Treinando pesado para voltar ao UFC no dia 25 de outubro, na edição 90 que agitará Chicago, nos Estados Unidos, Fabrício Werdum encara Junior “Cigano” dos Santos com a cobrança pessoal pela vitória, uma vez que acumula duas vitórias consecutivas no UFC, evento que seu adversário lutará pela primeira vez. Em uma entrevista exclusiva para a TATAME, o atleta da Chute Boxe falou sobre os treinamentos, a expectativa para o confronto, o mini-GP dos pesados do Ultimate e seu futuro no evento americano.
Como estão os treinos para a luta?
Agora é a reta final, temos essa semana e, depois, a luta. Já treinei tudo o que tinha para treinar, treinei muito puxado aqui na Chute Boxe, o sistema é forte, você sabe, é o dia inteiro. Estou fazendo a preparação com o Madson e afiando o Muay Thai com o Julio Borges... A luta vai ser muito boa, vai dar o que falar.
O que teve de diferente nessa preparação?
Estou com 118kg, e antes de começar com o Madson estava com 113kg. Estou bem forte, o pessoal vai se surpreender. Estou muito mais preparado que nas outras lutas... Eu já estava preparado nas outras, mas para essa dei uma ênfase na preparação física, estou mais rápido, não estou cansando... Comecei a fazer a preparação com ele há dois meses, todos os dias, é um trabalho especial que faz uma mistura que Deus me livre, cansa legal... Ele puxa lá em cima que parece que o coração vai sair pela boca, mas na luta o gás vai sobrar.
Qual a expectativa para o combate?
Está ótima, estou me sentindo bem e como sempre digo, o mais difícil não é a luta, aquilo é o nosso trabalho, mas o que pesa é o dia-a-dia, longe da família, fico de segunda a sexta aqui e vejo pouco a minha filha, que vai fazer um ano dia 4 de novembro. Então esse sofrimento que estou passando, a dedicação, alguém, vai ter que pagar o pato, alguém vai ter que sofrer na minha mão para compensar a ausência da minha casa (risos).
Então a idéia é chegar no UFC e trazer a vitória de presente para a filha?
Já dei duas vitórias de presente para a Júlia, contra o (Gabriel) Napão e o Brandon Vera, e agora vai mais uma, ainda mais agora que ela vai fazer um aninho e vai cair certinho depois da luta. Vai ter uma festa lá em Porto Alegre no dia 2, então eu vou lutar, fico uma semana lá e já venho embora para a festa, e é tudo pensando nela, a motivação está alta.
Que vantagens você acredita que o Cigano pode ter por treinar com o Minotauro, que já o enfrentou no Pride?
Para o Cigano vai ser ótimo, vai querer tirar onda, mas já estou no caminho pelo cinturão há muito tempo, e para ele vai ser ótima essas luta. Não gosto de falar isso porque as pessoas podem achar que estou tirando onda, mas estou em sexto no ranking e ele está vindo lá de baixo, para ele será muito boa essa luta, mas se eu ganhar não será mais que a minha obrigação, o pensamento é esse e todo mundo sabe disso, minha obrigação é ganhar. Poucos conhecem ele e sei que o pessoal da equipe do Minotauro está falando para o Cigano que ele não pode perder, é a oportunidade da vida dele, mas não vou servir de escada para ninguém, isso é impossível. Em cima de mim não vai acontecer de jeito nenhum.
Qual a sua expectativa para o seu futuro na categoria no UFC? Você disse que o seu contrato prevê a próxima luta pelo cinturão... Alguém foi falar com você para definir isso?
Agora mudou um pouco, vou ter que esperar mais, mesmo estando no contrato, mas não estipulei data para quando seria, então vou esperar para depois da luta com o Cigano, com uma vitória, e vou poder fazer... Com a volta do Couture complicou um pouco, não acho justo que o Brock Lesnar lutar com ele só porque é popular, ele não é tudo isso... Ele é forte, grande, mas Deus me livre, eu luto com o Cigano e até com o Lesnar depois... Pegar ele e botar pra lutar é errado. Ele nem tanta culpa, o evento quis colocar e ele não vai dizer que não, mas o evento errou. Acho justo colocar o Minotauro contra o Couture e depois eu esperava por um deles... Nem o Frank Mir estava merecendo, só porque está fazendo aquele Big Brother de luta. O único que merece é o Minotauro, estava com o cinturão provisório, e depois deles lutarem entraria eu, seria mais justo no meu ponto de vista.
Como você acha que será a luta entre Randy Couture e Brock Lesnar?
Se ele acertar um golpe forte no Couture pode acontecer, luta é luta, mas boto as minhas fichas no Couture. Com uma boa estratégia, botando ele pra baixo, aí o Brock vai cansar, é pesadão, e o Randy tem mais experiência e acho que ganha.
Pela outra “semifinal”, quem você acha que encara o Couture?
Não tem como, já está certo: é Minotauro e Couture, e depois serei eu. O Frank Mir não tem condições, já passou a época dele... Estava vendo uma luta dele contra o Brandon Vera e ele estava pesadão, vai dar Minotauro certo, 100%.
Antes de ir para o Pride, você fez duas lutas no Jungle Fight, e venceu o Gabriel Napão e o Ebenezer Braga... Como você vê o mercado de lutar no Brasil hoje?
O Wallid (Ismail) fazendo os eventos com aquele jeitão dele ajuda todo mundo, ele faz acontecer, mas eu acho que as pessoas não acreditam no MMA no Brasil. É um mercado que nos Estados Unidos dá muito dinheiro, e se tivesse uma empresa que investisse poderia dar certo, eu acho que os brasileiros têm que se dedicar mais. Temos os melhores lutadores do mundo, sabemos disso, e o Brasil poderia também acreditar nesse mercado, seria bem legal. É difícil acreditarem, falam que é violento, mas as pessoas têm que entender que somos profissionais e treinamos o dia inteiro para fazer uma luta, têm que enxergar como um esporte, não como algo violento.