À primeira vista, a semelhança entre Dana White, presidente do UFC, e Wallid Ismail, promotor do Jungle Fight, é a falta de cabelo. Mas a verdade é que aos poucos Wallid está construindo sua própria identidade e, assim como o carequinha americano, está popularizando o MMA no Brasil. Na entrevista a seguir, o faixa-preta de Carlson Gracie falou sobre os seus planos para o Jungle, fez um paralelo entre o Wallid lutador e o promotor, e assumiu: “Eu tenho um problema muito grande mesmo, eu quero os melhores lutadores no Jungle. Eu até peço desculpa para os outros promotores, mas é melhor para os atletas que eles lutem o Jungle, porque eles aparecem no mundo todo”. Confira abaixo.
O próximo o evento será no Maracanãzinho. O que você pode adiantar sobre este evento?
Vai ser histórico! Vamos fazer um grande evento no Maracanãzinho, as pessoas podem esperar uma confraternização do MMA. Eu quero que todas as pessoas que sempre apoiaram e acompanharam esse esporte vão assistir. Professores, me mandem os nomes porque eu quero todos do MMA nesse evento. Estou negociando para trazer o Tom Erikson, Anthony Rea, mas teremos o Cacareco, Sérgio Moraes, Assuério Silva, Vanessa Porto, Erik Silva. Essa é a turma que já está pronta para vir lutar. Estou muito feliz que as coisas estão andando.
Você fez uma grande parceria com a Apregoa.com no Jungle em São Paulo. Para o Rio de Janeiro, essa parceria continua?
O Luis Octávio Índio da Costa, que já treinou Jiu-Jitsu e é presidente do Banco Cruzeiro do Sul, é um cara visionário. Ele está com a gente e nós estamos negociando, mas já fechamos quatro eventos daqui até o fim do ano. Vamos voltar a fazer o nosso trabalho ecológico, e estamos fazendo um trabalho de inclusão social no projeto do Sérgio Moraes e em breve faremos com outras pessoas que dão aulas nas áreas carentes. O secretário de esporte, Walter Feldman, é um cara tão sensacional que ele quer fazer esse trabalho de inclusão social do esporte, ele disse que quer ver o Jungle Fight produzindo cada vez mais atletas. Eu vi o Walter muito parecido com o Zé Moraes, que tinha essa cabeça. Foi o que aconteceu comigo, tudo o que aconteceu na minha vida. Hoje, posso dar uma vida melhor à minha mãe. Isso é importante, esse é o meu objetivo.
Você se considera o Dana White brasileiro?
Não, eu sou um trabalhador, um cara que acorda cinco da manhã e ama o que faz. Gosto de conversar com os lutadores, gosto de dar conselhos, eu vivi tudo isso. Lute como guerreiro e você volta para o Jungle. Ganhe amarrando que você não volta para o Jungle. O Dana White é um cara que ama o esporte. Eu tenho uma admiração e respeito muito grande, porque ele tem uma paixão. Já falei com ele e o Lorenzo, eu queria ajudar a trazer o UFC para o Brasil. O povo brasileiro merece assistir um UFC, esse cara só fez bem para o esporte. Eu estava rezando para que o Bitetti não saísse briga nem nada, e graças a Deus não saiu, porque isso é muito importante.
O que te diferencia dos outros promotores?
Eu passei por isso, a minha vida é essa. Eu nunca dei aula, eu sempre fui lutador e promotor, e agora sou manager também. É isso que eu faço, promoção. As pessoas esquecem, mas eu fui o primeiro atleta do Jiu-Jitsu no mundo a viver de patrocínio. Eu fui o primeiro atleta do mundo a não precisar da aula para poder viver. Isso é histórico. É que o tempo passa e as pessoas esquecem. Eu fui o primeiro a encher o quimono de patrocínio e colocar o patrocínio no ombro, para aparecer na câmera.
Faça um paralelo entre o Wallid lutador e o Wallid promotor.
É um cara totalmente diferente. O lutador é aquele louco, que queria enfrentar todo mundo e sempre defender o seu grande mestre Carlson Gracie e o Jiu-Jitsu... A minha vida é essa, as pessoas não sabem a guerra que é ser promotor, mas é a mesma guerra quando era lutador. Tenho essa perseverança e essa garra. No evento eu carrego cadeira, alambrado... Eu sou aquele general que vai para o front, vou para o campo de batalha. Pensa que eu fico sentadinho no evento de perna cruzada? Não, eu trabalho, e estou feliz com o meu time... As pessoas não têm idéia de quanto você tem que trabalhar pelo esporte. Hoje eu sou mais tranqüilo, só fico chateado quando as pessoas acham que você virou um bundão, falam besteira... Eu sou outro cara, quero sempre estar bem com todo mundo e respeitar todo mundo. Antigamente, eu queria tocar o terror.
Você sempre foi um cara muito polêmico. Como promotor não é diferente...
Eu tenho um problema muito grande mesmo, eu quero os melhores lutadores no Jungle. Eu até peço desculpa para os outros promotores, mas é melhor para os atletas que eles lutem o Jungle, porque ele aparece no mundo todo. Os outros promotores que me desculpem, mas eu quero os melhores atletas no Jungle, e eu ligo para os caras e falo, não falo pelas costas. Pode perguntar a qualquer promotor. Eu nunca falo nada pelas costas, eu sou sujeito homem. Quando acontece algum mal entendido, eu vou e boto de frente. As pessoas vêem “caramba, o Wallid pode ter os defeitos que forem, mas ele fala pela frente mesmo”. Pode gostar ou não, mas eu sou sujeito homem. Quantos caras vão lutar lá fora por causa do Jungle? As pessoas vão falar que eu sou muito pretensioso, mas eu pergunto: você conhece o Rogério Minotouro? Esse cara é o bicho, é sensacional. Qual foi a última luta dele antes de fechar com o UFC? Jungle Fight. Werdum, Babalu, Todd Duffee, Jacaré... Se eu for fala a lista... O Jungle não tem jeito, abre as portas. São 160 lutadores para escolher 16. Eu realmente escolho os melhores.
Primeiro o Bitetti Combat e agora o Jungle Fight no Maracanãzinho. Falta pouco para a virada do esporte?
Meu irmão, as pessoas não têm idéia... Falta um passo, e eu trabalho noite e dia. Eu não posso acertar todas às vezes, mas eu procuro acertar o máximo possível. Eu tenho o Maracanãzinho fechado desde o ano passado, quem se lembra sabe disso. Em outubro, eu, Minotouro, Bernard, e Marco Antônio Alencar fomos lá com o nosso grande governador Sérgio Cabral e fechamos o Maracanãzinho, mas eu tive que ir para os Estados Unidos, porque a minha vida é muito louca. Aí eu vi que o Amaury ia fazer o evento no Maracanãzinho... Eu só dei os parabéns a ele, e acho que foi demais. Torci muito para que desse certo, isso é bom para o esporte, não quero que tenha só o Jungle Fight. Eu apoio os outros eventos, só que cada um tem que saber qual o bolso que tem. A matemática é essa, tem que botar dinheiro no esporte.