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Eduardo Alonso segunda-feira, 31 de maio de 2010 - 15:59:40 Por Guilherme Cruz

O empresário Eduardo Alonso acompanhou de perto a pior fase da carreira de Maurício Shogun. Lesões, a saída da Chute Boxe, a derrota para Forrest Griffin e a luta ruim contra Mark Coleman... Shogun não era mais apontado pelos fãs como o grande campeão do Pride, mas isso começou a mudar na primeira luta contra Lyoto Machida, então campeão do UFC. Num bate-papo com a TATAME, o empresário do Shogun relembrou os momentos de superação do casca-grossa e revelou o desejo por uma luta entre Maurício e o veterano Randy Couture.

 

Shogun se sagrando campeão do UFC, Ninja conquistando mais uma vitória no Bitetti... Esse foi um mês perfeito pra você, né?

 

A realização é muito grande, mas a batalha nunca para, mas o sentimento não é completo porque a gente teve o cancelamento do Shine. Ficamos muito tristes pelo Paulo Tuba, que é sparring do Shogun e ia fazer sua estreia internacional, estava animado, já estava aquecido... É complicado para o atleta bater o peso e ficar de fora... Só não está tudo perfeito por causa disso, e a gente sai de um desafio e entra em outro. Não deu nem tempo de comemorar o cinturão do Mauricio, pois o Ninja já tem um compromisso na Austrália, dia 14 de julho em um evento novo que está prometendo, com grandes nomes... Ao mesmo tempo nos sentimos realizados porque isso é fruto de uma batalha muito longa, mas a batalha nunca para, isso é apenas o resultado de uma batalha e outras virão.

 

Qual foi o sentimento após a primeira luta do Shogun contra o Lyoto?

 

Ficamos com um sentimento de frustração muito grande na primeira luta, nós realmente acreditamos que o Maurício venceu, e 90% das pessoas apontaram a vitória do Maurício, só aqui no Brasil que houve essa polêmica. Ficamos muito chateados, mas a gente se confortou muito na revanche. Quando o Dana marcou a revanche foi como uma segunda chance para nós, ele superou muitas lesões, um apendicite, e a gente acreditava muita na estratégia para essa segunda luta como se fosse uma sequência da primeira. Essa estratégia de tentar atrair o Lyoto e tentar bater de encontro não funcionaria se não houvesse a primeira luta. A primeira luta serviu para o Mauricio conhecer o Lyoto e impor o jogo dele, fazer o Lyoto respeitar o jogo dele e causar certa insegurança. O Mauricio já merecia o cinturão de campeão do mundo desde a época do GP (do Pride), na época que ele não podia disputar o cinturão do Pride por conta de o Wanderlei ser o nosso ídolo, companheiro de equipe e dono do cinturão. Foi uma batalha longa, superamos muitas críticas, contusões, dúvidas... Nossa equipe é muito jovem, ninguém botava fé, e para nós foi um sentimento de alma lavada e mais do que merecido, porque nós acreditávamos que o Mauricio era o melhor do mundo há muitos anos.

 

Como foi a superação após os problemas que passaram, como as lesões do Shogun, a estreia com derrota para o Forrest Grifin, a luta ruim com o Mark Coleman até a primeira luta boa no UFC, contra o Chuck Liddell?

 

Sofremos muita pressão, muitas dúvidas, desde a época da luta do Coleman, na luta contra o Chuck Liddell ninguém acreditava na gente. Após a vitoria sobre o Liddell fomos lutar com o Lyoto pela primeira vez, desacreditados, fruto de maledicência, de gente que tem interesses e torce contra... Um pouco de ignorância de gente que não conhece o nosso passado. Eu conheço o Mauricio há muitos anos e mesmo antes de trabalhar com ele eu já era uma espécie de conselheiro, e sempre soubemos o potencial do Mauricio e das pessoas da nossa equipe. O André Dida é um treinador de Muay Thai jovem que está mostrando sua competência, o Simpson é um jovem treinador de Jiu-Jitsu muito competente, e eu acredito que eu seja o manager mais jovem do mercado e procuro dar a minha contribuição. Trabalhar com o Mauricio é muito fácil porque ele é um talento, um fenômeno, ele acreditou na gente quando não acreditavam nem nele e nem em nós. Temos um projeto que não vem de hoje, vem desde a lesão no joelho. Ele teve coragem de sair de uma equipe tradicional de onde ele deve muito respeito e acreditou em um projeto de longo prazo. A minha sensação quando ele conquistou o cinturão foi ver o trabalho realizado e o maior mérito disso é do Mauricio que teve a confiança e o talento suficiente para executar qualquer estratégia.

 

Como vocês receberam as criticas quando o Shogun resolveu deixar o Sérgio Cunha, que o treinou para a luta contra o Liddell, para fazer o treino com o Dida, que era considerado jovem demais para ensinar o Shogun, e voltar a treinar em Curitiba, algo que o próprio Shogun apontava como problema?

 

Essas críticas ao final do trabalha com o Cunha não surpreendeu a gente, porque já estávamos ficando calejados com tantas criticas, dúvidas e desconfiança. O Cunha teve um papel muito importante ao extrair uma dedicação grande do Mauricio, teve o mérito de ter a cabeça aberta e saber trabalhar com professores de diversas modalidades, ele foi uma figura de frente que acabou aparecendo com méritos, mas por trás deles existiram vários profissionais trabalhando, desde a minha parte até a parte do professor Eric Haddad na parte física, o Lucas na parte do Boxe, o pessoal do Demian ajudou, essas pessoas foram fundamentais nesse trabalho. O que a gente fez quando começou a trabalhar com o Dida e com o Simpson entre outros professores em Curitiba, foi pegar o mesmo modelo de trabalho que a gente tinha de trabalha em São Paulo e aplicar com outros professores. Eu tenho consciência do meu mérito, mas a parte central do trabalho é o Mauricio Shogun. Ele já era um campeão do mundo, é um talento, um fenômeno, o atleta mais completo que eu já vi nessa categoria e trabalhar com ele se torna muito fácil, a gente colabora, mas ele é a locomotiva do treino.

 

Como manter o Shogun sempre motivado e preparado para as futuras defesas de cinturão?

 

A motivação é natural à medida que novos desafios vão aparecer. Temos grandes lutas pela frente, podemos ter uma com o Lyoto no futuro, uma revanche com o Forest Griffin, uma luta com o Anderson Silva no futuro, se esse for o desejo do UFC... Gostaria que o Mauricio tivesse muito a chance de lutar com a lenda Randy Couture antes que ele se aposente... São grandes lutas que podem render bons desafios e um retorno financeiro importante, já que agora ele é pai da Duda, está feliz, amarradão, e a carreira dele entra em uma nova e merecida fase.


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