Por Guilherme Cruz
Foto Josh Hedges
A luta entre Lyoto Machida e Maurício Shogun confirmou todas as expectativas. Numa das melhores lutas do ano, o carateca defendia pela primeira vez o cinturão contra o campeão do GP do Pride, e entrou aclamado pelo público. Lutando com o apoio da torcida, que gritava “Machida! Machida” durante todo o primeiro assalto, Lyoto manteve a estratégia das lutas anteriores, esperando o ataque de Shogun para contra-atacar com socos.
Ao final do primeiro assalto, Lyoto já sentia as pernas, bastante castigadas pelos chutes do curitibano. No round seguinte, Machida melhorou e foi mais efetivo nos contra-ataques, aproveitando as brechas que Shogun deixava. Entre um round e outro, Lyoto abusava dos sacos de gelo, tentando amenizar as dores nas pernas. Mostrando um gás perfeito, ambos mantiveram o ritmo na terceira etapa, mas o público pedia por mais ação. Shogun partiu para cima do oponente, fazendo com que o público, que antes o vaiava, passasse a apoiá-lo.
No quarto round, Shogun manteve a agressividade e partiu para cima, conseguindo os melhores golpes e suportando bem os ataques do adversário. Antes do último assalto, o córner de Lyoto, composto por sua família e Anderson Silva, recomendou que ele parasse de chutar, uma vez que Shogun estava aproveitando estar brechas para castigar a sua perna de apoio. Do outro lado, Murilo “Ninja”, irmão de Shogun, falou para ele partir para cima, pois acreditava que as dores que Lyoto sentia na perna o impediriam de atacar.
O round decisivo começou com estudo, mas a trocação intensa se manteve. Fato raro de se ver, Lyoto sangrava de um corte na boca, sofrido no assalto anterior, e Shogun seguia castigando-o. A torcida ia à loucura a cada golpe dado pelos atletas, mas o combate de 25 minutos terminou, deixando a vitória na mão dos juízes. Mantendo o cinturão até 93kg em Belém, os juízes anotaram 3x2 em rounds para Lyoto, provocando certa divisão no público, que vaiou a decisão.
Na entrevista após o combate, ainda dentro do octagon, Lyoto ressaltou que três juízes anotaram o mesmo placar, o que seria o mais correto. Porém, o campeão deixou claro que aceita uma revanche contra o curitibano. Entrevistado logo em seguida, Shogun mostrou seu descontentamento com o resultado, acreditando, com base no que seus corners disseram durante o combate, que ele vencera todos os rounds. Numa das melhores lutas do ano, Lyoto ficou com a vitória e defendeu o cinturão pela primeira vez.
SHOW DE QUEDAS DE TIBAU
Com adversário trocado na última hora, Gleison Tibau teve pela frente o ex-boxer Josh Neer, mas foi o atleta tupiniquim que levou a melhor na trocação no início da luta. Deixando claro qual seria a sua tática na luta, o brazuca insistiu nas quedas, e foram muitas delas. Com praticamente 100% de aproveitamento nesse quesito, Tibau levou o americano ao chão mais de dez vezes, mas não conseguiu mantê-lo lá para por em prática o seu Jiu-Jitsu. Ao final do segundo round, o brasileiro já aparentava estar cansado e não manteve o ritmo, mas o oponente, também cansado, não ofereceu perigo. O terceiro assalto se arrastou por mais cinco minutos, tempo necessário para mais quedas e a vitória na decisão unânime para o brasileiro, que ganha uma sobrevida no UFC.
STEVE MAZZAGATTI ROUBA A CENA
A luta era entre Cain Velasquez e Ben Rothwell, mas o destaque dentro do octagon foi o árbitro Steve Mazzagatti. Numa das lutas mais importantes da categoria, que colocaria mais um nome perto do cinturão, o árbitro se precipitou e estragou a festa de Velasquez. O peso pesado, invicto em seis lutas, estava massacrando o oponente e provavelmente venceria, seja por nocaute ou por pontos, mas a interrupção fora de hora do combate acabou tirando um pouco do brilho da vitória de Cain, a 58 segundos do segundo round.
JOE STEVENSON ATROPELA EM CASA
Um dos grandes nomes do peso leve, Joe Stevenson passeou contra o nocauteador Spencer Fisher. Especialista em Jiu-Jitsu, Joe buscou a luta de chão o tempo todo, mas foi na trocação que abriu um corte no supercílio do oponente ainda no round inicial. Dominando a luta na primeira etapa, Stevenson seguiu o castigo no assalto seguinte. Lutando em casa, Joe fez a festa galera no minuto seguinte, passando a guarda e desferindo mais de dez cotoveladas no rosto já bastante castigado de Spencer, forçando o árbitro Herb Dean a interromper a luta.
ANTHONY JOHNSON RÁPIDO NO GATILHO
Com quatro vitórias no UFC, o duríssimo Anthony Johnson foi escalado para enfrentar o japonês Yoshiyuki Yoshida na primeira luta do card principal. Com problemas para bater o peso para a luta, Anthony concordou em dar 20% da sua bolsa ao oponente. Na luta, porém, o americano não teve problemas para vencer. Encurralando o adversário na grade e acertando bons golpes na trocação, um cruzado certeiro definiu a luta em apenas 41 segundos.
CHAEL SONNEN e RYAN BADER BRILHAM
O holandês Stefan Struve afiou a trocação para o UFC 104, mas novamente resolveu suas lutas com o Jiu-Jitsu. A vítima desta vez, o americano Chase Gormley, resistiu por quatro minutos, mas acabou dando os três tapinhas num justo triângulo. No combate seguinte, Kyle Kingsbury venceu Razak Al-Hassan na decisão dividida. Após uma longa luta, Jorge Rivera evitou a decisão dos juízes com um nocaute no terceiro round, após dominar os assaltos anteriores.
Sempre lembrado quando o assunto é possíveis desafiantes ao cinturão de Anderson Silva, o japonês Yushin Okami acabou dominado pelo americano Chael Sonnen, que venceu sua segunda luta no UFC na decisão unânime dos juízes. Fazendo sua sexta luta de MMA, Patrick Barry precisou, pela primeira vez, de mais de um round para vencer a luta. Numa atuação impecável, o americano atropelou Antoni Hardonk e chegou ao nocaute a 2min30s do segundo round. Na última luta das preliminares, Ryan Bader derrotou Eric Schafer na decisão unânime e segue invicto após dez lutas.
RESULTADOS COMPLETOS:
UFC 104
Los Angeles, Estados Unidos
Sábado, 24 de outubro de 2009
Card principal:
- Lyoto Machida derrotou Mauricio “Shogun” Rua na decisão unânime dos juízes;
- Cain Velasquez derrotou Ben Rothwell por nocaute técnico a 58s do R2;
- Gleison Tibau derrotou Josh Neer na decisão unânime dos juízes;
- Joe Stevenson derrotou Spencer Fisher por nocaute técnico a 1min03s do R2;
- Anthony Johnson derrotou Yoshiyuki Yoshida por nocaute técnico a 41s do R1;
Lutas preliminares:
- Ryan Bader derrotou Eric Schafer na decisão unânime dos juízes;
- Patrick Barry derrotou Antoni Hardonk por nocaute técnico a 2min30s do R1;
- Chael Sonnen derrotou Yushin Okami na decisão unânime dos juízes;
- Jorge Rivera derrotou Rob Kimmons por nocaute técnico a 1min53s do R1;
- Kyle Kingsbury derrotou Razak Al-Hassan na decisão dividida dos juízes;
- Stefan Struve finalizou Chase Gormley com um triângulo a 4min04s do R1.