Treinador de Muay Thai de Rodrigo Minotauro e Junior Cigano, Luiz Alves ficou mais que satisfeito com as vitórias no UFC. De volta à academia, Luiz foca na próxima luta de Rogério Minotouro, contra o compatriota Luis Banha, e está animado. Em entrevista à TATAME, o treinador ainda falou sobre a ajuda de Anderson Silva nos treinamentos, os projetos da Confederação e a vitória de Vitor Belfort, usando o Caratê contra Rich Franklin. “Eu adoro o Vitor, nós nos damos muito bem, mas isso aí não existe. Existe para o Lyoto porque ele é um especialista, criado dentro do Caratê, não é treinando três meses que o Vitor vai decidir uma luta com o Caratê”. Confira abaixo o bate-papo.
O que você achou da vitória do Rodrigo? Estava esperando essa atuação maravilhosa que ele teve?
Antes da gente viajar, eu escutei que ele ia pro chão, raspar e finalizar. Tudo bem que ele não fez isso, mas tudo que eu cantei antes da luta aconteceu. Eu sabia que o Rodrigo estava bem fisicamente e eu sempre falei que ele boxeava melhor. O chão não tem nem o que falar... Tudo o que eu falei aconteceu, porque eu sabia que o Minotauro estava muito focado na luta, estava 100% na parte física. Tudo aquilo que eu esperava aconteceu, até mais do que eu esperava.
Eu lembro que, no dia da luta, quando o Minotauro entrou e ficou andando de um lado para o outro, você falou que nunca havia visto o Rodrigo tão ansioso. Você achou que essa ansiedade poderia ser perigosa ou você achava que ele ganharia de qualquer jeito?
A equipe estava muito confiante, só estávamos um pouco preocupados com a ansiedade dele, porque na ultima luta ele havia perdido, então aquela reação dele era normal. Só estávamos preocupados de ele ir pro pau e sofrer um contra ataque, mas a equipe estava muito confiante no trabalho que havia feito. Realmente, eu nunca tinha visto ele tão ansioso como estava. Ele não parava quieto, ia pro meu quarto, voltava, ia pro quarto dele... Ele estava preocupado, mas ao mesmo tempo estava confiante.
Você estava no córner dele nas principais vitórias, contra o Bob Sapp, o Cro Cop e o Randy Couture. Qual dessas três lutas te emocionou mais?
Sempre falo que a maior emoção foi contra o Bob Sapp, pelo cacique que ele pegou. A do Crocop foi muito emocionante pela conquista do cinturão, ele estava tomando um castigo muito grande e estava com um problema nas costas na época, mas a luta com o Bob foi a mais emocionante, ele estava muito bem treinado.
E agora existe a possibilidade de ele enfrentar o Brock Lesnar. Como você acha que vai ser essa luta?
Essa é uma luta duríssima para o Rodrigo, mas não é impossível... A luta contra o Randy me preocupava mais porque eram três rounds, isso me preocupava um pouco. Agora contra o Brock acho que a gente tem que se preocupar mais com o primeiro round. Suportando bem, vai crescer muito no segundo, começar a acelerar, a pressionar, e o Brock não tem gás para lutar os cinco rounds. O primeiro vai me preocupar, mas a partir do segundo eu fico mais tranqüilo, porque ele não vai aguentar o giro do Rodrigo.
Quais as vantagens do Rodrigo se preparar na Ámérica?
Eu acho que ele tem que continuar lá, porque ele fica muito focado nos treinos e no Rio de Janeiro é muita badalação, muita festa, muito oba-oba. Nos EUA, nós treinamos o dia inteiro, da casa para a academia, não tem aquelas pessoas fazendo convites para festas e ele se foca 100% na luta. Eu prefiro que ele fique lá, a equipe está a disposição dele, onde ele dorme bem, como bem e fica focado.
O Rogério vai pegar uma pedreira logo na estreia, contra o Banha. Como estão os treinamentos e o que você espera para essa luta?
Espero uma luta duríssima. Quando acabou a luta do Cigano, o Rodrigo me ligou, a gente conversou e ele pediu para eu ligar para o Rogério. Eu liguei, nós conversamos e ontem começamos o treino. Daqui a pouco estou indo para lá e vamos focar a equipe toda, o Rodrigo está chegando dia 2 para começar os treinamentos. Eu confio no Rogério porque ele é um cara mais experiente e o Boxe dele é melhor, mas não podemos dar espaço para o Banha, porque ele é um cara duro, tem um Muay Thai perigoso. Mas eu confio muito no Boxe e no chão do Rogério.
Você acompanhou o Anderson ajudando nos treinos do Rodrigo, do Cigano, imitando o Randy Couture e o Crocop. Como você viu esse apoio do Anderson na preparação do Rodrigo?
Achei fundamental, porque o negão é um cara que entende de grade e deu altos toques de luta em pé para o Rodrigo, ele ajudou muito. Às vezes, quando acabava o treino e ele ficava junto comigo mostrando o que o Cigano deveria fazer, chutes contra ataques... A ajuda do Anderson a esses atletas foi muito importante para mim.
Se o Dana White fizer o confronto entre o Vitor e o Anderson, você, que conhece muito bem os dois, o que acha que vai acontecer nessa luta?
Todos os grandes lutadores brasileiros passaram pela minha mão, e o Vitor é o cara mais inteligente que eu treinei ate hoje, tem um potencial absurdo, e o Anderson é sem comentários. Se o Vitor lutar o que ele sabe, com frieza e toda técnica que ele sabe, seria uma luta para ficar na história, mas acho que o Anderson tem um pouco de favoritismo pelo ritmo que ele vem, há anos ganhando todo mundo. Acho que o Anderson leva um pouco de vantagem, mas o Vitor, se entrar um golpe, é muito perigoso.
Você notou alguma diferença no jogo em pé do Vitor? Acha que o Caratê complementou o Boxe dele nessa luta contra o Rich Franklin?
Eu adoro o Vitor, nós nos damos muito bem, mas isso aí não existe. Existe para o Lyoto porque ele é um especialista, criado dentro do Caratê, não é treinando três meses que o Vitor vai decidir uma luta com o Caratê. Ele decidiu no Boxe, entrou com um cruzado e na hora que o cara abaixou, ele entrou com um direto. Não vi nada de Caratê ali, ele ganhou a luta no Boxe. O potencial de Boxe dele é grande, é meio fantasia dizer que o Caratê dele decidiu a luta. Quem falar isso pra mim eu digo que está mentindo, ele usou o Boxe perfeito dele.
O que você espera dessa luta do Shogun com o Lyoto?
É uma luta muito dura, o Shogun é um cara de grande potencial e treinado é difícil de ganhar dele, é um dos tops da categoria, mas o Lyoto vem no ritmo e o Shogun não fez grandes lutas no Ultimate. Para mim o favorito é o Lyoto, apesar de eu adorar o estilo do Shogun, que é um guerreiro.
Como está se sentindo o Luiz Alves vovô?
É uma emoção diferente, cara... Eu tenho três filhos, e quando a Maria Eduarda me deu a noticia que ficou grávida foi uma emoção diferente, assim como quando o meu neto nasceu. É muito gostoso, já mandaram vídeos e fotos, é muito gratificante... A família Alves está se espalhando. O importante é estar dentro do esporte. Eu nunca puxei ninguém para o lado da luta, o meu filho sempre quis jogar futebol, minha filha casou com um atleta também, vamos ver o que o meu neto vai querer, se é futebol, se é luta... O importante é estar no esporte.
E a Confederação? Você estava com o lance do Bolsa Atleta, trabalhando em parceria com o Wallid... O que você traz de novo para esse final de ano?
A Confederação, graças a Deus, está cheia de projetos. Tenho alguns com o Wallid e outros particulares, tenho um projeto social aqui na minha academia para 300 crianças, o Artur tem outro no Parque da Cidade... A Federação está com um convênio com o Ministério dos Esportes. Em termos de projetos estamos a mil, em termos de competição, agora dia 21, vamos ter a disputa de cinturão e, no final do ano, tenho alguns projetos para MMA também. A Confederação está todo vapor! Em março, pretendo formar uma equipe para o Mundial que vai ser em Bangkok, de 7 a 13 de março.