Ex-campeão peso médio do UFC, Murilo Bustamante está confiante no sucesso de seu pupilo Rousimar Toquinho no evento norte-americano. Com três vitórias consecutivas, duas por finalização na conhecida chave de pé, Toquinho fará a luta principal do UFC Fight Night 22 contra Nate Marquardt, e Murilo acredita que uma vitória colocará seu atleta perto de uma disputa pelo cinturão. Numa entrevista exclusiva à TATAME, Bustamante analisou o combate, comentou o sucesso de Toquinho no UFC e falou sobre sua derrota no Impact FC, revelando que sofreu uma crise de labirintite durante o combate.
Qual é a expectativa para a luta do Rousimar Toquinho?
Cara, a expectativa é a melhor possível. O Toquinho está bem, melhorou para caramba tecnicamente em tudo. Na verdade, ele teve que ir a Las Vegas agora fazer os exames médicos do UFC. Os caras não estavam aceitando os exames aqui do Brasil, então ele foi lá fazer os exames e volta, chega aqui no domingo e a gente já recomeça o treinamento dele.
Vocês estão em Las Vegas agora?
Não, eu não fui, ele foi sozinho e está fazendo os exames lá e já volta para cá. Aí a gente recomeça o treinamento. Ele está bem para caramba, os treinamentos estão bons, tecnicamente ele está bem... Eu tive que dar uma segurada nos treinamentos para ele não ficar pronto antes da hora (risos). A expectativa é a melhor possível, a gente está bem confiante. Ele está treinando sério e está tudo indo de vento em popa.
O Nate é reconhecido por ter uma trocação boa e ainda ser faixa-preta de Jiu-Jitsu. Vocês já definiram uma estratégia para essa luta?
Eu já estou estudando o jogo dele, estudando bem, então já está tudo na cabeça. Eu falo com o Rousimar, digo o que ele tem que fazer. Já está dentro da cabeça dele, agora ele só está ensaiando um número para poder apresentar lá.
O Toquinho está com duas finalizações com chave de pé. Se o Nate bobear, ele pode ser o terceiro? Você acha que uma finalização sobre o Marquardt pode catapultar o Toquinho nos rankings?
É mesmo, a gente estava vendo os rankings aí, eu acho que ele está em 13º ou 16º, ou seja, ele está chegando... É uma luta muito importante porque, dependendo de como for, se ele finalizar ou nocautear, ele dá um salto grande... Entra no top 10 e passa a ser ranqueado para disputar o cinturão. Então vai depender do UFC...
Você já foi campeão dessa categoria. Como é ver o Toquinho caminhando passo a passo para o topo da categoria?
Poxa, cara, eu fico muito feliz em poder ajudar alguém e mais ainda por essa pessoa ser merecedora disso. O Toquinho chegou à BTT vindo de uma cidade de interior, botei ele na minha equipe, vi que ele tinha jeito para a coisa, então ele foi galgando desde o princípio, desde lá de baixo ele vem melhorando, buscando a própria vitória. A coisa mais satisfatória que tem é ver a vitória de um aluno. Ajudar ele a buscar a vitória e com ele tendo a chance de ser campeão, vai ser um sonho duplo sendo realizado: dele e meu. Vai ser uma felicidade enorme ver um aluno meu se tornar campeão em um evento que eu já fui campeão, exatamente na mesma categoria na qual eu lutava.
Falando de você, o que aconteceu na sua última luta, quando você se sentiu mal?
Cara, eu tive uma crise de labirintite decorrente de uma pancada na cabeça, ou no chão ou de algum soco. Eu falei com os médicos, fiz exames aqui e eles falaram que foi mesmo labirintite. Eu já tinha tido isso em 1995, se não me engano, e depois em 2000 e poucos, mas por conta de uma pancada no pescoço... Depois disso, nunca mais tive, nunca tive durante uma luta. Nessa luta agora aconteceu... Fiquei muito tonto no chão, não tinha tomado nenhuma pancada forte, então isso me deixou sem saber o que estava acontecendo, comecei a ficar mal ali no chão... Quando eu levantei, eu achei que a tontura ia passar porque eu não sabia o que estava acontecendo e, quando eu levantei e dei um passo para cima dele, rodou mais ainda e eu fiquei mais tonto.
Perdi o equilíbrio, fiquei muito vulnerável... Se o meu adversário percebe o meu estado e parte para cima de mim eu estaria em maus lençóis, mas, por sorte, o Big John percebeu e interrompeu ali, viu que não tinha chance da luta recomeçar. A labirintite é uma coisa estranha porque ela te permite fazer alguns movimentos, mas nos movimentos bruscos, como virar de um lado para o outro no chão ou levantar, você fica realmente muito tonto. Durante uma luta, esse tipo de coisa é muito perigosa, então não tinha muito o que fazer... Mesmo estando bem ali, indo razoável na luta – inclusive eu acho que ganhei o primeiro round –, não teve jeito.
Depois dessa luta você voltou a sentir alguma coisa?
Cara, eu fiquei uma semana sentindo esse sintoma, dei seminários, mas tinha horas que eu estava mostrando uma posição e tinha que parar porque eu me sentia tonto, levantava e ficava muito tonto, mas podia andar normalmente. Na rua eu não sentia nada... Só quando eu me levantava que ficava tonto e chegava até a perder o equilíbrio. Voltei para o Rio, fiz uns exames e foi passando, até que eu não senti mais nada. O médico já me liberou para treinar.
Você acha que a questão do fuso horário e o fato do evento ter sido em um horário mais cedo, por ser transmitido ao vivo para os Estados Unidos, acabaram agravando esse problema?
Não, cara. Acho que o meu problema foi mais por causa de alguma pancada que eu levei. Não tomei nenhuma pancada forte, mas em alguma pancada a minha cabeça bateu no chão e eu não percebi ou eu tomei um golpe e isso disparou o problema da labirintite. Eu saí do hotel às nove da manhã e fui lutar ao meio dia, então o fuso horário não atrapalhou, tanto que eu cheguei lá com uma semana de antecedência. Lutar meio dia não foi bom para mim, foi péssimo, mas não influiu em nada na minha labirintite.