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Rodrigo Comprido quinta-feira, 19 de agosto de 2010 - 14:44:01 Por Erik Engelhart

Treinador de Jiu-Jitsu do campeão dos pesos pesados do UFC, Rodrigo Comprido chegou ao Brasil no dia 27 de julho para visitar as filiais da Brasa e fazer seminários e a TATAME trocou uma ideia com o bicampeão mundial absoluto na academia de Muzio de Angelis, na Gávea, Rio de Janeiro. O especialista na arte suave falou sobre seus planos, comentou a vitória de Brock Lesnar sobre Shane Carwin através de uma posição ensinada por ele, analisou o próximo confronto com Cain Velasquez e a possível luta contra Junior “Cigano”, próximo da fila pelo título da categoria. Confira esses e outros assuntos na entrevista abaixo.

 

Como anda sua vida nos Estados Unidos?

 

Ainda bem que esse ano eu tenho viajado bastante. O lado bom é que eu tenho trabalhado muito, o lado ruim é que eu não pude lutar o Mundial, porque eu não estava treinando. Mas tive a oportunidade de conhecer lugares como a Grécia, Nova Zelândia e vários estados dentro dos Estados Unidos. Fiquei até meio incomodado com o tratamento que tive na Grécia, pois era muito... Eu falei calma gente, segura a onda que vocês não são meus pais (risos). De uma forma geral sou muito bem tratado quando viajo.

 

Como estão as coisas em sua academia Flow MMA?

 

Já tenho o meu primeiro faixa-roxa, e o Andrei Arlovski passou a ser nosso sócio, e existe uma chance a vir a trabalhar com ele, já que ele está dando aulas de MMA na minha academia. Ainda não conversamos nada, até porque ele lutou e está lesionado, mas é possível que a gente venha trabalhar junto. Não tem nada confirmado, mas é a tendência natural das coisas.

 

Você pretende tirar um pouco o foco das viagens e voltar às competições?

 

Cheguei aqui no dia 27... Eu havia feito uma luta casada no dia 26, nos Estados Unidos, e já estou me preparando para lutar o Chicago Open, mas estou me programando para não viajar no primeiro semestre do ano que vem para tentar lutar o Mundial em forma, pois desde que eu viajei ficou muito complicado.

 

As pessoas questionavam muito a técnica do Brock Lesnar e ele surpreendeu a todos tirando uma finalização da cartola depois de levar uma surra. Como você se sentiu vendo que seu trabalho foi determinante para que Lesnar mantivesse o cinturão dos pesados do UFC?

 

A posição que ele se sobressaiu foi a minha, mas é um conjunto de fatores que o levaram aonde ele chegou. Os parceiros de treino, os sparrings, o professor de Wrestling, de Boxe, Muay Thai, foi todo um trabalho que o fez vencer. Mas o final da luta culminou com uma posição que eu mostrei para ele e o meu trabalho ficou em evidência. Quem me conhece sabe que a luta dele contra o Frank Mir tinha muito dos meus ajustes e meus amigos aqui no Brasil até comentaram que o cara estava lutando igual a mim. Nós fazemos um trabalho para cada adversário e o que foi feito para luta contra o Mir foi muito bom, pois ele não conseguiu mexer nem o olho no chão. Essa finalização do Brock foi muito boa para mim, para ele, e respondeu uma porção de perguntas e restrições que as pessoas tinham com o Brock.

 

Como é o Brock no dia a dia?

 

É um cara que tem coração de lutador e se dedica para estar onde ele está. É um cara tranquilão que quer levar a vida em função da família dele e das coisas dele e tem gente que muitas vezes não entende. O cara não gosta de falar com a imprensa e as pessoas não entendem... Ele não gosta, fazer o que? Ele esteve na mídia a vida inteira com o WWE, que é o telecatch dos caras... Eu conheci os caras no telecatch e eles são tratados como astros de cinema, e o Brock está cansado dessa badalação, não quer mais saber disso. Ele quer ficar no canto dele com a família e é o pessoal que vai atrás dele.

 

Depois do sufoco que o Brock passou em pé, vocês pretendem focar mais no Wrestling e Jiu-Jitsu e evitar a trocação?

 

É claro que eu não vou poder te adiantar qual vai ser a estratégia usada contra o Velasquez, mas eu vejo o Cain tentando usar a forma física dele, pois ele tem um gás muito bom e acredito que vai ficar lutando por fora o tempo inteiro, vai dar soco, vai correr, vai chutar, isso tudo girando... Talvez tente um single leg por fora, imagino que seja essa a estratégia do Velasquez. É obvio que ele pode vir com uma surpresa e nós também. É um lutador mais completo do que o Carwin, mas não com a mesma pegada, pois a pegada do Shane era absurda e o Brock foi o único cara que eu vi aguentar um direto dele.

 

E em uma possível luta com o Cigano, qual seria o caminho?

 

Acho que temos que dar um passo de cada vez. Eu vi a luta do Cigano e o acho um excelente atleta, não tem como ele ser ruim de chão porque ele já faz Jiu-Jitsu há algum tempo e treina com os irmãos Nogueira e com o Demian, com certeza não é um bobo no chão. O Cigano tem uma mão muito pesada, é muito forte, e no tempo certo vamos analisá-lo a fundo. O UFC tem os melhores pesos pesados do mundo, não tem moleza, e o Brock sabe disso. Quem imaginaria que o Anderson ia tomar sufoco, que o BJ iria perder o cinturão? O nível é muito alto e quem está chegando está vindo na pressão, e para se manter tem que se desdobrar. Todos querem vencer o Brock, que é o campeão. Imagino que ele vá vencer e lutar com o Cigano e vão ser duas paradas duríssimas... Vai ser bem legal de assistir.


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