Campeão meio-pesado do UFC, Lyoto Machida está treinando forte para sua segunda defesa de cinturão, novamente contra o curitibano Maurício “Shogun”. Em entrevista à TATAME, o carateca comentou os treinos para a revanche, a estratégia que seu oponente pode utilizar e ainda falou sobre a derrota de Rodrigo Minotauro e o duelo entre Anderson Silva e Demian Maia.
Como estão os treinos para a luta?
Estou treinando desde dezembro para a próxima luta. Estamos enfatizando uma prioridade em cada treino. Agora, estamos fazendo bastante treino específico e, lógico, lutando pela segunda vez a gente tem um conhecimento um do outro.
Você acha que ele vai repetir a estratégia da primeira luta entre vocês?
Olha, eu estou procurando esquecer isso. É uma nova luta. Até pelo Shogun ser um cara muito eclético, ter essa capacidade de mudança. Isso é uma nova luta, onde eu estou priorizando certos aspectos e a gente não sabe o que vai acontecer.
O Anderson ia enfrentar o Belfort, mas trocou de adversário e encara o Demian. Como isso muda na preparação dele?
O Vitor ia trocar mais, até pela característica dele, uma boa qualidade na luta em pé, e o Demian torna a luta mais perigosa também, mas pelo background dele no Jiu-Jitsu. Se o Demian for trocar, a luta será uma grande desvantagem para ele. Não sei qual é a estratégia que o Anderson está bolando, mas acredito que mudou bastante neste aspecto. Talvez ele estivesse treinando menos no chão pelo fato de enfrentar o Vitor, então existe essa preocupação agora.
Como você acha que vai ser a luta entre eles?
Eu acho que uma luta sempre traz perigo. O Demian é um cara altamente perigoso, principalmente no campo dele, mas vem melhorando muito em pé. Na última luta, ele trocou alguns golpes, mas o Anderson vem mostrando que tem um diferencial muito grande. O nível dele, principalmente em pé, está acima da média. Como a luta começa em pé, isso favorece o Anderson. Não desmerecendo o Demian, ele é super perigoso na área dele, mas é difícil levar o Anderson para o chão. Se tudo correr conforme as estratégias, e acho que o Anderson é favorito.
E o que você achou da derrota do Minotauro, para o Cain Velasquez?
Já treinei com o Velasquez há um tempo e sabia que ele era muito duro, um cara que está chegando para ser campeão. Eu não duvidava do Minotauro em momento algum, mas sabia que ele ia enfrentar um cara muito duro. O Minotauro merece todo respeito pelo que ele já reinou, mas hoje a competitividade está muito alta dentro do MMA. É muita gente estudando todo mundo, melhorando cada vez mais... Querendo ou não, a técnica se iguala bastante, nivela muito. A estratégia faz a diferença, e a estratégia do Velasquez foi melhor. Tecnicamente, talvez ele até seja inferior ao Minotauro, mas a juventude mais aflorada, ser mais rápido... Acreditava muito no Minotauro, mas luta é luta, isso acontece.
Como foi esse treino com o Velasquez?
Treinei com ele quando ia lutar com o Tito Ortiz. Fui atrás de um cara com bom Wrestling. Ele ainda não estava no UFC. Ficamos treinando por duas semanas juntos e senti que ele era duro, tinha muita vontade e disposição. Isso conta bastante dentro do esporte, é determinante. Muita gente tem talento, mas e a vontade e persistência? Ele treinava muito, era um cara duríssimo.
Sempre que um ídolo perde, os fãs logo pensam que é a hora de parar. A “bola da vez” é o Minotauro. Você acha que isso é um exagero, uma vez que essa foi somente a sexta derrota dele em 40 lutas?
É muito difícil quando a gente passa por um momento difícil, todos temos altos e baixos na carreira, até pelo nível de competitividade. Temos que apoiar um ídolo, um herói nacional, um cara que defendeu nossa bandeira por muitos anos. Ele tem muita chance de crescer e cada vez melhorar. Talvez o jogo dele não tenha casado naquele dia, mas quem sabe em outro momento, com outro adversário... Isso vai do jogo de cada um. Aconteceu, o Velasquez mereceu a vitória, mas o Minotauro tem a chance dele. Ele é um cara altamente determinado, sabia que nenhum dos dois ia desistir da luta. É igual no Tênis... Hoje o Federer está ganhando, mas amanhã pode vir um cara novo e derrubar ele. Isso faz parte, é competitivo. Perder e ganhar faz parte do nosso dia a dia, mas acham que o cara tem sempre que ganhar.