Assine Já

Ambiente exclusivo do assinante Ainda não é assinante?
Saiba mais sobre como
tornar-se VIP, receber a
revista em casa e participar
da área restrita com mais
conteúdo e promoções
exclusivas.



Sugestão de Pauta Envie um tema a ser
abordado na revista ou
no site. Pode ser uma
matéria, Treino Aberto,
Entrevista ou qualquer
idéia que deixe nosso
trabalho ainda mais
interessante. Participe
agora mesmo!


Newsletter Receba as últimas notícias,
promoções e lançamentos
no TATAMEShop


 
 
Royler Gracie quarta-feira, 07 de julho de 2010 - 16:25:01 Por Erik Engelhart

Tetracampeão mundial de Jiu-Jitsu, Royler Gracie está com 44 anos e mantém uma qualidade de vida invejável. A lenda da arte suave tem como prioridade as coisas que lhe fazem bem, como sua família, o surf e, é claro, o Jiu-Jitsu. A TATAME trocou uma ideia com o faixa-preta que, assim como foi dentro dos ringues, não fugiu de nenhuma pergunta. Royler analisou a nova geração de lutadores, o panorama atual do Jiu-Jitsu no MMA e sua evolução, falou sobre a vitória de Fabrício Werdum em cima de Fedor Emelianenko, sobre Rodrigo Minotauro, defendeu a vinda do Mundial de Jiu-Jitsu para o Brasil entre muitos outros assuntos que você confere na entrevista abaixo.

 

O que você acha dessa nova geração de lutadores de Jiu-Jitsu?

 

Eu acho que cada vez mais eles estão melhores e mais afiados. A gente não pode dizer que o pessoal está estacionado. Toda hora tem uma técnica nova, um detalhe novo, e aí todo mundo começa a treinar e aquilo passa a não ser mais novo e aí começam outras coisas novas. Eu acho que a tendência é só crescer, só melhorar.

 

Algumas pessoas chegaram a duvidar da eficácia do Jiu-Jitsu no MMA atual após alguns triunfos dos ditos strikers, mas agora o momento se mostra muito favorável para a arte suave, que tem sido a arma principal de vários atletas. Como você vê esse cenário atual do Jiu-Jitsu no MMA?

 

Na verdade, eu não vejo o Jiu-Jitsu como uma desvantagem em hora nenhuma. Como eu te falei, existem lutadores que são strikers muito bons no Jiu-Jitsu e melhoraram muito o jogo deles. Os Wrestlers que aprenderam Jiu-Jitsu melhoraram muito o jogo deles. Os lutadores de Jiu-Jitsu se aperfeiçoaram dentro do MMA. O que eu posso dizer é que essa tendência vai cada vez ficar melhor porque cada vez vai se treinar mais Jiu-Jitsu e o Jiu-Jitsu vai ter mais dificuldade para ganhar também, porque quem treina Jiu-Jitsu sabe se defender do Jiu-Jitsu. A gente chegou num ponto que o cara tem que ser especialista em Jiu-Jitsu, ser bom de mão e de pé e tem que querer estar lá, ter coração.

 

O que você achou da luta entre o Fabrício Werdum e o Fedor Emelianenko?

 

Eu achei espetacular. Antes de o Werdum lutar no mundial, tipo uma semana antes, eu virei para o Werdum e falei: “você vai finalizar esse cara. O Fedor, para mim, não chega a um décimo do Jiu-Jitsu que você tem”. “Você acha?”, ele falou e eu respondi “Eu não acho, eu tenho certeza”. Logo depois da luta eu falei com ele para dar os parabéns e falei que já sabia (risos). Era aquele negócio, eu já sabia... A gente já sabia. Se ele lutar contra o Fedor 10 vezes, eu acho que ele tem condições de finalizar nove. O Jiu-Jitsu dele é muito melhor do que o Fedor, nem se compara. Você vê aí esse fenômeno, mas ele nunca lutou com um cara do calibre do Werdum.

 

Na sua opinião, por que muitos atletas oriundos do Jiu-Jitsu estão optando pela luta em pé e muitas vezes acabam levando prejuízo com isso?

 

Bom, a gente não pode esquecer que o MMA, o Vale-Tudo, esses eventos todos cobram muito dos atletas nessa parte de trocação e às vezes o atleta não quer fazer a trocação, mas é uma coisa que virou um negócio. Se você não for um bom trocador, eles não te trazem de volta, eles querem ver a trocação, eles não querem ver a luta no chão. A luta começa separada e começa na trocação, então é uma coisa impossível da gente evitar. Se você só quiser agarrar na luta, fica muito difícil. Eu acho que tem que ter um bom senso desse cara, que é um lutador de Jiu-Jitsu, e quer parar a luta, mas ele tem que esperar um pouco para o cara soltar uma outra modalidade e dar a oportunidade para ele de agarrar,mas não agarrar de ficar se jogando no chão. Às vezes o cara perde a conta e não tem essa conta de agarrar, não tem essa conta de clinchar no corpo a corpo.

 

Qual a diferença você vê no MMA antigo para o atual?

 

Eu acho que antigamente ninguém treinava Jiu-Jitsu, hoje em dia todo mundo treina Jiu-Jitsu. É o que o meu pai fala: a gente conseguiu chegar a um ponto que o Jiu-Jitsu é a coisa mais importante dentro do Vale-Tudo. Se o cara que não treina Jiu-Jitsu, a chance dele diminui muito.

 

Como você vê essa ascensão dos gringos do Mundial de Jiu-Jitsu? Você acha que eles podem chegar a ameaçar a hegemonia brasileira no esporte?

 

A tendência é que, a cada ano que passa, eles melhorem. Mas a gente não pode esquecer que os Mundiais estão sendo feitos na América, não estão mais sendo feitos no Brasil. A gente tem muita gente de talento no Brasil, mas que às vezes fica esquecido porque não tem dinheiro, não tem como tirar visto, não tem apoio financeiro, não tem patrocínio e isso dificulta muito para um cara que é talentoso dentro do Brasil de vir disputar um campeonato aqui fora. Eu acho que, em todas as categorias, tem caras muito bons, mas às vezes não tem como vir. Eu acho que a chance da gente ter esses caras de talento do Brasil dentro do campeonato é um dia o campeonato voltar para o Brasil para a gente pegar o que a gente tem de melhor e de peso, que é o nosso material humano.

 

Você é a favor dessa volta do Mundial para o Brasil?

 

Eu acho que seria importante para o crescimento do esporte, seria uma coisa boa para exatamente dar uma mexida nesse pessoal que não tem condição de viajar e também para a gente mostrar esses talentos que a gente sabe que tem, eu acho que tem, eu acredito nisso. Eu acho que é importante. A gente tem que trazer esse campeonato para o Brasil de novo. Eu acho que pode até ser intercalado... Não precisa ser sempre na América, mas também não precisa ser sempre no Brasil. A gente pode dar a chance a outros países das pessoas poderem ir lá competir sem ter que gastar tanto dinheiro.

 

Você acredita que o Rodrigo Minotauro pode voltar a brilhar entre os tops? O que ele precisa fazer para chegar lá e ser aquele grande campeão que a gente bem conhece?

 

O Minotauro é um cara que sempre levou o nome do Brasil aqui fora, é um cara que tem uma aparição aqui fora muito boa. É um cara com um contexto de lutador, de ser humano e de pessoa muito boa. É lógico que a gente tem que entender que todo mundo, aos poucos, vai perdendo um pouco e tem uma garotada nova que está chegando e acabam apertando esses caras que já estão há muito tempo. O Minotauro ficou muito tempo no topo, eu acho que ele tem condições ainda de brilhar, o Jiu-Jitsu dele é muito bom, mas a gente tem que ver que os outros caras estão melhorando também. E não é porque o Minotauro ficou pior... Eu acho que a gente tem que ter um pouco mais de treino, até um pouco de sorte do momento, até porque o Jiu-Jitsu dele é muito bom, a condição dele é muito boa e ele tem chance de brilhar sim. Talvez precise de mais treino.


Comente essa e outras notícias no Fórum TATAME
 
 
     

 



Copyright 1994-2010 - editora TATAME Ltda. Todos os direitos reservados. All rights reserved.