Gesias Cavalcante já foi considerado um dos melhores pesos leves do mundo, mas uma sequencia de lesões atrapalhou a performance do atleta, que havia feito apenas três lutas desde a conquista do GP do Hero’s em 2007, sem conquistar nenhuma vitória. Recuperado e na ponta dos cascos, Gesias voltou aos ringues no último final de semana contra o duríssimo Katsunori Kikuno e venceu na decisão dos juízes. Em entrevista exclusiva à TATAME, o peso leve comentou a luta, a estreia no Strikeforce, o desejo de disputar cinturões nos dois continentes e analisou a categoria no Strikeforce.
O que você achou da sua última luta?
Saiu tudo como eu estava esperando. Primeiro, eu queria agradecer a Deus, porque eu acho que, sem fé, não teria conseguido passar por todo esse processo que eu passei de lesão, confusão na marcação de luta, luta cancelada, luta adiada, luta, não luta... Eu amadureci bastante. É aquele negócio: fé em Deus e trabalho duro, que Deus recompensa no final. Uma das maiores coisas que eu aprendi nessa temporada foi isso. Deu tudo certo, Deus me abençoou com aquilo que eu necessitava e não aquilo que eu pedi. Ainda não estou satisfeito, mas estou feliz.
Você esperava que o Kikuno fosse ser essa pedreira toda aí?
Eu já sabia que ele era um cara bom, um cara duro. Muita gente ainda não o conhece, mas ele já tem um bom histórico de lutas, só perdeu uma luta para um cara de alto calibre, então eu já esperava que ele fosse um cara duro. Fez uma boa defesa de quedas ali no double leg, tem uma base quadrada de caratê, mas eu já estava esperando isso. Graças a Deus eu fiz um jogo mais inteligente. O meu maior risco foi não arriscar demais nessa luta. Fui ali, lutei consciente, de acordo com a estratégia, fiz a estratégia certinha e consegui seguir a maior parte dela. Tem muita coisa ainda para consertar, mas estou feliz com a luta. O importante é conseguir executar o que eu queria, mas tem muita coisa para alcançar, muito trabalho para desenvolver o meu potencial, ainda tenho que trabalhar muito.
A decisão acabou sendo dividida. O que você acha que fez os juízes discordarem entre si?
O primeiro round ficou ali, teve aquela trocação, então vai do olho de quem quer ver. Ele controlou, mas não conseguiu as quedas, não conseguiu levantar. Às vezes tem disso, de contar mais você conseguir sair de uma posição do que o cara chegar lá e encaixar a posição. Eu vi a luta duas vezes depois e a impressão que eu tive foi que a luta foi apertada, mas eu não o vi ganhando a luta. Essa coisa de decisão dividida e decisão unânime vai muito de juiz para juiz. Vai da visão de cada um. Se tiver três juízes de Boxe sendo juiz e o cara trocar mais, é lógico que os caras vão ver com os mesmos olhos. Se forem três caras do Jiu-Jitsu, vão ver a luta diferente, ainda tem essa coisa, até pelo esporte ser novo. O Vale-Tudo ainda está se desenvolvendo, então até chegar o dia que as pessoas verão a luta como uma luta, em todos os aspectos do Vale-Tudo, vai demorar um tempo. Fora a influência de país e tal, porque isso também conta.
Depois de duas derrotas e um no-contest, você voltou às vitórias. Como é este sentimento?
Estou muito feliz. Mas estou feliz também só de estar trabalhando, não senti nada na luta, tive uma performance no nível que eu esperava. É lógico que eu estava um pouco enferrujado, não estava confortável e acho que isso ainda atrapalhou um pouquinho, mas fisicamente eu estava bem, me senti bem, consegui me movimentar bastante, umas coisas diferentes para essa preparação, então eu estou muito satisfeito. Só estou fazendo o meu, seguindo o meu caminho, seguindo o que manda o meu coração.
O que o pessoal do Dream falou da sua vitória?
Os caras gostaram da luta. Logo depois da luta já teve um bafafá lá com os caras correndo e já pensando como seria a próxima, mas agora meu sonho é o Strikeforce. Estou só esperando eles me darem uma data. Se Deus quiser, eu vou continuar lutando nos dois, então vou ficar focado agora para essa minha próxima luta do Strikeforce e, depois dela acontecer, vamos ver o que eles vão me dar, a data... E depois, se Deus quiser, eu volto a lutar no Japão. Eles têm falado sobre eu lutar contra o Eddie Alvarez, mas eu o encontrei num Bellator e ouvi da boca dele que essa luta não ia acontecer porque os caras não iam deixar. O manager dele já tinha falado com o meu que essa luta não ia acontecer, mas o pessoal do Japão continua insistindo, é uma jogada deles. Estou esperando e agora o meu foco não é o Japão, o meu foco é a minha próxima luta no Strikeforce.
O Scott comentou que a sua próxima luta deve acontecer entre 60 e 90 dias a partir de agora. É essa a previsão mesmo?
É isso mesmo. Tinham falado do Josh Thomson antes dessa última luta dele, mas ainda não falaram nada porque ele quebrou a costela, não sei se ele vai estar recuperado. Espero que sim, vai ser uma ótima luta. Ele é um cara que já foi campeão e, depois dessa minha luta, pegar um cara como ele, iria ser muito bom. Vou esperar uma posição deles e ver quem vem. Está todo mundo meio ocupado, então vamos ver quem vai sair agora.
Como você vê os pesos leves no Strikeforce?
Tem uma galera dura ali. O Gilbert Melendez é um campeão, Josh Thomson é um excelente atleta, completo, lutou contra um cara bem duro nessa última luta dele, tem o KJ Noons que tem um excelente Boxe... Tem uma galera que está fazendo boas lutas para fazer um movimento na categoria.
Ainda tem o Shaolin, que você já enfrentou também...
Tem o Shaolin e o cara que o venceu, que tem um nome estranho... É uma galerinha. O peso está bom, animado. É bom para eu fazer uma boa estreia e fazer um bom trabalho no Strikeforce, continuar a brilhar, engrenar, já que eu estava há um tempo sem lutar. Em dois anos eu só fiz uma luta, estava ficando meio louco já (risos).
A ideia então é fazer uma boa estréia no Strikeforce e tentar, ano que vem, disputar os cinturões do Dream e do Strikeforce?
Com certeza. E é bom que o Strikeforce e o Dream têm uma parceria que deixa que eu lute nos dois eventos. É a melhor coisa pra mim, poder lutar nos dois. Estou focado, quero fazer umas lutas para poder terminar o ano bem. Estou com um objetivo, sei do meu potencial, acredito no meu treino, acredito na minha equipe, acredito na força da galera que me dá apoio, nos fãs. Nessa temporada eu pude ver que tem uma galera que gosta de coração mesmo e, vendo a galera com dificuldade, vai lá e dá uma força, um apoio. Vira e mexe mandam cartas, quando eu estou na internet, o povo dá muita moral e apoio. Queria agradecer pelo carinho e, para mim, a melhor maneira de retribuir isso é dentro do ringue.