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A prática e a repetição levam a perfeição! sexta-feira, 05 de setembro de 2008 - 16:26:01 Luiz Vitor

Que a prática leva à perfeição, todos sabem ou já ouviram essa máxima algumas vezes. Porém, quando se trata de repetir as posições várias vezes para que a movimentação possa sair mais “fluida” ou para treinar o golpe e assim poder torná-lo mais “justo”, poucos a entendem ou a praticam consciente de seus resultados. Durante os treinos, muitos lutadores querem apenas lutar, lutar e lutar, mas quando se fala em repetir os golpes ou movimentos específicos como parte do treinamento durante as aulas, muitos alunos não percebem a importância desta parte do “estudo” da arte marcial e reagem algumas vezes até com má vontade.

Não percebem que através desse estudo pode-se descobrir outras variações do golpe e testar sua real eficiência. Repetir o golpe sistematicamente não significa que não sabe fazê-lo, mas é o momento de aperfeiçoar a posição, lapidar determinado movimento e executá-lo de uma tal maneira de fluidez que o leva a um nível inconsciente. O lutador executa o golpe sem pensar, o faz por puro instinto. Todos os golpes são bons ou pegam, mas o único caminho que leva a execução de qualquer golpe para um grau de eficiência, rapidez e qualidade técnica é a prática constante. Só com essa prática no “rever” das técnicas é que o lutador aumenta seu arsenal de golpes e impõe a sua técnica num combate. Esse princípio é percebido quando um lutador é elogiado pela sua técnica ou criticado com frases do tipo: “ele só sabe dar aquele golpe!” ou  “para anular o jogo dele é só fazer isso ou aquilo.”

Quanto maior o repertório técnico do lutador, melhor para ele. Sua mente se sentirá mais tranqüila, porque ele sabe que tem várias opções surgindo à medida que o treino acontece. Independente de os movimentos serem ofensivos ou defensivos, ele sabe que tem uma saída e assim poupa seu fôlego para os momentos certos do combate, tornando cada vez mais eficiente seus ataques e com menos consumo de seu potencial aeróbico. Isso acontece principalmente com os competidores que, em um curto espaço de tempo, fazem diversas lutas, sendo o gás, então, fundamental para um resultado expressivo num campeonato ou mesmo num treino na academia.

O lutador tem que estar com a mente alerta e segura, o seu saber e agir devem ser um pensamento único, a mente deve estar focada ao momento presente da luta, alheio ao placar, ao público, se tem alguém olhando o treino ou ao próprio pensamento pessoal quando a raiva o atrapalha e o ofusca. Por outro lado, à medida que o lutador não sabe o que fazer no momento da luta sua mente pára e, conseqüentemente, suas ações também.

Isso pode significar o fim de sua luta sofrendo uma derrota por pontos ou uma finalização. Para concluir esse texto, repito as palavras do mestre Daisetsu Suzuki, com a seguinte frase: “O conhecimento técnico não basta. É preciso transcender a técnica para que a arte se converta numa arte sem arte, brotando do inconsciente”.

Por Luiz Vitor, líder da GAS Jiu-Jitsu

 

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