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Integridade física do lutador segunda-feira, 20 de outubro de 2008 - 17:40:01 Luiz Vitor*

Os lutadores, no começo de cada treino, enquanto se cumprimentam para o início da luta, têm um pensamento em comum tipo “vou o fazer bater” ou “eu não vou bater para esse cara”. Todos os treinos são importantes na evolução de um atleta, mas às vezes sofrer uma finalização é inevitável e infelizmente os três tapas são dados. Sempre passa também um pensamento ainda com o sangue quente, do tipo
 “não vou bater” ou “dá para segurar mais um pouco” e assim, num simples treino, surgem lesões, contraturas e até mesmo uma fratura. É um assunto delicado porque muitos podem pensar “vai afinar?”, “dar uma de corrido?”, “ta com medo? então muda de esporte!”. Estou é tentando pensar justamente o oposto. Quanto menos lesões acontecerem com você, mais tempo estará no dojô treinando e melhorando suas habilidades para futuros campeonatos e lutas em que você não quer perder de jeito nenhum. Cada luta envolve diferentes aspectos a serem considerados por você. Um momento decisivo, um treino simples, uma final de campeonato, uma luta decisiva que você considera “importantíssima” por qualquer questão, até mesmo pessoal, e é claro que envolvem diversos aspectos a serem analisados, para considerar a decisão de “bater ou não”.

 

 

Acredito ser mais inteligente “bater” e treinar cada vez mais para uma nova luta com quem te venceu, uma revanche, do que não “bater” e ter rompimento de ligamentos e entorses sérias e o pior, ficar muito tempo longe dos treinos. Podemos ver em todos os grandes torneios, como o UFC e outros, excelentes lutadores desistirem da luta visando proteger sua integridade física e por serem inteligentes o suficiente para verem que daquela posição o mais provável será um prejuízo ao próprio corpo como uma lesão. Nenhum lutador gosta de ser finalizado, voltar às vezes para casa com uma derrota é ruim, toma nossa mente ”não podia ter perdido essa luta!” essa frase martela a cabeça. As imagens da luta passam e repassam em nossa cabeça dezenas de vezes que acabam se tornando uma lição inesquecível para não repetirmos o mesmo erro em futuras lutas. Mas acredito ser melhor do que voltar do consultório de um ortopedista com a sensação de uma eternidade de tempo sem poder treinar. Prefiro ter o pensamento de “no próximo treino eu finalizo ele”. A derrota naquela luta pode ser transformada em uma força motriz para um desenvolvimento maior do atleta, a nível técnico e ou físico. Numa meta para puxar o seu rendimento para cima no intuito de superar seu adversário em futuros combates. A garra de ganhar uma luta tem que caminhar junto da inteligência do atleta e não ser a causadora de uma interrupção ou até mesmo a causadora da finalização de uma carreira, sendo esse lutador amador ou profissional.
 

* líder da GAS Jiu-Jitsu

 

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