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Ricardo Arona quarta-feira, 24 de junho de 2009 - 10:09:01 Por Guilherme Cruz

Um dos maiores representantes do MMA brasileiro, Ricardo Arona fez sua estreia nos ringues profissionais em 2000, mas nunca lutou no Brasil. Nove anos depois, Arona pode fazer, no Bitetti Combat 4, sua primeira luta “em casa”, e está animado para o desafio de voltar aos ringues, depois de mais de dois anos, no Rio de Janeiro. Na entrevista exclusiva, o ex-lutador do Pride falou sobre os treinos e a possibilidade de se preparar para a luta na equipe de Rodrigo Minotauro, a expectativa para lutar peso e absoluto no ADCC 2009, analisou os próximos combates decisivos no UFC, a mudança de categoria de Wanderlei Silva e muito mais.

 

Como estão os treinamentos?

 

Estou treinando todo dia, dedicado, preocupado para que tudo corra bem na volta aos ringues.

 

Já está certo que você vai lutar no Bitetti Combat?

 

Está tudo certo, só estou esperando o Amaury Bitetti me dar os maiores detalhes, apresentar o adversário. Estou aguardando o evento, que tem tudo para ser um grande evento no Rio de Janeiro.

 

Como está a expectativa para fazer a sua primeira luta de MMA no Brasil?

 

A última vez que lutei aqui foi no Abu Dhabi (ADCC), contra o Mark Kerr. Desde então, nunca me apresentei no Brasil, então é mais um motivo para ser um grande evento, com a participação de atletas que já não lutam há muito tempo no Brasil. Acho que o Brasil, sem dúvidas, é o celeiro de grandes lutadores. O público fica muito agitado com o evento, o pessoal vibra muito, principalmente quando têm a oportunidade de nos ver lutando, que sempre representamos o Brasil lá fora. Fico preocupado com a minha apresentação, para que tudo corra bem, e também para que as pessoas tenham bastante respeito com o evento e entendam que é muito importante todos serem educados e respeitarem as regras, tanto o público quanto os lutadores, para que o evento seja um sucesso e possa ter mais edições.

 

Como você vê essa nova onda do MMA aqui no Brasil, que já trouxe de volta o Minotouro e, agora, você?

 

É muito emocionante lutar para o nosso público pela primeira vez, no meu caso, e é uma grande honra representar o país no Brasil, que é algo que eu não fiz ainda.

 

Você está treinando aonde? Em casa, com o Minotauro ou na BTT?

 

Estou treinando em casa e estou recebendo pessoas importantes para treinar comigo, bons treinadores. E também tenho acesso livre para treinar na Minotauro Team, com o Minotauro. Estive lá duas vezes esse mês. A gente está unido para treinar junto, as portas estão abertas entre a gente, temos ligações diretas no treinamento.

 

E o ADCC? Vai lutar mesmo?

 

Está confirmado, vai ser dia 25, na Espanha, e, por enquanto, não tem super luta. Haveria a possibilidade de eu fazer uma super luta, mas, por enquanto, vai ser categoria mesmo, até 98kg.

 

A organização divulgou a super luta entre o Roger e o Drysdale. Você vai lutar peso e absoluto?

 

Pretendo lutar até 98kg e absoluto também, com certeza.

 

Bitetti Combat vai ser no dia 12, e o ADCC no dia 25. Como está o seu treinamento para isso? Está dando foco em quê?

 

Na verdade, estou dando foco na parte geral, tanto Boxe, quanto Wrestling e Submission, mas buscando bem mais o Submission, para poder definir também a luta de MMA no chão, se tiver possibilidade, e depois ir direto para o ADCC. Estou treinando tudo, como tem que ser, mas, quando passar o MMA, vou me dedicar mais ao Submission nos últimos dias que terei.

 

E quanto ao risco de lesão? Como você está se preparando para prevenir as lesões que podem acontecer no MMA?

 

Estou me preparando e me fortalecendo bastante para que não venha a me lesionar, mas é muito difícil no MMA. O que vou fazer é tentar fazer uma luta bem inteligente, para poder vencer e tentar me condicionar para não me machucar nesta luta, que é o mais importante. É claro que no MMA a gente corre esses riscos, mas eu só estaria fora do ADCC diante de uma lesão muito grave.

 

Como você está vendo essa volta do MMA para poder, quem sabe, te levar de volta ao mercado internacional?

 

Para mim, é uma grande oportunidade de mostrar que estou de volta bem, condicionado, como sempre fiz grandes lutas. Poder voltar e pegar o meu lugar de direito, que é entre os melhores do mundo, tanto no UFC ou lutando o Dream, no Japão, ou o Affiction. Enfim, estar nos eventos tops do mundo.

 

Falando no UFC, qual a sua expectativa para a próxima luta do Rodrigo contra o Randy Couture?

 

Todo mundo conhece o Rodrigo sabe o grande guerreiro que ele é. Não se apresentou muito bem na luta contra o Frank Mir, mas, com certeza, aquilo foi um momento dele, ele superou muitos outros momentos difíceis. Acho que ele tem que ser extremamente estrategista, fazendo um jogo no qual o Randy Couture não se encontre. O que eu sugeriria a ele é isso, estratégia, que é bem importante.

 

E o retorno do Paulão, que terá uma pedreira pela frente, o Melvin Manhoef. Como você acha que vai ser essa luta, de um dos melhores do Jiu-Jitsu contra um trocador?

 

Como está bem definido, um é muito bom no Jiu-Jitsu e ouro muito bom na trocação. Espero que o Paulão encontre o tempo certo de colocar o Melvin pra baixo e dê aquela pressão nele, que a gente já sabe que ele é capaz de fazer, porque o Melvin já se mostrou vulnerável no chão. Espero que o Paulão se encontre na luta e no tempo, confio muito nele, que é especialista em queda. Que ele possa colocar o Melvin no chão e fazer o jogo dele, é isso que espero.

 

A próxima disputa de cinturão no UFC, da sua categoria, vai ser entre os brasileiros Shogun, que você já enfrentou, e o Lyoto. Como você acha que vai ser?

 

Vai ser uma luta muito equilibrada, acho difícil dizer o caminho que ela vai levar, até porque os dois têm conhecimento do chão e conhecimento em pé. Acho que vai ser uma luta muito técnica e muito estudada. Não vou dizer quem vai ser o vencedor, porque os dois têm potencial para isso, mas, com certeza, vai ser uma grande luta.

 

Você se surpreendeu com o modo que Shogun e Lyoto venceram suas últimas lutas, contra o Liddell e o Rashad?

 

O Lyoto, achei que fosse ter mais dificuldade para se encontrar em pé, mas ele continuou mostrando uma excelente distância, calma e tranquilidade muito importante para um lutador. Achei que ele ia conduzir a luta para o chão, porque ele tem um chão bom para trabalhar, mas definiu em pé e me surpreendeu. Ele está muito treinado e é surpresa quando a gente acha que o cara não está preparado para aquilo, mas o Lyoto estava muito preparado em pé e no chão, então foi uma vitória merecida. Já a outra luta, acho que foi questão de tempo. O Liddell já luta há muito tempo, o Shogun veio depois estudando esses lutadores, tem uma técnica muito apurada em pé, então conseguiu se encontrar dentro do jogo do Chuck Liddell que, na minha opinião, é um jogo extremamente previsível, o que torna a luta dele muito vulnerável. Então, eu acho que o Shogun soube aproveitar bem isso.

 

Muitas pessoas, depois dessa vitória do Shogun, falaram que o Liddell deveria se aposentar. Você concorda com isso?

 

Acho que isso vai muito do lutador. Nenhum lutador campeão deve se aposentar depois de uma derrota. Um lutador campeão tem que se aposentar depois de uma grande vitória.

 

Qual a sua opinião sobre a mudança de categoria do Wanderlei, que fez a “estreia” contra o Rich Franklin?

 

Olha, para ser sincero eu não assisti a luta ainda. Mas acredito que o Wanderlei tenha sentido um pouco essa queda de peso, na minha opinião, porque é muito difícil para um lutador descer muito de peso e se encaixar em outra categoria, onde todo mundo já está adaptado, e a um outro ritmo. Acho que o Wanderlei vai se apresentar bem quando se adaptar melhor ao peso. Agora foi uma questão de adaptação mesmo, é diferente descer de peso, é outro ritmo, outra velocidade, acho que ele vai se adaptar na categoria e depois se apresentar melhor.

 

Foi até cogitada uma luta entre ele e o Anderson, que andaram trocando farpas. Como você acha que seria uma luta entre os dois?

 

Primeiro, um conhece o jogo do outro como a palma da própria mão. Acho que essa luta seria muita trocação em pé. O Wanderlei tem a virtude de ter uma pegada forte e um ataque violento, diferente do jogo do Anderson, que é extremamente técnico. Nessa luta, acho difícil dizer o resultado, porque o Wanderlei pode definir a luta com um movimento, como fez várias vezes. É uma luta difícil de dizer quem é o campeão, porque um conhece o outro muito bem.


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