Campeão dos médios do WEC, Paulão Filho entra no octagon americano nesta quarta-feira (5) pronto para defender o título contra o americano Chael Sonnen, e não quer saber de outro resultado que não seja a vitória. Depois do primeiro confronto entre os lutadores, que terminou com uma polêmica finalização do brasileiro, Paulão promete que vai honrar o espírito do falecido Mestre Carlson Gracie e trazer mais uma vitória para casa. Antes de embarcar para os Estados Unidos, o faixa-preta recebeu a TATAME em sua casa e falou sobre a expectativa para a nova luta com Sonnen, a motivação para o combate e relembrou os tempos difíceis que passou com a depressão e que está de volta com força total. Confira abaixo o bate-papo com Paulão.
O que você fará de diferente nesta luta em relação à outra contra Sonnen?
Tática, estratégia, trabalho mental. De resto, o Jiu-Jitsu que o Mestre Hélio (Gracie) desenvolveu, que proporciona o espírito do espartano, né. Aquela frieza. Perder faz parte, o importante é você ir ao seu máximo. Desta vez estou muito melhor preparado. A diferença é que agora deixou de ser esporte e é porrada, porque é pessoal. Ele poderia ter sido homem de assumir que bateu, mas preferiu agir como moleque então agora é pessoal.
O fato de vocês terem tido um desentendimento te motiva mais nessa luta?
Do clã de onde eu vim, o clã Gracie, nós somos motivados a isso, a desafios. Então vocês podem aguardar o espetáculo.
Como está sua preparação para este confronto?
Minha preparação está muito boa. Já vi muitas vezes a nossa primeira luta, analisei meus erros e acho que não estava em condições de lutar naquele dia porque eu tive problemas para perder peso, mas desta vez estou em condições muito melhores. Falei com o (André) Benkei e ele me deu toques muito importantes, desta vez não vou passar perrengue.
Como seria se você tivesse que enfrentar Anderson Silva no UFC, que recentemente disse que você é o número um até 83kg?
Anderson é um cara especial, alguém que não precisa me elogiar. Ele e Fedor são os lutadores mais completos no MMA atualmente. Eu não mereço que ele diga isso sobre mim. Ele é muito superior a mim em termos de resultado, então fico muito agradecido e não há dinheiro no mundo que me faça lutar com ele, a não ser que tenha uma proposta irrecusável que proporcione a nós dois um retorno financeiro muito bom.
Porque você acha que o UFC não está levando o Arona?
Por medo. Luta é luta, né. Então você tem que ganhar da forma que tem que ser ganha. Se você é expert numa arte, eu não posso querer disputá-la com você. As lutas do Arona são pouco emocionantes, por quê? Porque ele derruba, fica em cima, mas aí vira marmelada. Luta é eficiência, é vitória. O Arona lá vai complicar, porque lá ele não chama a atenção. Mas o Arona não perde pra ninguém nessa categoria, o Arona é o melhor lutador que conheço em todas as categorias. Tudo que um atleta tem que ter ele tem. Tem uma frase que eu digo: “Ganha quem quer mais”, e eu não conheço ninguém que queira mais que o Arona quando está numa luta.
E porque ele está parado há tanto tempo?
Eu soube que houve propostas para ele, mas ele optou por não lutar. O mal dos fãs e achar que os atletas são super-homens. Os atletas são de carne e osso. O Ricardo está se estruturando pra voltar e chocar o mundo. Eu aposto nele com quem seja.
Como você conseguiu se recuperar esse ano agora, que estava com depressão? Você liga isso ao fato de você ter chegado rápido demais ao topo? O que te levou a esse momento difícil?
Eu não considero ter chegado a topo nenhum. (Maurício) Shogun chegou, (Rodrigo) Minotauro chegou, Anderson chegou, Wanderlei (Silva) chegou. Enfim, eu não cheguei. Todo mundo tem sua doença, eu tenho a depressão, a gente não escolhe, isso nasce com a gente. E o Jiu-Jitsu me ajudou a superar isso. Também houve o problema de saúde do meu pai... Fraquejei, mas agora são águas passadas.
Como você fez pra superar isso?
Tempo. O tempo resolve tudo.
Você não está treinando com nenhuma grande equipe, como fez para se preparar para esta luta?
Treinei muito com o (Josuel) Distak e analisei muito os meus erros na primeira luta, estudei muita tática. Não fiz muito sparring, mas posso dizer que estou 20 vezes melhor preparado que da primeira vez. Na realidade, na primeira vez eu não tinha condições de lutar, estava totalmente debilitado. Agora vai ser diferente. Fui criado pelo lendário mestre Carlson Gracie, o maior treinador de Vale-Tudo de todos os tempos, formador de guerreiros como Murilo (Bustamante), Zé Mario (Sperry), Wallid (Ismail), Cassio Cardoso, Arona e Amaury Bitetti. Estes caras resumem o espírito Carlson Gracie: Jiu-Jitsu, Jiu-Jitsu e Jiu-Jitsu. E eu vou lutar para honrá-los.