O ano de 2008 foi perfeito para Antônio Braga Neto no Jiu-Jitsu. Campeão mundial logo em seu segundo ano de faixa-preta e campeão mundial No Gi, o aluno de Roberto Gordo agora quer dar ênfase no seu treinamento de MMA. Com um cartel de seis lutas e apenas uma derrota, que aconteceu em sua única luta em 2008 para o duríssimo Ryo Kawamura, justamente quando fez a sua estréia internacional no Sengoku, Braga Neto revelou em entrevista ao site TATAME que está de malas prontas para Cingapura, onde passará três meses dando aulas e treinando Muay Thai. Confira abaixo a entrevista completa com Braga Neto, onde o manauara falou ainda sobre a vitória no Brasileiro de Equipes e revelou que lutará agora na categoria middleweight.
A Alliance era a favorita e vocês chegaram de fininho e surpreenderam. Como foi essa vitória?
Pra mim não foi nenhuma surpresa, a verdade é que a nossa equipe é muito forte, é estruturada, mas é bem pequena, não é uma equipe grande, não temos patrocínio, alguns têm como eu, Celsinho, porque graças a Deus já estamos a algum tempo competindo. Graças a Deus a Atama fortalece a gente de uma maneira incrível, não deixa faltar nada, tudo que eu preciso eles me ajudam, mas a garotada que está começando agora não tem e o que vamos tentar ano que vem é trazer uma equipe forte para os campeonatos grandes. Eu ainda nem conversei com o (Roberto) Gordo, mas tenho certeza que ele vai me apoiar nisso, de ano que vem puxar a frente de um treino de competição, de um treino forte e estruturar a equipe, para ano que vem a gente vir forte. A verdade é que temos grandes lutadores, mas que não lutam por diversos motivos, mas são atletas muito duros, que fazem o nosso treino, e isso aqui que a gente fez é só a ponta, a verdade é essa, viemos aqui de fininho e fomos campeão graças ao treino que temos.
A sua luta com o Gabriel Vella, a quem você já tinha vencido no Mundial No Gi, praticamente decidiu o resultado a favor da sua equipe...
Lutei com ele no sem quimono, foi uma luta bastante polêmica, eu ganhei, fui campeão mundial sem quimono, mas foi uma luta polêmica, que o juiz estragou a luta, não que ele tenha culpa de ter dado polêmica, mas a questão da arbitragem atrasou um pouco o desenrolar do combate, e isso deu motivos para que ele questionasse. Ele tem todo o direito de reclamar, pelo profissional que ele é, eu o respeito, graças a Deus ele me respeita também, e hoje foi uma grande luta, graças a Deus eu me dei bem.
Você usou alguma tática para derrotá-lo?
Eu não tenho tática, na verdade eu vou para cima de qualquer maneira e o que vier veio. Tenho um Judô legal, que eu faço desde criança, treinei aqui no Rio com o Flávio Canto, com o Geraldo Bernardes, então eu sei um pouco, eu não sei muito, mas eu estou aprendendo, eu estou tentando cada dia evoluir e aproveitar a minha fase. Esse tempo que eu fiquei lá nos EUA eu tive a oportunidade de ir para a escola, hoje eu já estou falando inglês, e a cada hora eu estou buscando mais e mais.
Esse é o seu segundo ano de faixa-preta e você ganhou tudo o que disputou em 2008...
Esse ano eu lutei tudo, desde estadual até brasileiro de equipes, graças a Deus os resultados vieram, eu só tenho a agradecer as pessoas que me ajudam, tanto a minha mãe, que está de longe só me acompanhando, como o Gordo, que está no meu dia-a-dia e tantas outras, a verdade é que é até chato a gente agradecer, porque não dá para agradecer todo mundo.
Quais são os seus planos agora?
Estou indo para a Ásia, mas precisamente para Cingapura, vou ficar de dois a três meses lá dando aula e aperfeiçoando meu Muay Thai. Quero dar uma atenção para a parte em pé e venho treinando muito para me aperfeiçoar, tanto que a galera que está me vendo e está comentando que eu estou magrinho (risos). Eu desci para 95kg e agora vou lutar de 85kg no Vale-Tudo. Estou treinando, a verdade é que eu quero chegar a ser campeão do Ultimate, acabei de fazer 21 anos e estou buscando meu caminho.
Já tem proposta de algum evento?
Na verdade tem, mas temos que nos preservar um pouco, não pelos adversários, mas pela bolsa. Sou campeão mundial, e amanhã vai ser outro, e o que temos que fazer é nos valorizarmos para que o próximo possa ganhar um dinheiro legal e, se quiser lutar Vale-Tudo, ter uma valorização boa no esporte. Eu não posso chegar e, sendo campeão mundial de Jiu-Jitsu, campeão mundial em todas as faixas, lutar por um preço que eu acho que não é o dinheiro que eu mereço ganhar. A galera que me vê acha que eu sou garoto ainda, mas eu estou correndo por fora. Já tenho seis lutas de Vale-Tudo, lutei no Sengoku, que é um evento grande, então eu estou aí, e daqui a pouco vou explodir, e quando explodir, o pessoal vai falar: “Quem é aquele ali? É o Neto, que ganhou o mundial em todas as faixas, é brasileiro...” A verdade é essa.