Foto Eduardo Ferreira
Hexacampeão mundial de Jiu-Jitsu e bicampeão do ADCC, Saulo Ribeiro foi um dos grandes destaques da competição neste ano. Se despedindo de Barcelona com a quarta colocação no peso, Saulo pegou o microfone e anunciou a sua aposentadoria do torneio. “Eu participo do ADCC desde a segunda edição, em 1999... São 10 anos de ADCC, 30 lutas, mais de 10 overtimes, dois campeonatos, dois vices e um terceiro lugar”, relembra, apontando a Universidade do Jiu-Jitsu, academia que comanda ao lado do irmão Xande Ribeiro, como um dos motivos para o anúncio.
“A Universidade do Jiu-Jitsu está com uma visibilidade muito grande nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia... Está na hora de eu ficar um pouco atrás da mesa e tomar um pouco mais de conta dos negócios. Para estar mais focado nesse nível de competição você tem que estar só pensando nisso e hoje, para mim, não é mais tanto a minha prioridade”, disse o faixa-preta.
Lutando numa categoria acima da que costumava lutar, Saulo explica a mudança. “Para eu me motivar a treinar, hoje em dia, preciso de um motivo ideológico. Eu não estou aqui por dinheiro, nem pela fama, já estou muito bem reconhecido. Sou considerado uma lenda em Abu Dhabi e vim aqui para mais uma vez mostrar a eficiência do Jiu-Jitsu”, disse, querendo se testar na despedida.
“De uma coisa eu tinha certeza, ninguém ia conseguir fazer pontos em mim nem me botar em uma situação que eu não estive antes. Era uma curiosidade para o meu Jiu-Jitsu, eu queria saber o que esse time de pesadões poderia fazer comigo, e eu não tomei nem um ponto. Tomei um negativo com o (Jeff) Monson, foram 20 minutos, mas ficou no 0 a 0. A eficiência do Jiu-Jitsu foi comprovada novamente. Dei 20 quilos para todo mundo e fiquei muito satisfeito com a minha finalização no ADCC”, relembra o lutador.
Se despedindo do ADCC pela porta da frente, Saulo ainda comentou o bicampeonato do seu irmão. “O Alexandre realmente está acima da media do pessoal desse peso. Ele cumpriu o nosso trato, que era se poupar bastante na categoria e se desgastar o mínimo necessário, porque ele já faz por merecer de ser o melhor grappler do mundo”.
UM ADEUS DEFINITIVO?
A despedida de Saulo lembra um dos momentos mais marcantes dos Mundiais de Jiu-Jitsu. Após perder para Roger Gracie na edição de 2005, Saulo se ajoelhou no tatame, dobrou a faixa e deu-a para o Gracie, simbolizando sua aposentadoria do quimono. Dois anos depois, porém, o faixa-preta acabou retornando, chegando à sua 11ª final de Mundial contra Rômulo Barral, mas acabou perdendo por pontos. No ADCC deste ano, quis o destino que o caminho de Saulo e Barral se cruzassem novamente, e desta vez o desfecho foi outro.
“O Barral é um grande atleta e, em 2007, eu fiquei muito irritado com aquele lance de manga, e eu ainda brinquei com ele no vestiário, e disse: ‘Abu Dhabi não tem manga não (risos)’”, disse Saulo, comentando o confronto sem quimono. “Foi uma luta dura, mas acho que faltou um pouco de experiência para ele nas regras do ADCC. Se não estiver bem certo do que fazer, bem estudado, pode acontecer um erro como aquele. Ele achou que estava com dois negativos, com a luta ganha, e aqui em Abu Dhabi só acaba quando termina”, finalizou o faixa-preta, que venceu a luta por pontos.