Criador da famosa guarda De La Riva, mestre de nomes como Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro... Ricardo De La Riva tem história para contar. Em janeiro deste ano, o faixa-preta completou 30 anos dedicados à arte suave. Em comemoração a esta data especial, a TATAME convidou o mestre para responder às perguntas dos nossos assinantes, que perguntaram sobre como surgiu sua guarda, as mudanças no Jiu-Jitsu, os duelos com os Gracies, a expectativa para o futuro da arte suave e muito mais.
Quem melhor representa o Jiu-Jitsu clássico no MMA atual? (Julio Andrade)
Gosto muito do Minotauro, tem um estilo que eu gosto muito, sempre busca a finalização. Ele é um cara que está sempre tentando pegar, nunca tenta amarrar.
Como é ser criador de uma posição utilizada em larga escala numa arte milenar como o Jiu-Jitsu? Como surgiu a guarda De La Riva? (Julio Andrade e Fernanda Pezarico)
Eu sou da escola do Carlson, que é uma escola de passador de guarda, e eu sempre fui muito flexível e sempre tive facilidade de fazer guarda. No começo era mais defensiva, e por eu dificultar o pessoal na passagem todo mundo estava sempre querendo passar minha guarda e me acostumei mais a fazer guarda. Devido a essa minha flexibilidade, um dia eu consegui botar o gancho ali, chamado de De La Riva hoje, e eu vi que ali eu conseguia controlar o adversário, eu conseguia prender eles lá, ninguém conseguia sair. Eu comecei a tentar fazer uns desequilíbrios, e do gancho você consegue jogar para os quatro lados, então você tem várias opções.
Por qual necessidade surgiu a guarda De La Riva? (George Augusto dos Santos)
De tanto nego me amassar e jogar o peso em cima de mim (risos)... O pessoal tinha muito o hábito de passar em pé e vi a oportunidade de botar o gancho, o pessoal se enrolou e dali eu comecei a trabalhar. Eu tive muita sensibilidade e o pessoal passador ajudou bastante.
Qual é a sensação de ter seu nome associado a uma posição do Jiu-Jitsu? (João Paulo Pereira Rosa)
É uma responsabilidade muito grande, tem que continuar sendo eficiente. Procuro sempre mostrar alguma coisa nova nessa posição e sempre tento evoluir. Tenho o maior orgulho de ter conseguido colocar no Jiu-Jitsu uma técnica que leve meu nome gravado no Jiu-Jitsu.
Como você se sente sendo umas das maiores referências do Jiu-Jitsu? (Fernanda Pezarico)
Eu tenho muito orgulho em saber que eu pude ter feito alguma coisa pelo Jiu-Jitsu. Sempre que faço minhas viagens o pessoal reconhece quando vou mostrar o gancho De La Riva, o pessoal até presta mais a atenção. Mas ao mesmo tempo é uma responsabilidade, porque se eu fizer uma besteira também vão cobrar, por isso me mantenho atualizado e sempre treino.
Você já enfrentou membros da família Gracie, conseguindo vitórias. Como você se sentiu ganhando dessa família tradicional no Jiu-Jitsu? (Fernanda Pezarico)
Eu lutei com o Royce e com o Rolker e ganhei deles no mesmo dia. No meu primeiro campeonato de faixa-preta, lutei com o Renzo no Brasileiro e perdi. Lutei três vezes com o Royler, ganhei duas e perdi uma, e todas lutas foram super disputadas. Na época, eu não tinha muita noção da dimensão dessas vitórias. O Carlson é que vibrava com isso e fazia as provocações dele no jornal e na TV... Era a forma dele, eu preferia ficar na minha. Era uma situação difícil de lidar, tem que ter a cabeça boa pra administrar.
Quem você apontaria como adversário mais difícil que enfrentou? (Leandro Rezende Amorim)
O Royler realmente era o cara mais perigoso, o Jiu-Jitsu dele... Ele ia acelerando, acelerando e não parava, eram dez minutos vindo com tudo. Ele era o cara mais sinistro para lutar, eu tinha que estar com uma atenção e todos os astros alinhados para ganhar do cara, porque senão não dava.
Como você se sente em ter ajudado na formação do Minotauro e seu irmão? (Fernanda Pezarico)
Eles se desenvolveram da forma deles, têm os méritos todos deles... É claro que ajudei, dei um toque... Fico muito feliz em ter ajudado, mas é mérito deles terem conseguido fazer uma transição tão boa do pano para o MMA.
O que é ser um campeão? O que se necessita para ser um? (João Paulo Pereira Rosa)
Muita dedicação, paciência e respeito. Esses três quesitos são muito importantes. O cara deve saber respeitar todos na academia ou em qualquer lugar, a dedicação dele ir lá treinar e a paciência, porque às vezes as coisas não estão dando certo e é necessário ter muita paciência. Esses são os pontos chave para a evolução e o nascimento de um campeão.
Qual o maior mestre e qual o melhor aluno que já treinou? (Leandro Rezende Amorim)
Carlson, para mim, foi o melhor. O melhor aluno é aquele que está com vontade de aprender, esse é o melhor aluno para mim, respeitando a todos e se dedicando.
Com quantos anos você entrou no Jiu-Jitsu? Você acha que uma pessoa que começa a pratica de Jiu-Jitsu depois dos 24 anos pode chegar a ser um bom professor tendo uma base de Submission? (Rafael Ribeiro Anselmo)
Comecei em janeiro de 1980, quando eu fiz 15 anos de idade. Com certeza, o bom do Jiu-Jitsu é que não tem idade, é diferente das outras lutas, você para um mês em outras lutas e volta completamente fora, no Jiu-Jitsu não, você consegue trabalhar. Hoje estou com 45 anos e as vezes estou viajando, fico parado uma semana, e em alguns dias o ritmo volta. Se você tem uma boa saúde, hábitos corretos, com certeza pode ser um bom professor e ter uma longa vida no Jiu-Jitsu.
Depois de anos dedicados ao Jiu-Jistu, o que você destaca de evolução no esporte e quais são suas perspectivas para o futuro? (Diego Hallysson Alves de Oliveira)
A base é a mesma, o estrangulamento, a tesourada, mas é claro que a surpresa faz parte do show e são essas surpresas que sempre aparecem, como a guarda 50-50. Sempre aparecem coisas novas, as surpresas estão desenvolvendo a base. O cara pega a base e desenvolve da forma dele. A evolução não vai parar nunca, é eterna, mas tem que ter a base. As perspectivas são ótimas, o Jiu-Jitsu sempre dá um leque de opções e oportunidades, são muitos detalhes e são os detalhes que fazem a diferença e trazem a evolução.