deus e deu tudo certo, consegui esse título aí que eu sonhava tanto, um título grande da CBJJ, de faixa-preta.

 

Quais os seus planos agora?

 

Estou indo para a Europa, passar três meses. Tenho uma série de seminários marcados na Noruega, Dinamarca, Suécia, Inglaterra. Pretendo treinar bastante sem quimono, porque eu quero fazer essa seletiva do Abu Dhabi no final do ano, é o meu foco principal, no momento, meu sonho ser campeão lá. Vou lutar até 88kg.

 

MMA está nos seus planos?

 

Está sim. Agora eu to indo treinar um cara que está lutando o Cage Rage, na Inglaterra, o Peter Range, da Noruega. Vou treinar a parte de chão dele, de repente, se pintar uma oportunidade boa, eu faço a estréia esse ano ainda.

 

Você já treina para MMA?

 

Faço um Boxe. Lá eu vou treinar muito mais, na Noruega não tem muito treino de Jiu-Jitsu. Vou para lá ensinar o Jiu-Jitsu e aproveitar para ter aulas das outras artes marciais. Eles têm um Wrestling muito forte e, hoje, os caras são muito profissionais de Muay Thai também.

 

Quanto tempo você tem de Jiu-Jitsu?

 

O Jiu-Jitsu foi muito louco na minha vida, eu comecei a treinar sete anos atrás, eu tinha 20 para 21 anos de idade, comecei tarde. Foi uma parada que eu não estava nem botando muita fé, pois fazia faculdade de Direito e estava me encaminhando quando comecei a treinar. O Ratinho e o Vinny sempre deram muita força, falavam: “Você leva jeito, tem que competir!”. Meu primeiro campeonato eu lutei de faixa-marrom, em 2004 e, neste mesmo ano, consegui ser campeão no ranking estadual depois de fazer sete lutas. Foi aí que me empolguei. Em 2005, o Ratinho botou uma pilha: “Da um gás, se vai lutar tem que ser com os grandes”. Lutei o mundial de 2005, fui vice-campeão no Mundial da CBJJ, fui campeão do American Gold Cup, em 2005, daí engrenou. O ano de 2006 foi bom, peguei a faixa-preta no final dele e agora vamos que vamos. To me sentindo um garoto com 28 anos e acho que ainda tenho muito pela frente, até uns 35 eu to no adulto aí.

 

Você dá aula também?

 

Eu dou aula na academia do Vinny na Barra da Tijuca, o Ratinho foi embora para os EUA, junto com o Marcos Vinícius. Ficamos eu, o Rafael Langhi, Rodrigo Montenegro e o Fábio dando aula. O Vinny é o nosso mestre, dono da academia, a gente trabalha pra ele.

 

Você já tem um aluno com ótimos resultados...

 

Eu acompanho o Matheus desde o juvenil. Graças a Deus, ele conquistou vários títulos ano passado, inclusive o Mundial. Foi campeão da Copa do Mundo, Copa do Brasil, Brasileiro, absoluto do Estadual, Pan-Americano da CBJJE, Mundial sem quimono, ganhou todos os campeonatos, finalizou quase todas as lutas, um índice de finalização impressionante e, agora, foi campeão no Rio Internacional, onde só teve uma luta que passou da metade, todas acabaram com finalização, e finalizações clássicas, todas de braço.

 

E a preta? Quando que ele recebe?

 

Vou esperar um pouquinho ainda. Vamos ver o Mundial do ano que vem, ele já foi campeão Mundial na roxa. Não adianta jogar ele agora, ele é um garoto novo, tem 20 anos de idade. Não teve oportunidade de lutar este ano, ele está só há 10 meses na marrom, tudo tem seu tempo. O atleta tem que completar um tempo mínimo em cada faixa, isso é fundamental, porque não adianta ser um grande competidor e não saber dar aula, não ter um Jiu-Jitsu completo. Acho que com dois anos na Marrom o Matheus vai estar pronto para ganhar qualquer um no peso médio.

 

A escola do Ratinho é muito bem falada por aí...

 

Eu vejo uma escola de Jiu-Jitsu. A gente não costuma dar faixa fácil, todo mundo lá fica um tempo mínimo de dois anos. É como o Ratinho vive falando, a gente está formando campeões para a vida, não adianta a gente formar campeão só para o tatame e o cara ser um mau caráter. Acho que tudo tem seu tempo. Matheus é novo, tem 20 anos de idade, já fez muitos títulos. E vai ser campeão mundial ano que vem de faixa marrom e depois ele ganha a faixa-preta no peso médio e vai chegar para embolar esse negócio aí.

 
 
     

 



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