Um dos maiores conhecedores de chão da escola Carlson Gracie Team, Bebeo Duarte está se afastando da liderança da equipe no Rio de Janeiro para gerenciar a filial da equipe em Las Vegas, nos Estados Unidos. Procurado pela TATAME, Bebeo comentou a mudança na estrutura da BTT e o que isso representará para o futuro da equipe, além de comentar sobre a evolução do esperte, que cada vez mais ganha força nos Estados Unidos, e falou sobre seus melhores momentos na Brazilian Top Team. Confira abaixo a entrevista exclusiva com Bebeo Duarte.
Como anda a vida por aí?
A vida por aqui não é fácil, país novo, tudo diferente, mas estou achando a experiência muito valida!
Quais lutadores já passaram por sua academia?
Depois que comecei o trabalho em Las Vegas, já passaram por aqui alguns dos lutadores mais famosos do mundo. Tive a honra de ser o último treinador de chão do Evan Tanner, um cara muito gente fina, uma pena o que aconteceu com ele. Treinei o Forrest Griffin para a luta dele com o Rampage, ele fazia aulas particulares comigo. O Heat Herring chegou a me visitar algumas vezes, mas nosso pensamento em relação a melhor forma de fazer o treinamento para a sua última luta não estava sendo o mesmo, então achei melhor continuar a amizade. Mas ele sempre faz uma visita aqui. O Phill Baroni treinou comigo para as suas duas últimas lutas.
Você que acompanha o crescimento do MMA desde 93. Como vê a evolução do esporte na América?
É uma coisa muito legal poder ver como o nosso business cresceu aqui na América. Lembro nos primeiros eventos do UFC que participamos, ainda como Carlson Gracie Team, o que mais sobrava era ingresso. Os caras da TV só filmavam o mesmo lugar, pois era aonde eles tinham pedido para as pessoas sentarem, pois o resto do lugar estava sempre vazio! Hoje em dia a dificuldade é comprar um ingresso. Fora isso, a forma de reconhecimento em relação aos lutadores também mudou muito. É muito legal ver que o seu esporte está sendo reconhecido e que as pessoas gostam. Uma coisa ruim é o fato de alguns “espertinhos” aproveitaram a subida da audiência para se auto denominar "criador disso e criador daquilo", coisas que nós, que estamos nisso a muito tempo, sabemos que já existia. Tem pessoas falando um monte de asneira sem a menor cerimônia, pois como o esporte é novo e o que a mídia disser que é, acaba sendo, e essas pessoas estão na mídia. Quem conhece o esporte sabe que muita besteira está sendo falada, mas mesmo com tudo isso, é uma coisa muito legal ver o que está acontecendo por aqui com o nosso "Vale-Tudo”.
Você viveu os melhores momentos da BTT e da Carlson Team. Quais os momentos mais marcantes da sua carreira de treinador?
Essa vida como treinador sempre foi com muita emoção. Um dos momentos mais marcantes, onde eu não era o treinador, apenas ajudei como sparring, foi o confronto Jiu-Jitsu x Luta-Livre, por tudo que representou para nós. Depois não tem como não lembrar as participações do Vitor Belfort nos primeiros eventos do UFC. O moleque voava! A primeira conquista de um cinturão do UFC por um brasileiro, que foi o Murilo Bustamante contra o Dave Menne, também foi uma emoção sem igual, até hoje me arrepio só de lembrar... Depois veio a BTT, e com ela vieram muitas emoções. Teve logo no inicio a vitória do Minotauro no torneio do Rings, onde ele ganhou três lutas na mesma noite. Foi muito bom para todos nós. Depois teve a vitória dele contra o Heat Herring e a vinda do cinturão dos pesados do Pride. Mas todas as vitórias foram muito importante para o crescimento da BTT e acho que tivemos algumas derrotas que foram importantes também. Uma que eu não me conformo foi a do Murilo contra o Dan Henderson pelo cinturão do torneio do Pride, que aconteceu no dia 31 de dezembro de 2005. Nós já sabíamos que eles queriam vir para a América, mas fazer da forma que fizerem foi muito doido. Um dos piores finais de ano da minha vida!
O Murilo enviou uma carta aberta comunicando que você passaria a ser responsável única e exclusivamente pela BTT América. O que de fato mudou na sua relação com a matriz?
O Murilo com isso passa a ter uma autonomia para fazer o que ele achar o melhor para o time. Ele está vivendo o dia-a-dia ali e vai ser o melhor para a equipe, mas estarei aqui sempre que ele precisar. Somos amigos, isso é o que é mais importante.
Os atletas da BTT Brasil continuarão treinando aí?
Os atletas da BTT que vierem para os Estados Unidos e quiserem desfrutar da minha "agradável" companhia (risos), sempre serão bem vindos. Não só na minha academia, como na minha casa, e isso se estende aos amigos da TATAME.
Se você fizer algum atleta aí, ele representará a BTT?
O americano é diferente, mas se depender de mim ele representará a BTT, mas com uma indicação que é de Vegas.
Onde o Toquinho errou na luta com o Dan Henderson?
Acho que foram mais acertos do Henderson do que erros do Toco, mas ele, com certeza, junto do Murilo, vão saber aproveitar essa derrota para corrigir o que eles acharem que precisa ser corrigido. E, precisando um pouco de ajuda, o Murilo sabe que pode contar comigo sempre.
Você é muito ligado aos seus dois filhos, como está sendo a experiência de viver longe deles?
Essa é a parte que mais me deixa "fudido" aqui na América. Sinto a falta da minha família, meus filhos João e Guilherme e da minha esposa Laila. Somos um time e isso está sendo difícil, mas é tudo para o bem deles, então acho que vale o sacrifício.
Quando você volta ao Brasil?
Estou com planos de ficar por aqui até o final do ano, quero passar o Natal e as festas de fim de ano no Brasil, mas como eu sempre falo: essa nossa vida é muito louca e de repente tudo pode mudar.