Com cinco vitórias por nocaute em cinco lutas no UFC, Junior Cigano deu mais um importante passo na carreira na noite de ontem (21). Nocauteando o experiente Gabriel Napão em poucos minutos de luta (veja como foi aqui), o pupilo de Rodrigo Minotauro se diz pronto para um vôo mais alto na organização americana. Numa entrevista exclusiva, que você confere abaixo, Cigano comentou a estratégia para a luta, revelou o interesse em enfrentar o invicto Cain Velasquez, algoz de Minotauro no UFC 110, mas descarta o clima de revanche contra o americano, se disse pronto para enfrentar os melhores da atualidade e ainda lamentou a morte de Luiz Alves, dois dias antes de sua luta.
O que você achou de sua luta? Saiu tudo conforme o planejado?
Saiu sim... A gente esperava mais ou menos como foi a luta, senti que a intenção dele era botar pra baixo, que ele iria usar a trocação para tentar fazer isso, e eu já estava preparado para aquilo. Aconteceu mais ou menos como a gente planejou. Eu estava esperando que ele fosse usar os chutes dele, que são bastante pesados, e depois iria tentar a queda e, na hora que ele me botou pra baixo, foi exatamente meio na troca ali. Ele desceu para botar pra baixo em chute meu e teve êxito na queda, mas ainda bem que eu consegui me levantar rápido e comecei daí a trabalhar na resposta. A partir do terceiro minuto, o professor Dórea me orientou a fechar mais a distância e começar a andar para cima para pegar os golpes de encontro e responder os golpes dele.
Na trocação o Napão acabou acertando um chute alto no seu queixo e você mostrou que tem queixo duro mais uma vez. O que você achou desse chute dele, que já nocauteou até o Cro Cop?
Realmente ele chuta forte, é muito bom o chute dele, mas não senti nenhum chute conectar bem. Pude assimilar bem todos os chutes e ataques dele.
O que o pessoal do UFC comentou sobre esse quinto nocaute em cima de mais um atleta experiente?
Eu dei a sorte, graças a Deus, de o Dana White ter simpatizado comigo. Ele ficou muito feliz com tudo que aconteceu, da forma como eu ganhei. Ele veio pessoalmente me falar isso e estou muito feliz por estar podendo colocar o meu trabalho todo em prática e estou conseguindo bons resultados. Espero trabalhar ainda mais forte para continuar no caminho das vitórias.
Os fãs já estão falando de uma luta contra o Cain Velasquez. Alguma coisa já foi falada a respeito do seu próximo adversário?
Ainda não comentaram nada, inclusive perguntaram isso na coletiva de imprensa, mas ele não deu nem ideia de quem pode ser, e eu também não faço nem ideia por enquanto. Pode ser uma luta boa eu contra o Velasquez, eu ia gostar. Ele é um cara bem aguerrido, mas existem outros nomes também que eu posso lutar. Só quero lutar com os melhores e com o melhor, é isso que estou esperando do UFC agora.
Quem você considera o melhor?
Normalmente, o melhor é quem tem o cinturão. Temos que seguir essa linha, por mais que eu não ache, mas, dentro do UFC, o melhor é quem tem o cinturão, então vamos continuar nosso trabalho para lutar contra o dono do cinturão.
Como você acha que seria uma luta entre você e o Velasquez?
Ele é um cara bastante completo, muito bom de Wrestling, tem a trocação afiada também. Acho que seria uma luta muito boa, o Wrestling dele é muito superior ao meu, mas acho que posso surpreender ele no Boxe e confio bastante também. Eu treinaria bastante a parte de chão para essa luta, porque poderia fazer a diferença.
E você teria a chance de vingar o seu mestre...
É... Na verdade, não é nem questão de vingar, eu me sinto muito tranquilo quanto a isso, o Rodrigo também. Eu lutaria com o Cain por ele estar onde está, invicto, grande lutador e nome do UFC... Eu gostaria de enfrentá-lo por isso. Esse lance de vingança, acho que o Rodrigo mesmo vai poder fazer. Em breve ele vai estar de volta e tenho certeza que ele pode dar a volta por cima nessas lutas que ele perdeu.
Você era visto como guardião do cinturão do Minotauro. Agora, depois da sua quinta vitória seguida seu nome entrou no bolo pela disputa do cinturão... Como vê essa situação agora?
Eu acho que estou pronto para uma disputa de cinturão e com certeza o Rodrigo vai brigar bastante ainda, mas acho que estou em um momento muito bom e gostaria muito de aproveitar esse momento. Eu e o Rodrigo sempre conversamos sobre o que pode acontecer e ele mesmo me apoia muito nessa decisão.
A morte de Luiz Alves pegou o mundo da luta de surpresa dois dias antes da sua luta. Como estava o clima lá com o Dórea e o Minotauro nos bastidores do evento?
Infelizmente, tivemos essa notícia na semana da minha luta, uma notícia ruim como essa. O professor Luiz Alves era uma pessoa querida de todo mundo aqui, então você pode imaginar que a situação não foi fácil. Todos ficaram muito tristes pela perda de um grande amigo e treinador, mas a vida é assim, faz essas coisas. Todo mundo aqui soube assimilar bem, não deixaram a peteca cair e me deram muita confiança para eu chegar lá e fazer uma boa luta. O Rodrigo ficou muito triste, mas ele partiu para uma melhor.
E nada melhor do que uma grande vitória para homenageá-lo...
Com certeza... Inclusive, a gente o homenageou depois dessa luta, mandei um grande abraço pra ele, esteja ele onde estiver.