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Cláudio Coelho sábado, 19 de junho de 2010 - 17:30:01 Por Guilherme Cruz

Um dos maiores treinadores de Boxe do MMA nacional, Cláudio Coelho está focado no treino de Pedro Rizzo e Murilo Bustamante para suas lutas no Impact FC, evento que acontece no dia 18 de julho na Austrália. Em visita à redação da TATAME, Claudinho comentou a preparação dos cascas-grossas, revelou seu grande ídolo no MMA mundial e comentou o aguardado duelo entre Vitor Belfort e Anderson Silva. “Já se nota que os dois não se dão muito bem, então tem que estancar na porrada mesmo”, disparou o treinador, na entrevista que você confere abaixo.

 

Como estão as coisas na academia?

 

A correria tem sempre, é uma academia que está constantemente cheia, e a gente tem que estar ali atendendo todo mundo, cada um com seus horários, seus “corre-corre”, mas o treinamento é sempre pesado.

 

Seu foco agora está mais no treino do Pedro Rizzo e no Murilo Bustamante para o Impact FC?

 

Isso, o Pedro Rizzo e o Murilo para essa luta que vai ter na Austrália. Eu tenho apertado muito o treino do Pedro Rizzo e do Murilo também, ele até já começou a fazer os trabalhos de combate e inclusive eu tenho dois alunos, o Giovanni Tonzane e o Sérgio Roberto, que já desenvolvem, lá na academia do Murilo, um trabalho muito técnico, e isso tem ajudado muito o Murilo porque não é preciso ele se deslocar quase todos os dias da academia dele... E o Murilo precisa dessa atenção. O Giovanni e o Sérgio têm feito um trabalho de alinhamento e o Murilo vai lá na academia para fazer o trabalho de combate... Eu supervisiono esse trabalho. O Pedro Rizzo, por já ser um striker, a coisa fica mais fácil e o trabalho que está sendo desenvolvido é muito bom também.

 

Quais são as expectativas para a próxima luta do Pedro Rizzo?

 

O problema do Pedro é o psicológico dele no dia da luta. O Pedro é um cara jovem, talentoso, não é preguiçoso para treinar, o cara treina muito... O problema do Pedro é a cabeça dele. Se a cabeça dele estiver bem, como nós já vimos em outras épocas, o Pedro é duro para qualquer um. Às vezes dá um bloqueio, não é falta de treinamento, ele tem toda uma infra-estrutura montada em volta dele e uma infra-estrutura boa de treinamento, com bons profissionais. Quando o Pedro não luta bem, não é por falta de treino, é um problema muito particular e psicológico dele, e ele vem trabalhando nisso.

 

Como você acha que o Shamrock vai se comportar nessa luta contra o Pedro Rizzo?

 

Um cara desses não vai ficar se arriscando na trocação com o Pedro, então se subentende que ele vai querer embolar e levar o Pedro para o chão. Todo mundo já se conhece. A luta começa solta, então eu digo que ela começa favorecendo o Pedro porque ela não começa agarrada. Se ele conseguir tirar proveito disso, chutar ou socar, a vantagem vai ser dele. Ele não deve deixar ela luta embolar enquanto ele não quiser, é o que eu penso estrategicamente. A luta começa favorecendo o Pedro, então ele tem mesmo que tentar socar e chutar e só mesmo se embolar que ele vai ter que desenvolver aquilo que ele sabe no chão, mas eu acredito que ele tem que manter essa luta em pé o quanto ele puder.

 

E como está a preparação do Murilo para essa luta?

 

O Murilo é um cara que tem mais idade, mas tem um bom condicionamento físico, é centrado e extremamente disciplinado. Tem um bom preparador físico, suporta muito bem os treinamentos com caras mais jovens dentro da academia dele, seja na parte de Wrestling, na parte de chão, ou no Boxe... Ele tem um gás bom. Se ele souber distribuir isso, contra esse cara, com a tranquilidade que ele tem, com certeza ele pode fazer uma boa luta.

 

O Murilo não luta desde o final de 2007. Você acha que esse tempo afastado pode prejudicá-lo?

 

Eu acho que, um cara que já foi lutador, está parado há um tempo e vai lutar com um cara que está mais em evidência, claro que isso favorece o que vem lutando mais. Mas, se tratando do Murilo, com o condicionamento físico que tem, uma boa técnica e é um cara calmo, fica aquela coisa: da mesma maneira que o cara está em evidência, o cara também pode errar. O Murilo não é um cara de dar bobeira, é inteligente e a calma dele é o que o faz superar. Eu já vi o Murilo em outras épocas, quando ele era um pouco mais jovem, sair do Brasil para lutar com o Chuck Liddell sem estar preparado. A luta foi marcada em cima da hora e ele trocou com o cara de igual para igual, isso porque ele não estava preparado, ele não tinha ido ali para fazer aquela luta. Eu acredito que, com ele treinando, a coisa possa engrossar para o outro lado.

 

Qual é o trabalho que você tem feito com os outros atletas?

 

Bom, têm vários outros atletas que treinam comigo e que, às vezes, são atletas que não tem muita expressão, mas estão lutando em eventos no Brasil, no Rio de Janeiro, e são muitos. Tem muita gente que vem me pedir ajuda nessa parte de Boxe e, graças a Deus, a gente tem um treino muito bom, mas além disso a academia tem uma harmonia muito boa e é por causa dessa harmonia muito boa que pessoas de outras modalidades vêm treinar com a gente. Não só lá da Nobre Arte na favela, mas como na Delfim.

 

Hoje nós temos esse grande centro de treinamento e podemos falar que a nossa equipe, de uma maneira geral, é muito boa, bem administrada e tem uma infra-estrutura boa. Eu acho que, para você ter uma academia, você tem que ter uma direção firme e uma infra-estrutura que atenda bem aquilo que você faz e, para essa parte de Boxe, a gente tende muito bem. Quanto à parte de treinamento, no caso do Murilo, a gente prepara o ataque dele, mas a minha maior preocupação é desenvolver a parte defensiva dele. Até o cara que é um striker, um nocauteador, com um soco forte, se esquece da parte defensiva, e o vento que venta lá, venta cá. Então às vezes a gente vê um lutador que está acostumado a derrubar fica vulnerável na parte defensiva e isso tem que ser revisto. Da mesma maneira que você bate, você tem que estar apto a defender, então essa é a minha preocupação dentro de um treinamento.

 

Olhando o MMA hoje em dia, quem você acha que é o cara que tem o Boxe mais técnico?

 

Hoje, a gente tem aí com a habilidade de socar muitos lutadores... A gente continua tendo o Minotauro, o Minotouro, que têm uma boa administração, um bom treinador de Boxe. Tem alguns lutadores dos quais eu me torno fã, mas não só pela parte do Boxe, é pelo conjunto. Sempre gostei muito do (George) St. Pierre e também do Randy Couture... Esses caras, no conjunto geral, eu gosto muito. Eu sou fã do Randy Couture em todos os sentidos: pela simpatia, pela garra, a disposição... O cara, com a idade que tem, chega junto com qualquer um... Então a gente vai vendo e observando isso, e me marca muito pela educação do cara, ele é um grande campeão. Ele pode não estar ganhando mais, mas é uma pedra no sapato de qualquer um.

 

O Randy Couture agora vai lutar contra o James Toney, um ex-boxeador que também já tem certa idade. Como você acha que vai ser essa luta?

 

O Randy Couture é um atleta, ele é um atleta! Ele sempre vai ter um bom condicionamento físico, então ele é perigoso por isso, fora que ele melhorou muito o chão dele, na parte de pancada ele vai pra cima, ele bate, ele recebe, então, pela idade que ele tem, ele é uma pedra no sapato de qualquer lutador. Quando você pensa que ele está morto, o cara ressurge do nada e bota a vida do adversário em perigo... Eu tiro o chapéu para ele.

 

Estão cogitando uma luta dele contra o Shogun, caso ele vença agora. Como você acha que seria essa luta?

 

Ele é duro para qualquer um. Enquanto ele está no páreo, não tem idade, não tem nada, é osso duro de roer. Enquanto ele se mantiver condicionado e perigoso e não envelhecer o cérebro, ele está ali. Ele é um atleta. O que segura ele é que ele é um atleta e tem um condicionamento físico muito bom, isso é o que dá coragem a ele, mesmo com essa diferença de idade, de tentar ainda alguma coisa ali dentro do Ultimate. Quem suporta os treinamentos intensos na academia é que pode ter essa avaliação se tem condições de fazer uma luta ou não, então eu acredito muito no potencial dele.

 

Outra luta que está sendo muito cogitada é uma disputa entre o Anderson Silva e o Vitor Belfort. Como você acha que seria esse duelo na trocação?

 

Olha, na trocação é o seguinte: se essa luta acontecer mesmo, vai ser uma luta boa para brasileiro ver porque já se nota que os dois não se dão muito bem, então tem que estancar na porrada mesmo. O Vitor tem um Boxe extremamente alinhado e o Anderson tem aquele jogo dele, que é um jogo meio emaranhado, que confunde, então são características diferentes. É juntar a disposição de um e a malandragem do outro e estancar na porrada para a gente ver o que é que vai acontecer. Eu acredito que todo mundo queira ver isso. Já que a coisa chegou nesse nível, todo mundo não vê a hora disso acontecer e é muito legal. Acabou esse negócio de brasileiro não lutar com brasileiro. Aonde tem dinheiro, aonde tem o maior evento é o que importa... Esse tempo já foi, agora tem mesmo é que estancar na porrada.

 

Em quem você apostaria nessa luta?

 

Eu não faria uma aposta, mas o Vitor é aquele cara canhoto que fica mais plantado e é perigoso, e o Anderson é aquele cara malandro, mas ele tem que tomar cuidado com a canhota do Vitor porque, quando pega, foi, e ele sabe bater bem. O Anderson é aquele cara que bate, faz o jogo dele, foge, mas o Vitor não é um cara que dá bobeira... Eu acho que, de repente, de todos esses adversários que o Anderson já pegou, se essa luta se realizar, o Vitor, que entraria como um desafiante, tem que mostrar muito. Se ele já aceitou essa luta, se ele tem coragem, eu acredito que ele não vai ali para brincadeira.


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