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Rodolfo Vieira terça-feira, 05 de maio de 2009 - 07:16:01 Por Eduardo Ferreira

Com menos de um ano na faixa-marrom, Rodolfo Vieira, de apenas 19 anos, já vem surpreendendo os faixa-pretas. Depois de enfileiras todo mundo e faturar o Abu Dhabi Pro, seletiva sul-americana para o primeiro Mundial Profissional de Jiu-Jitsu, Rodolfo repetiu a dose e levou o ouro no Mundial, depois de bater grandes nomes da categoria, como Rafael Lovato e Bráulio Estima. Após a conquista, Rodolfo conversou com a TATAME sobre mais um título na carreira. Na entrevista, o faixa-marrom falou sobre a inspiração para vencer os atletas mais experientes, seu começo na arte suave, suas lutas no Mundial Profissional, a expectativa para o Mundial da CBJJ e os planos para a carreira.

 

Você não completou nem um ano na faixa-marrom, mas vem surpreendendo. Você vai para o Mundial de marrom ou de preta?

 

Isso vai depender muito do Júlio. Não sei se eu vou lutar de marrom ou se ele vai me dar a preta, é ele quem vai decidir. Estou com 19 anos e já treino há sete.

 

Você já ganhou do Braga Neto, Bráulio Estima... O que isso representa para você? Você esperava ganhar desses caras?

 

Realmente eu não esperava, mas nas Seletivas eu estava bem treinado e minha cabeça estava boa, estava na minha melhor forma possível, tanto é que eu consegui ganhar. Lutei bem lá e não cansei... Quando eu voltei para o Rio pra treinar, machuquei a minha costela e isso me prejudicou muito, porque eu fiquei três semanas sem treinar, só fazendo fisioterapia... Eu só tenho a agradecer a minha fisioterapeuta Débora, que teve muita paciência, minha família toda... Se não fossem eles, eu não estaria aqui, e ao meu Mestre, que considero o meu segundo pai. Eu não acreditava em mim, mas, por eles acreditarem, eu consegui.

 

O fato de você ser faixa-marrom fez com que tirasse a responsabilidade das suas costas?

 

Claro. Quando o cara é faixa-preta, ele entra com uma responsabilidade imensa quando vai lutar com um faixa-roxa ou marrom. Se ele ganhar, não fez mais do que a obrigação, mas, se perder, vai ficar feio pra ele... É a mesma coisa quando luto contra um faixa-roxa, eu tenho que ganhar, e com o preta é a mesma coisa. Mas eu respeito muito os caras que eu lutei, o Rafael Lovato fez uma dura luta comigo, mas, quando fui falar com ele, parecia meio puto, meio bolado. Mas quando lutei com o Bráulio eu estava feliz só de estar ali... Não tenho nem o que falar do cara, porque sempre fui muito fã dele. Acho o Jiu-Jitsu dele sinistro demais, já fui falar com ele, tirei duas fotos, o cara é foda.

 

O que você espera para o Mundial?

 

Isso é um problema... Dá muita responsabilidade (ser o atual campeão absoluto), pois, mesmo eu sendo faixa-marrom e ganhando de todos esses caras de nome... Agora, quando eu for lutar com os faixas-marrons, todo mundo vai querer a minha cabeça, mas eu vou continuar treinado tranqüilo e manter a humildade, que é o que importa, sendo humilde o cara vai embora.

 

Por que você resolveu começar praticar Jiu-Jitsu?

 

Eu nunca tinha visto uma luta de Jiu-Jitsu na minha vida, mas, quando era moleque, meu pai sempre brincava “qual é cabeça, vamos embolar com o papai”... Aí a gente ficava brincando, se agarrando na grosseria mesmo... Até que um dia eu comecei a engordar e pensei que tinha que emagrecer e parti para o Jiu-Jitsu, que é a arte agarrada, e pensei “é aqui que eu vou ficar”... Comecei a treinar devagarzinho, duas vezes por semana... Eu moro em Campo Grande, a 50 minutos de trem da GFTeam, onde eu treino, mas eu treino também na Pro Combat, que é pertinho da minha casa, onde faço a preparação física com o professor Rafael Benasse, e Jiu-Jitsu com o Gabriel Marinho, Tiago Oliveira e Rodolfo G5, que são meus irmãos de Campo Grande, e, na Gama Filho, eu treino com o Júlio César, onde é o treino pesado com os faixas-pretas.

 

Como fica a sua carreira daqui pra frente? Você tem algum sonho?

 

Tenho sim... Eu ainda sou muito novo, ainda tenho muita coisa a fazer no Jiu-Jitsu, como ganhar um, dois mundiais na faixa–preta, no absoluto... Isso é um sonho. Também tenho vontade de treinar vale-tudo, só que acho que ainda está muito cedo. Vou começar a treinar vale-tudo agora, mas não para competir, porque ainda está muito cedo e ainda não estou muito preparado pra levar porrada na cara (risos).


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