Preparador físico da X-Gym, Rogerio Camões é reconhecido pela sua competência e pelo trabalho agregador que desenvolve com as estrelas da academia. Irmãos Nogueira, Anderson Silva, André Galvão, Rafael Feijão e Ricardo Demente são alguns nomes que contam com a bagagem de mais de trinta anos de Rogerão. A TATAME visitou a X-Gym e trocou uma ideia com o especialista, que contou sua trajetória, como nasceu a X-Gym, explicou o término da Black House e como “ajeitou a casa”, a chegada de Ronaldo Jacaré e Ricardo Demente ao time e garantiu: se Demente tiver uma próxima oportunidade contra Roger, o resultado será diferente. Confira esses e outros assuntos no bate-papo abaixo.
Como surgiu o projeto da X-Gym?
Eu era “personal trainer” de um grande amigo, o Luis Medeiros, que estava fora de forma... Ele foi ganhando forma, melhorando... Durante os treinos ele me propôs abrir uma academia, já que ele sabia que era o meu sonho, e disse que tinha um dinheiro guardado e falou de um amigo que estava a fim de investir. Meus pais haviam falecido e eu tinha o dinheiro de uma herança para receber. Daí o sonho começou a virar realidade, desenvolvemos um projeto que foi crescendo, eu o Luis e o Rodrigo Betley, que tinha sido meu aluno de Judô... Achamos uma academia e começamos a tocar o projeto. O Luis pensa grande, o Rodrigo apoia as ideias certas e eu entrei com todo o meu conhecimento e experiência de mais de 30 anos de academia.
Na época em que eu treinava o Rodrigo e o Rogério (irmãos Nogueira), eu e o Luis tínhamos feito uma sala só com o ringue para fazer Boxe, mas ninguém treinava, o Luis fazia uma aula particular e eu também fazia de vez em quando. A sala era novinha, mas vivia fechada. O Rogério me perguntou se depois do treino de preparação física, ele poderia trazer o Luiz Alves para fazer uma manopla e eu falei que podia, claro. Daí começou a vir o Luiz, o Rogério, o Minotauro, que começou a chamar uma galera. Antes de a academia expandir para um centro de lutas já treinavam naquele ringue Anderson, Lyoto, Vitor Belfort, Minotauro, Minotouro e Babalú. O Joinha começou a frequentar porque malhava comigo e sugeriu que a gente montasse um CT, conversamos e decidimos fazer. Criamos a Black House, mas não foi possível ir pra frente porque foi muito difícil tocar aquele universo de estrelas, envolve muitas coisas...
Como vocês ajeitaram a casa?
O Joinha era nosso sócio na parte de lutas e resolveu sair da sociedade, aí ficou o meu centro e não sabíamos o que fazer com aquilo. Demos uma parada, deixamos o projeto quieto por um tempo, mas eu não consegui deixar parado, pois já estava há três anos com aquela galera toda ali, eu e mais de dez anos como preparador físico de MMA e vendo tudo acontecendo... Como eu iria parar? Na época o Distak era o treinador de MMA da galera e eu perguntei se ele estava a fim de dar continuidade comigo, todos foram treinar na NOGI do Méier e ele foi o único que não foi, ficou comigo e o Feijão continuou com a gente também. O Anderson fazia preparação física comigo e foi duas vezes lá no Méier, disse que não voltaria mais e falou que ia ficar comigo, daí houve o recomeço e explodiu novamente, de uma maneira legal, porque já não existia mais a bandeira de um time como “Black House”, era o CT da X-Gym, que é o Xtriker, e os lutadores vinham fazer preparação física conosco, e a coisa fluiu sem a bandeira, uma casa mais aberta.
Como foi a chegada de Ronaldo Jacaré e do Ricardo Demente?
Ele veio através do André Galvão, gostou logo de cara e foi o primeiro cara que vestiu a bandeira da X-Gym e disse “eu sou X-Gym”. Temos uma interação total com a Minotauro Team, somos irmãos, parceiros, minha casa é a casa deles e a casa deles é a minha casa. No ano novo eu estava sentado no calçadão da praia e de repente eu vejo um monstro desses correndo na minha direção (Ricardo Demente), ele parou e disse: “rapaz, eu queria muito te encontrar, queria muito falar contigo... Quero treinar com o senhor”. E eu quando olho um “puro sangue”, reconheço logo.
O que achou da final do Mundial entre o Ricardo e o Roger?
Aceitei a proposta e ele já está há uns quatro meses, já tem um Mundial Profissional nas costas, foi vice-campeão mundial com muita honra porque o Roger Gracie é o Roger, mas foi lá e cá, o Roger tomou sufoco e te digo que se tiver uma próxima luta vai ser diferente. Ele veio de muita dificuldade, chegou aqui com over training, muito trabalho excessivo, a cabeça não estava muito boa e falei que daqui a um ano a gente conversava sobre o novo Ricardo, mas por enquanto você vai se dedicar ao treinamento, sem treino forte, independente de lutar o Mundial... Não adianta fazer um trabalho forte, você vai ter que se recuperar.