Por Guilherme Cruz
Fotos Marcelo Alonso
A quantidade de brasileiros no UFC é tanta que às vezes se torna inevitável que o caminho de dois se cruzem – e desta vez, as semelhanças entre eles são impressionantes. Depois de treze lutas na carreira, Lyoto Machida e Thiago Silva continuam invictos e têm o mesmo objetivo em mente: o cinturão da categoria light-heavyweight do Ultimate. Um dos mais aguardados confrontos do UFC 94, que acontece no próximo sábado (31) em Las Vegas, Estados Unidos, os dois lutadores toparam o convite da TATAME e ficaram frente-a-frente, e o resultado do bate-papo você confere abaixo, que foi publicado na edição de setembro da TATAME.
Thiago Silva pergunta a Lyoto Machida
TS: Nós dois somos bons em pé e no chão, como você acha que será a luta? Qual a sua expectativa?
LM: Eu acho que a luta vai se desenrolar bem a cara do MMA, terá todos seus fundamentos. Vai ter queda, muita trocação, acho que faremos tudo o que existe no MMA e que a luta deve predominar em cima. Considero você um cara duro, mas acho que minha técnica em pé é superior, e acho que a luta vai se desenrolar melhor em pé.
TS: O jogo afunilou e, infelizmente, os dois brasileiros estão no paredão em busca do mesmo objetivo... O que você acha de enfrentar um brasileiro e qual será a reação do publico?
LM: Acho que é a luta mais cotada para ser assistida, porque são dois fortes lutadores e encaro isso como profissional. Hoje lutamos no mesmo evento, mas somos brasileiros e cada um defende sua bandeira acima de tudo. É uma luta cotada para ter grande audiência pois somos invictos e brasileiros, e acho que o público quer saber quem será o melhor naquele dia.
TS: Eu sou agressivo e parto pra cima, você é o contrario, gosta de jogar na retranca... O que você espera, vai ser uma luta boa ou uma luta mais parada?
LM: Acho que, por isso mesmo, será uma luta ótima, nosso jogo casa. Você gosta de vir, eu gosto de contragolpes e isso facilita uma luta excitante. Você gosta de bater muito, eu de contra-golpear, esquivar bastante, e será uma luta muito corrida, muito bem casada.
TS: Seu estilo é o Caratê, e o meu é o Muay Thai... O que você acha de serem dois estilos diferentes, mas dois de trocação? Qual você considera mais eficiente em pé?
LM: Acho que as duas lutas tem muita qualidade, mas o Muay Thai está mais em vista, aparece muito mais e tem mais praticantes no MMA. Eu acredito no meu estilo de Caratê, não em qualquer estilo, mas o que eu treino com a minha família. Estou consciente do que vou fazer, já lutei com caras de Muay Thai, sei que é uma arte forte, mas sei o que posso fazer.
TS: Você sempre trabalha o lado psicológico em todas as suas lutas e isso influencia muito seu adversário... O que você espera fazer sabendo que eu já sei desse seu jogo e já está preparado pra isso?
LM: Meu lado psicológico é justamente o meu treinamento, saber o meu forte, mas o importante é ganhar. O lado psicológico é para render na luta, não pensando no meu adversário. Eu estou preparado para ter um bom rendimento. Faço esse trabalho, te respeito, não tenho desavenças com você, mas na hora o profissional tem que mostrar quem é o melhor.
TS: Como você consegue um treinamento de alto nível para o UFC morando em Belém?
LM: Consigo fazer meu treino aqui apesar de não ter uma equipe formada com nome, mas eu tenho meu time. Tenho pessoas aqui da região que treinam comigo, e o pessoal tem muita raça, vontade, querem sempre vencer. Minha família está aqui e isso é o meu suporte, e a luta envolve vários fatores – psicológico, treinamento... Acredito muito no que faço aqui, mas já fiz intercâmbios em vários outros países e consigo treinar em qualquer lugar.
Lyoto Machida pergunta a Thiago Silva
LM: O que espera dessa luta em termos técnicos e de marketing?
TS: Creio que será uma luta boa. Somos dois caras técnicos, mas em jogos opostos, táticas diferentes. Acho que será uma luta estratégica, e é um bom marketing, dois brasileiros para se matar (risos). Creio que será uma luta mais desenvolvida em pé, você é carateca e eu estou muito bem condicionado para lutar em pé e no chão... Estou preparado para tudo.
LM: Você me considera um adversário difícil ou acha que o UFC apenas criou essa imagem?
TS: Você tem o seu mérito, se fosse ruim não estaria onde está hoje. Você é um adversário de nível... Não diria difícil, mas de nível. Será um duelo de invictos e isso faz parte, o marketing é nosso e este é o nosso currículo, querendo ou não. Com certeza o marketing é total.
LM: Como está seu treinamento para me enfrentar?
TS: Meu treino está perfeito, num ritmo bem forte aqui na ATT. Estou muito tranqüilo. Aqui o treino é geral, todo mundo treina com todo mundo. Vou te falar que o meu melhor treino é com o (Antônio) “Pezão”, a gente se estraga junto (risos). É aquela parada, quando o treino é forte a luta fica mais fácil. Caio pra dentro, ele me ajuda pra caralho, meu irmãozão.
LM: De que forma você acredita que pode me vencer?
TS: Eu não escolho muito a forma, se a luta for em pé, o trampo será em pé, se for pro chão, vou fazer ali, não tenho muita preferência. Gosto de lutar, não interessa aonde.
LM: Lutar com brasileiros é sempre ruim, pois jogamos pela mesma pátria... Como você encara isso?
TS: Falar que gosto, não gosto, não queria enfrentar a galera do mesmo país que eu, querendo ou não é a mesma raça, ainda mais você que é um cara maneiro. Mas estou aí pra trabalhar, você quer a mesma coisa que eu, então que vença o melhor.
LM: Você se considera um Top 10? Por quê?
TS: Eu me considero um lutador de nível que está em busca de um título. Quem tem que me considerar não sou eu, é o público que assiste e quem entende. Eu me considero um atleta muito bom, que treina empenhado e que sonha em ser campeão, mas quem sou eu para me achar entre os Top 10...