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Rogério Minotouro domingo, 20 de setembro de 2009 - 12:34:01 Por Erik Engelhart

Depois de mostrar muito serviço no MMA, Rogério Minotouro finalmente conseguiu a oportunidade que dez entre dez lutadores almejam: lutar no UFC. Mas como nem tudo é perfeito, o brasileiro vai fazer sua estreia contra Luis Banha, outro brazuca. Presente em Vitória, Espírito Santo, para cobrir o X-Combat Ultra MMA, a TATAME esbarrou com o casca-grossa, que foi convocado para ser árbitro central no evento, e trocou uma idéia descontraída com o craque. Rogério falou sobre a sua estreia no UFC, comentou sobre o “sempre insatisfeito” torcedor brasileiro, falou sobre a luta do Minotauro contra o Randy, analisou algumas lutas do Bitetti Combat, elegeu seus favoritos no MMA atual, falou do crescimento da modalidade, inclusive entre as mulheres, o papel da mídia no esporte, citou até Ronaldinho “Fenômeno”, entre outros assuntos.

 

Como estão os treinamentos?

 

Na verdade eu tirei uma semana de descanso depois dessa luta que eu ia fazer no Bitetti Combat. Eu estava negociando com o Ultimate e vinha de uma lesão no pé, aí melhorei o pé depois do descanso. Estou 100%, e agora é a hora de treinar e não perder tempo, para chegar na ponta dos cascos para a minha estréia no UFC.

 

Como você foi sondado pelo Ultimate? O que achou de pegar o Banha logo de cara?

 

Nós já vínhamos tentando alguma coisa com o UFC faz tempo, com certeza é um grande evento, e depois do acordo eles escolheram o meu adversário. Com certeza é ruim, eu preferia lutar contra um americano, inclusive o Banha é da American Top Team e a gente vive treinando lá, é tipo a BTT disfarçada.

 

Qual a sua expectativa para essa luta e qual estratégia pretende usar?

 

Estou treinando todas as possibilidades e tudo que puder vir de lá estamos treinando, tanto Boxe quanto Muay Thai, o chão, porque no MMA você tem que treinar tudo. Não tem como usar uma arma apenas para vencer uma luta, tenho que estar bem de Boxe, saber defender chute e joelhada, saber chutar, usar de tudo, senão é como o cara vir de escopeta e você de revolver, muito mais armado que você, aí fica difícil. O Banha é um cara novo, ágil, que vem de uma grande campanha, mas eu estou aí, afiando a parte de Boxe e Muay Thai. Vai ser um lutão, cara.

 

Você e o seu irmão (Minotauro) estão sempre presentes nos eventos valorizando o cenário nacional. Acredita que o Brasil pode chegar a um patamar parecido com o americano?

 

Com certeza. Eu lutei no Brasil outro dia e ia fazer a luta do Bitetti... Tem muita gente boa e os atletas estão começando a lutar no Brasil, tem muita gente que lutava no Pride e hoje está lutando no Jungle Fight, no Bitetti, como o Arona e o Paulão, por exemplo. É difícil organizar um evento de MMA no Brasil, por causa da falta de apoio. Muita gente promete muita coisa e chega em cima da hora, 90% sai e ficam só os amigos mesmo. O negócio é ser com gente boa e profissional.

 

Você acha que ainda existe um certo preconceito com o MMA aqui no Brasil?

 

Talvez seja um problema cultural... Para te falar a verdade, eu acho que o que atrapalha é a falta de profissionalismo e, a partir de agora, estão começando a fazer uns eventos mais profissionais e a televisão está começando a apoiar, a mídia é tudo cara, botou na televisão, acelera o crescimento e, agora, a Rede TV começou a transmitir e agora vai, ano que vem a Rede TV vai querer comprar a exclusividade, e talvez o Sportv não segure mais, daí a Globo vai querer comprar a briga e só o Premiere Combate não vai dar conta. Os caras bateram cinco pontos de audiência em dois programas, é muita gente assistindo, os caras estão rindo à toa. Eu fui pessoalmente no UFC falar com o dono da Rede TV, muito maneiro ele chegar lá na humildade e se apresentar. O cara teve a visão que é o esporte do momento, que mais cresce nos EUA. Eu li em uma reportagem do Globo que o Ultimate 100 foi assistido por mais de 300 milhões de pessoas.

 

Quem são os caras que enchem seus olhos no MMA atual?

 

O Anderson Silva, o George Saint Pierre e o Rodrigo Minotauro.

 

O que achou da luta do seu irmão, esperava que ele fosse dominar inclusive na trocação?

 

Esperava, porque o Rodrigo tem um jogo muito consistente. Ele foi o único cara que conseguiu cansar o Randy Couture. O gringo sempre dá pressão em todo mundo e o Rodrigo dominou o octágono fazendo o Couture andar sempre para trás. Nós falamos para ele bater e sair, mas ele falou que queria ir para o pau, aí ele tomava uma e dava três.

 

O Minota conseguiu aquele knockdown e foi para o katagatame. Você acha que se ele tivesse marretado do cem quilos não teria encerrado a luta ali?

 

Ah cara, é o instinto dele. Quando o cara caiu mal, bem tonto, ele pensou que ali era a hora de ir para a finalização, mas não, o cara é muito casca-grossa, não sei como ele agüentou aquela pressão. O cara passa vaselina no rosto e meio que escorrega.

 

O que acha do crescimento do MMA feminino e, em particular, da Cris Cyborg?

 

A Cris está foda, cara, está extremamente forte, muito agressiva, explosiva, bem treinada, muito forte mesmo. No meio das mulheres, ela está reinando absoluta. O MMA feminino está crescendo junto com o masculino, você pode observar que é um momento ruim para o Boxe feminino, já o MMA, está todo mundo assistindo e comentando sobre a luta. O programa Pânico esteve lá na academia três vezes com as meninas, o MMA feminino está chamando a atenção da mídia.

 

Quem são as grandes revelações da Minotauro Team?

 

Tem um cara muito bom de Vitória, o Rodrigo Kanu, que tem uma mão pesadíssima, o Chatubinha tem melhorado bastante a parte em pé dele, está treinando de manhã, de tarde e a noite, tem o Chatuba que é bom demais, o Éder Jones... Tem uma galera boa vindo aí.

 

Você assistiu o Bitetti Combat? O que achou?

 

Não assisti todas as lutas, mas tive a oportunidade de assistir a luta do Maldonado, que foi o maior lutão. Ele é um cara conhecido no Boxe, principalmente nos Estados Unidos, ele é um “showman”, pede para bater, ele é uma figura, muito engraçado, e vai minando pesado a cabeça do adversário. Ele bate com muita visão, é a segunda vez que vence o Vitor Miranda, que é um casca-grossa do K-1. Acho que a luta do Arona foi boa... Vindo de três anos parado... Ele machucou o pé, depois o joelho, mas foi bem, mostrou atitude e explosão. Quem entende de chão sabe que ele mostrou muito Jiu-Jitsu nessa luta, botou para baixo, montou, passeou.

 

Você acha o publico brasileiro muito duro com os seus ídolos? A que você atribui essas críticas exageradas aos atletas brasileiros?

 

Isso não é só no MMA não cara, ocorre no futebol também. Às vezes o jogador tem medo de ser convocado pela seleção brasileira, pois acaba com a carreira de muito jogador de futebol, traumatiza. Você vê o Ronaldinho, que deu uma tremida na final da Copa do Mundo, é muita cobrança... Eles são mais cobrados aqui do que lá fora. Acho que o brasileiro não tem muitos ídolos, a mídia não dá o devido valor ao esporte e quando querem apostar em alguém, elegem um cara, ficam massacrando.

 

O torcedor é muito sonhador e quando o cara não luta bem, eles ficam decepcionados, acham que o cara tem que ser perfeito. O Anderson vinha nocauteando todo mundo, só por que ganhou duas lutas que não foram por nocaute, falaram que ele não estava lutando bem, isso é foda. Lá fora todo mundo é ídolo, o Paulo Thiago, por exemplo, fez um lutão lá no UFC e já era considerado ídolo nos EUA, assim como o Cigano, que fez três lutas e foi muito valorizado. No Brasil as pessoas não dão moral nenhuma para os seus lutadores, exageram muito nas cobranças, e isso é muito difícil.


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