Lutando em casa no X-Combat Ultra, que aconteceu no final de setembro em Vitória, Carina Damm conquistou a sétima vitória consecutiva, atropelando Kalindra Carvalho e forçando o seu corner a jogar a toalha no segundo assalto. Depois da vitória, Carina conversou com a TATAME sobre o crescimento do mercado de MMA feminino, o sucesso de Cris Cyborg nos Estados Unidos, a expectativa para voltar ao MMA internacional, a punição por doping e o pedido de revanche feito por Vanessa Porto. “A Vanessa se deu mal lutando comigo, apanhou bastante e ficou mordida com isso, daí começou a falar que queria revanche de qualquer maneira”, afirmou Carina, no bate-papo que você confere abaixo.
Como foi a sua luta em Vitória?
A luta foi boa, bem movimentada em pé e no chão e isso é sempre bom para mim, que uso toda a minha experiência. Eu estava muito bem preparada para esse combate, e meu irmão foi quem fez toda a estratégia. Eu segui suas orientações e venci. Escutar os corners é muito importante, por isso que eu gostaria de aproveitar a oportunidade de agradecer ao meu irmão, ao Hugo Miranda (Muay Thai), Brunão (preparador físico), Dr. Alissom Bernard (fisioterapeuta), Peter Junior (sparring), Mario Simas e toda a equipe Damm Fight que ajudou no treinamento. Lutar em casa é sempre muito tenso, pois a cobrança da torcida dá medo, mas eu amo. É gratificante olhar para frente e respirar aliviada, vendo que a sua torcida está orgulhosa de você.
Quando você volta a lutar?
A minha próxima luta está sendo negociada para acontecer em dezembro, mas se aparecer alguma coisa antes eu estarei pronta, pois sempre estou treinando forte e nunca fico parada.
Como você está vendo o mercado para as mulheres?
O mercado ainda está fraco. O mundo ainda tem preconceito contra nós mulheres, isso é uma questão social mesmo. Infelizmente, nós ainda não alcançamos os mesmos direitos que os homens no mundo das lutas. Temos que enfrentar a falta de incentivo e a desvalorização de bolsas.
A vitória da Cris Cyborg mudou alguma coisa para as mulheres do Brasil?
A Cris está dando continuidade ao nosso trabalho, meu, da Michelle Tavares, Letícia Ribeiro, Kyra Gracie, Juliana Borges, Leka e muitas outras, que começamos a levar a luta feminina brasileira lá para fora e mostramos que somos cascas-grossas e a galeras que está aparecendo agora, vencendo, com certeza vem somar no nosso trabalho.
Você teve grandes vitórias na carreira. O que falta para estar em um grande evento?
Minha carreira está evoluindo, tive algumas vitórias que levantaram o meu nome. Agora, o que está faltando mesmo são convites para estar nos grandes eventos. Meu empresário está fazendo as negociações e eu estou aguardando. Daqui a pouco vocês vão me ver lutando de novo lá fora.
Mais uma vez foi ventilada uma revanche entre você e a Vanessa Porto, dessa vez no Jungle Fight. Por que essa revanche ainda não rolou?
Essa história é assim (risos). A Vanessa se deu mal lutando comigo, apanhou bastante e ficou mordida com isso, daí começou a falar que queria revanche de qualquer maneira, coisa que não é só querer que se resolva. Isso tudo é um negócio e só acontece se ambas as partes estiverem de acordo. A revanche nunca rolou, pois as únicas duas vezes que promotores de eventos me ofereceram a luta, alegaram não ter verba para pagar metade do valor da bolsa. Então a Vanessa ficava falando que eu corria dela... Correr jamais, até porque quem meteu a porrada nela foi eu. Tem uma coisa que eu acho engraçado. Ela perde para mim e quer revanche... Porque será que ela nunca pede revanche para a Cris Cyborg?
Há pouco tempo você passou por um problema de doping nos EUA. Como acabou a situação? Você foi punida ou conseguiu provar a sua inocência?
Esse assunto já foi resolvido. Eu fui punida, na época não tive recursos financeiros para recorrer e tive que cumprir minha punição. Enquanto isso, fui trabalhando aqui no Brasil e treinando bastante também.