Assine Já

Ambiente exclusivo do assinante
Ainda não é assinante?
Saiba mais sobre como
tornar-se VIP, receber a
revista em casa e participar
da área restrita com mais
conteúdo e promoções
exclusivas.


Newsletter Receba as últimas notícias,
promoções e lançamentos
no TATAMEShop
 
 
Eugênio Tadeu terça-feira, 23 de setembro de 2008 - 07:00:01 Por Marcelo Alonso

Um dos maiores representantes da Luta Livre no Brasil, Eugênio Tadeu revelou em entrevista à Revista TATAME deste mês (#151) que recebeu de Joe Moreira a faixa-preta de Jiu-Jitsu. Um dos protagonistas da velha rivalidade entre as artes em seu ápice, na década de 1980, Eugênio conversou com a TATAME sobre as polêmicas da época e os confrontos com a família Gracie, capas da edição de agosto da Revista TATAME, e a situação da Luta Livre hoje no país. “Tem muitas outras histórias que esquecemos, dá para fazer um livro. Eu lembro do Hélio Gracie falando uma vez que se ele tivesse dez filhos iguais a mim ia ser campeão do mundo”, revela o faixa-preta de Luta Livre, Muay Thai e, agora, de Jiu-Jitsu. Confira abaixo a polêmica entrevista com Eugênio Tadeu.

 

Você, que é um dos maiores ícones da Luta Livre, pegou a faixa-preta de Jiu-Jitsu... Como foi isso?

 

Esse presente quem me deu foi o Joe Moreira, amigo de muitos anos, e foi um cara que, de repente, reconheceu meu mérito de lutador e por consideração, não por serviços prestados ao Jiu-Jitsu, mas sim à Luta Livre.

 

Quando ele deu a faixa-preta para o Marco Ruas foi uma grande polêmica com o pessoal do Jiu-Jitsu... Você chegou a treinar com ele?

 

Eu disputei um campeonato amazonense de Jiu-Jitsu, fui campeão, e já tive vários outros faixas-pretas de Jiu-Jitsu que já treinei, e que já fui para as vias de fato. Por serviços prestados e por consideração pelo trabalho perante o esporte ele me deu essa faixa-preta. Acho que, na verdade, um dos poucos atletas que lutou em todas as modalidades amadoras fui eu... Já lutei de Jiu-Jitsu, greco-romana, Muay Thai. Não existia a TATAME nessa época, não existia imprensa. Hoje em dia qualquer lutador é famoso, antes era muito difícil. Além de você lutar dentro do ringue muitas vezes tinha que bater na rua pra se tornar famoso, como eu, Rickson, Pinduka e vários outros, que fazíamos uma peregrinação pelas ruas. Para ser faixa-preta, primeiro você tinha que ser faixa-preta da rua onde você morava, faixa-preta de sujeito homem, hoje em dia é diferente.

 

Quais faixas-pretas você já treinou?

 

Já treinei com vários, sempre visitei as academias... Já treinei com a seleção de Judô, com faixas-pretas de Jiu-Jitsu, botava o quimono... Na minha época não existia Vale-Tudo, então para eu me tornar lutador eu tinha que visitar a academia dos outros, e eu me acho, independente do Vale-Tudo, um dos lutadores mais respeitados do mundo das lutas, porque eu visitei vários casca-grossas do mundo das lutas para me posicionar como um bom lutador, e quando cheguei a lutar Vale-Tudo eu já estava com outros compromissos, minha família já morrido, e só fui lutar quando eu era velho. Como eu queria me tornar lutador eu visitava as academias. Já lutei em várias academias de Jiu-Jitsu, com o Conan, com o filho do Álvaro Barreto, com vários alunos do Manimal... Só não posso citar nomes senão será a terceira guerra mundial (risos).

 

Você pediu a faixa-preta?

 

Eu não pedi a faixa-preta, ele me ofereceu a faixa e eu aceitei como gratidão a ele, eu não pedi e não tenho necessidade, na posição que estou hoje, pedir nada a ninguém. É reconhecimento. Quimono não é minha praia. Eu prestigio o esporte, o esporte Jiu-Jitsu é legal, mas a ideologia de certos lutadores de Jiu-Jitsu que eu não compatibilizava no passado, de invadir a academia, querer bater nos outros na rua, ninguém podia usar camisa de outra modalidade... Esse foi meu trabalho e minha luta. Hoje tem uma igualdade social e esportiva entre todos os lutadores e eu recebo a faixa-preta com a maior consideração e respeito.

 

Hoje em dia o seu relacionamento com o Jiu-Jitsu é completamente diferente, né? A gente viu uma cena que marcou, você e Wallid, rivais do passado, se encontraram e você fez uma entrevista com ele...

 

Eu nunca tive problema com Jiu-Jitsu, tive problema com alguns lutadores de Jiu-Jitsu, pela filosofia que eles tinham, mas não pela modalidade que eles praticavam. Estudei com a filha do Carlson, com o Carlson Jr, com o Royler, Rolker... Tenho vários amigos de infância no Jiu-Jitsu, meu problema era com a falta de respeito que tinham com as outras modalidades. Quer dizer que todas as modalidades eram uma merda e a única boa era a deles? Não existe isso.

 

Você acha que nos eventos dessa época ficou provado isso?

 

Com certeza... Existe um bom lutador, e não uma melhor luta.

 

Hoje em dia, como foi essa experiência de repórter da BrazukaTV?

 

Foi positiva, a galera gostou, foi maneira pra caramba, eu tinha um talento embutido dentro de mim e pus esse personagem pra fora.

 

O que você gostou e não gostou nessa vida de repórter?

 

Uma coisa legal é eu poder colocar o que eu penso, por exemplo, o bate bola era uma intimidade que eu tinha com quase todos os lutadores, e o repórter, quando não tem intimidade, não tem o que falar com o lutador. Como eu já passei por essa experiência que eles já passaram, fica muito mais fácil eu também tocar até em um lado pessoal dele que o repórter às vezes não capta isso.

 

É mais difícil sair na porrada ou ser repórter?

 

É mais difícil sair na porrada (risos). Repórter é mole, é fácil de levar. Você tem três ou quatro perguntas e daí você vai ao infinito.

 

Quem você mais gostou de entrevistar?

 

Todos eles são legais, mas o que me impressiona na humildade é o Anderson Silva. O Minotauro e o Minotouro também são muito humildes, mas não entrevistei os dois, só uma preliminar antes, que falei com eles pelo rádio, e são muito humildes. O Wallid também. A gente teve aquela divergência no passado e foi legal pra caramba, uma “rasgação” de seda entre eu e ele danada, uma retomada da nossa amizade, que tem dignidade e hombridade, isso que é o importante.

 

Como você vê a Luta Livre hoje? O Brunocilla está tentando reunir o pessoal...

 

Eu acho que a Luta Livre em si está como o Jiu-Jitsu, estagnados. O que está crescendo é o Vale-Tudo. A luta em si estagnou um pouco, tanto a luta sem quimono como a com quimono pararam, todo mundo está voltando para o meio do MMA. O mais interessante hoje em dia é lutar Vale-Tudo do que lutar no amador e não ganhar nada, ou ganhar uma medalha e um tapinha nas costas. Você bota um campeonato de Jiu-Jitsu e tem 600 pessoas, mas você bota um campeonato de Luta Livre e não vai ninguém assistir, se tornou uma coisa monótona. Eu acho que se botar um campeonato de Jiu-Jitsu e Submission, sem quimono, vai lotar, vai dar mais de 5000 pessoas, mas isso pagando um prêmio legal.

 

Como foi a reunião? Quem o Brunocilla chamou e o que foi discutido?

 

A gente está montando uma Federação de Luta Esportiva, que nós precursores da Luta Livre estamos fazendo essa agregação, eu estou de vice-presidente, tem o Brunocilla, o Bosco, Cromado, Hugo, Gustavo Careca, um time todo...

 

Houve uma polêmica há um tempo sobre isso... Quais são realmente as linhas da Luta Livre?

 

A verdade é que Carlinhos Brunocilla é filho do pai dele, Fausto, e do Tatu. A linha do Leitão pai, pelo que eu sei, por alto, vem de uma linha meio Jiu-Jitsu, pois ele treinou greco-romana e gostava de treinar um Jiu-Jitsuzinho, treinou com Carlson. Ele foi uma espécie de sparring no chão, nunca foi de Vale-Tudo, mas como foi um cara muito técnico, dava o corpo dele para os grandes lutadores da época treinarem com ele, como Fausto, Carlinhos e outros ícones.

 

Então a sua linha é do Brunocilla, não do Leitão?

 

Leitão é meu amigo, tenho muito carinho por ele, mas nunca fui aluno dele. Já fui na escola dele várias vezes treinar, mas não como aluno, para fazer visita e mostrar meu conhecimento, e ver se meu conhecimento estava apto a treinar em outras academias.

 

E o que você achou?

 

Eu acho que só dá Eugênio Tadeu mesmo... É uma excelente escola, mas na época eu estava muito bem fisicamente e muito bem treinado, e aí é muito difícil de me pegar no chão. Com muitos lutadores que treinei, tecnicamente meu conhecimento era muito maior.

 

Tem alguma escola que você foi que você pensou “po, esses caras aí tem uma técnica refinada”, algo que te chamou atenção?

 

Na minha época, quando eu estava no auge da minha forma física, eu brinco com todo mundo que eu era do tipo que, se você treina tranqüilo comigo eu treino tranqüilo com você, mas se você quiser me esculachar eu te finalizo. Se você me respeitar eu te respeito, se você não me respeitar eu te boto em “cana”... Treinei assim em várias academias, se o cara me respeitava dentro da academia dele eu respeitava, mas todas as vezes que botei alguém em “cana”... Se era professor eu levava em consideração, se era aluno eu avisava o professor... Alguns eu tive que finalizar e outros eu aliviei.

 

Como você analisa o trabalho de dois alunos seus que estão sendo considerados os homens que estão levantando o nome da Luta Livre, o Cromado e o Pequeno?

 

Eles estão fazendo um trabalho excelente. O Cromado é o meu maior representante, tem toda a minha linha e é um cara que está fazendo um trabalho excelente, grandes atletas. Eu passei essa experiência para ele, porque quando acabei com minha equipe de Vale-Tudo eu passei meus melhores alunos para ele e está dando continuidade ao meu trabalho, e está excelente, tem responsabilidade, sabe o que quer e representa muito bem. O Pequeno também. Ele não sabe ainda muito bem o que quer, está meio confuso. Ele tem a personalidade um pouco mais fraca, e é muito o que as pessoas falam, se depender do que estiver melhor ele vai, mas está representando bem a Luta Livre.

 

Você está dando aula em algum local?

 

Eu tenho uma academia em Botafogo, mesma linha do passado, com área grande, várias modalidades de luta e dou aula de Muay Thai e Luta Livre. Na verdade, a primeira modalidade que eu peguei a faixa-preta foi o Muay Thai, fui discípulo do Flávio Molina.

 

Quero lembrar três histórias com você... Aquela velha história da invasão da academia do Flávio Molina, você estava lá?

 

Eu nem estava lá (risos)... A melhor história dessa invasão foi a que saiu agora na TATAME (edição #150). Foi a melhor história, a mais verídica, a mais real. Está perfeito, foi aquilo mesmo.

 

O que contavam antes que era mentira?

 

Era atravessado, cada um falava favorecendo a si próprio, agora que passaram os anos e cada um caiu na consciência que a maturidade chegou e caiu um pouco a vaidade, aí as pessoas estão falando a realidade. O único que não fala muito a realidade é o Pinduka, que favorece muito a ele...

 

Você estava no dia em que os caras tentaram adiar o evento?

 

Estava. A gente foi na academia de Kung Fu que tinha em Laranjeiras, do empresário que fez a organização, e o Brunocilla chegou falando que a gente estava muito cru ainda para poder lutar Vale-Tudo, e adiaríamos para mais um ano, mas a panela de pressão estava ruim de falar que não. Houve essa história aí, que se não houvesse o evento poderia acarretar em invasão de academia, porradaria depois na rua, e na hora da pressão ali, todo mundo sujeito homem, preferimos cair pra dentro ali mesmo e deu no que deu.

 

O primeiro time que ia lutar, o Marcelo Mendes ia lutar com quem?

 

Ele ia lutar com o Fred Bomba.

 

O Pinduka não ia lutar, inicialmente?

 

Eu acho que teve uma estratégia que eles botaram, em matéria de estratégia eles estavam anos-luz da gente, íamos com o coração. Tudo era articulado e a gente ia com o coração, na emoção e no amor, e eles iam usar a gente de bucha, e deu zebra. Apesar de tudo favorecendo a gente tinha coração e raça, e todo mundo veio com atitude e demos uma virada por cima. Tudo foi articulado para sermos buchas, como todos os outros (eventos) anteriores.

 

Outra história que você estava presente é a invasão do Boqueirão, como foi o negócio do Rickson?

 

Acontece que, na hora, pegou todo mundo desprevenido. Chegaram Hélio Gracie, Rickson, Rillion, Fred Bomba, Marcelo Behring, chegou uma galera, até eu tomei susto. É até maneiro pra pensar hoje em dia é que os caras era o filme da era moderna agora, chegaram todos se transpondo como campeões, Rickson chegou falando que fazia com um, dois ou três, “faço agora, se me der um, dois ou três eu faço agora”, e acho que pegou todo mundo desprevenido e acho que, no momento, o único que estava preparado era eu, porque sempre fui atleta e pedi licença para meu mestre para falar, e falei que fazia com um, dois ou três também ali na hora se quisessem, e eu tinha muito mais leve, tinha 71kg. Todo mundo falou, mas pediram meses pra treinar, mas eu falei que fazia na hora, mas não rolou porque só eu e Rickson estávamos na disposição para fazer na hora.

 

Você e Rickson já se encontraram depois disso?

 

Somos amigos, encontrei o Royler na Câmara dos Vereadores, Rickson estava lá e nos abraçamos, conversamos e acho que o respeito como lutador e atleta existe, fora do ringue somos amigos. Já encontrei com ele várias vezes no trânsito...

 

E como foi aquela história do Pepê?

 

Sabe o que acontece? A gente é tão inocente que tínhamos um espião dentro da nossa academia e não sabíamos... Tinha um cara matriculado para ver nosso nível técnico e de condicionamento e não sabíamos. A gente tinha saído no dia anterior e íamos numa festa da namorada do Hugo, e o Carlinhos Brunoccila e a galera ficaram até mais tarde, e no dia chegamos às 9 da manhã e o único que treinou com a gente foi o Marcelo Mendes, depois pegamos e o carro, paramos numa feira para comprar umas frutas e fomos pra Praia do Pepê. Quando a gente chegou lá, alguém já tinha avisado que estávamos indo para a Praia do Pepê, e já estavam nos aguardando lá. Quando bati na areia, e estava afastado do pessoal, o Rickson já tinha descido na areia com uma galera e já estava chamando pra porrada e o Hugo tentou argumentar, um caldeirão... Aí ocasionou a guerra, e na semana seguinte fomos invadir. Já estava pra sair na porrada como Royler, mas deixaram pra depois. Fiquei sentado vendo a confusão, intermediando, aí nego me ovacionou e foi aquilo, um a zero Eugênio Tadeu, mas na rua Padre Antônio Vieira. Logo depois teve essa confusão e saí na porrada com o Royler. Juntamos uma galera e invadimos, e estava o Hélio, respeitamos ele, e mandamos chamar o Rickson. Ele chegou de moto e quando entramos, mas ficou no desenrolo, o Hélio tentando remediar,mas não teve jeito e a porrada comeu. Briguei de cinco a 10 minutos brigando com o Royler. Essa foi soco na cada e chute na coxa, aí chegou a polícia e ele estava meio nocauteado. E o Royler é meu amigo até hoje...

 

Tem aquela história do Marco Ruas no posto...

 

Acho que teve um problema de um aluno do Marco Ruas com o Rinaldo, ligaram para o Hugo para ele dar uma força... Eu estava em casa lavando meu carro e chegaram me chamando pra ajudar, e foi aquilo. Entrei pra sair na porrada com o Wallid, ficou uma confusão e no final não saiu nada...

 

Como você vê isso tudo hoje?

 

É a história do Vale-Tudo, né... Tem muitas outras histórias que esquecemos, dá para fazer um livro. Eu lembro do Hélio Gracie falando uma vez que se ele tivesse dez filhos iguais a mim ia ser campeão do mundo. Ele convidou a gente para fazer parte da equipe Gracie Jiu-Jitsu para ir para os Estados Unidos, mas na época falei “Mestre, me desculpa, mas se não tiver o PT, o que será do PMDB?”.

 

Hoje você se arrepende de alguma decisão que tomou?

 

Eu acho que não, poderia ate chegar mais longe, mas o que vale no homem é a dignidade, minha hombridade que nunca mudei. Não adianta estar rico e não ter dignidade, ninguém te admirar e respeitar.

 

Lista os altetas contra quem você lutou no Vale-Tudo.

 

Royler, duas vezes, Renzo, Wallid, Renan Pitanguy, e no final perdi para o (Marcelo) Giudice. Estava no meu ápice, mas exagerei. Hoje me acho um excelente lutador por ter s por diversas situações adversas, e foi complicado passar por tudo que passei, e fiz grandes lutadores. Se você botar na cabeça um cara com mais lutadores dentro da Luta Livre sou eu, vieram zero para mim e eu fiz os garotos, é muitas responsabilidades, e ainda tenho que me sustentar, treinar, namorar, olha só (risos)...

 
 
     

 



Copyright 1994-2008 - editora TATAME Ltda. Todos os direitos reservados. All rights reserved.