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Ana Laura Cordeiro sexta-feira, 22 de maio de 2009 - 08:09:01 Por Eduardo Ferreira

Campeã Mundial nas faixas azul, roxa e marrom, Ana Laura Cordeiro acaba de ser graduada faixa-preta. Na expectativa para entrar na disputa pelo seu primeiro título na preta, no Mundial 2009, a casca-grossa da Gracie Barra conversou com a TATAME sobre a vida na América, as maiores pedreiras do Jiu-Jitsu feminino, seu começo na arte suave e mais. “Eu ainda não sei se vou poder lutar o Mundial. Estou me recuperando de uma lesão nas costas e estou fazendo um tratamento bem intensivo para ver se me recupero o mais rápido possível. Vontade de lutar não me falta, mas quero estar me sentindo bem. Se o médico me liberar, eu vou com certeza”, afirmou Ana Laura na entrevista a seguir.

 

Como foi receber a faixa-preta de Jiu-Jitsu?

 

Olha, receber a faixa-preta foi um momento muito emocionante, era um sonho a ser alcançado. Chegar nessa faixa sem perder nenhuma luta até hoje foi melhor ainda.

 

Quem foi o responsável pela graduação?

 

Eu tive a honra de receber a faixa das mãos do meu mestre Carlos Gracie Jr., na Gracie Barra América, onde eu trabalho dando aula.

 

Desde que você ganhou o Mundial, em 2007, e repetiu em 2008, você vem sendo apontada como uma das melhores atletas de Jiu-Jitsu do mundo. Como você lida com isso?

 

Meu primeiro mundial foi em 2006 na faixa azul, onde fui campeã. Aí veio 2007, na roxa, e 2008, na marrom, mas esses títulos não vieram por acaso, foi fruto de muito treino e dedicação ao Jiu-Jitsu e, por isso mesmo, não me surpreendo com o que conquistei. Não sei se sou a melhor do mundo, mas acho que estou entre elas, e vou continuar treinando muito para ficar no topo.

 

Quem é a melhor lutadora de Jiu-Jitsu do mundo?

 

Apontar quem é a melhor lutadora é meio complicado, porque todas nós treinamos muito para sermos as melhores. Mas a Hanette (Quadros) e a Kyra (Gracie) foram e ainda são grandes lutadoras e grandes exemplos para mim. Eu sempre olhava as reportagens e vídeos sobre elas e poder lutar junto delas é uma grande satisfação.

 

Como foi a sua participação no Pan-Americano?

 

Minha participação no Pan deste ano foi a melhor possível... Fiz seis lutas no total, ganhando a minha categoria e o absoluto também, errando bem pouco e com um jogo bem mais técnico.

 

Qual a expectativa para o Mundial? Vai lutar peso e absoluto?

 

Eu ainda não sei se vou poder lutar o Mundial. Estou me recuperando de uma lesão nas costas e estou fazendo um tratamento bem intensivo para ver se me recupero o mais rápido possível. Vontade de lutar não me falta, mas quero estar me sentindo bem. Se o médico me liberar, eu vou com certeza!

 

Como estão os treinos?

 

Estou morando aqui nos Estados Unidos desde o ano passado, quando vim lutar o Pan de 2008 e, atualmente, estou morando em Orange County, na cidade de Yorba Linda.

 

Como foi essa mudança para a América e por que resolveu se mudar?

 

A mudança para América já era planejada. Tem alguns professores da Gracie Barra Brasília que estão morando aqui há um tempo e eles sempre me falavam que aqui era o país ideal para quem queria levar a vida dentro do Jiu-Jitsu e ter uma qualidade de vida legal, então não pensei duas vezes e me mudei com o meu namorado Rafael, que hoje é meu marido. Conheci o Márcio Feitosa e ele me convidou para iniciarmos um programa feminino na Gracie Barra, que, por sinal, está sendo o maior sucesso.

 

Você me contou uma vez com o era difícil sair da sua cidade para treinar em Brasília... Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou para conseguir chegar onde chegou?

 

No Brasil, a minha vida não era moleza. Eu morava em Unaí (MG), que fica perto de Brasília. Eu ia lá treinar uma vez por semana, pegava um ônibus e encarava três horas de viagem para ir, e mais três de volta, e ainda ia para faculdade e trabalhava com meu pai. Eram tempos difíceis, mas eu sabia que era preciso fazer tudo aquilo para estar aqui onde eu estou hoje, foi preciso só acreditar. Quando fazemos um trabalho bem feito, os resultados vão aparecer de um jeito ou de outro, você vai se dar bem na sua área, seja ela qual for, e foi isso que aconteceu comigo. Sempre quis dar meu melhor no Jiu-Jitsu, e o Jiu-Jitsu me retribuiu assim. Estou muito feliz!

 

Seus pais apoiaram a sua escolha pelo Jiu-Jitsu e, posteriormente, a sua mudança para os Estados Unidos?

 

No começo foi meio difícil, principalmente para minha mãe, aceitar que a única filha dela queria lutar Jiu-Jitsu. Na minha primeira semana de treino, cheguei em casa com um roxo enorme na perna, ela me perguntou aonde eu tinha me machucado e eu falei a verdade, que tinha sido treinando. No outro dia, quando fui pegar o quimono para treinar, ele tinha desaparecido. Dias depois, eu achei o quimono escondido no forno do fogão. Minha mãe tinha escondido para eu não ir treinar... Como vocês estão vendo, não adiantou muito. Mas, hoje em dia, eles me apóiam e são meus maiores fãs. Quando decidi vir morar aqui, eles me desejaram toda a sorte do mundo e falaram: "se as coisas não saírem como você esta imaginando, pode voltar que estaremos aqui te esperando".


Confira a cobertura do Mundial 2009
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