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Artigo: consagração e decepção no UFC 118 segunda-feira, 30 de agosto de 2010 - 13:58:57

Por Nico Anfarri*

Foto UFC

 

Cinturão em jogo, disputa pela chance de desafiar o campeão e um embate quase filosófico entre uma luta e o esporte que mistura todas elas. Esse UFC 118 foi melhor pelo que representou, pela essência do que vimos do que pelo produto final. Como uma manga rosa de aroma delicioso, mas que se mostra ainda meio verde ao corte.

 

O melhor combate do card principal foi entre o menino problema que a América odeia amar, Nate Diaz e o contínuo do MMA, Marcus Davis. A granada irlandesa de Davis não explodiu e Diaz, fora uma gracinha no começo que lhe custou algumas carimbadas da logo UFC no crânio, não teve dificuldades para dominar com precisão e alcance. Um estrangulamento ao final do terceiro round quase custou a Davis mais do que a luta, já que o árbitro por ter achado que o mais irlandês dos americanos estava se fingindo de morto, demorou para dar a luta por encerrada, mesmo depois de balançar seu braço e não obter nenhuma reação como resposta. Mais alguns segundos e Davis poderia ter pago o preço da incompetência do árbitro com mais do que algumas células cerebrais. Parabéns para Nate que agora só precisa se decidir em qual peso vai tentar seguir sua carreira, já que flutuar entre as categorias se mostra mais vantajoso para o bolso do que para o cartel.

 

Gray Maynard poderia ser patrocinado por uma marca de remédios para dormir já que toda luta sua nos induz a um sono profundo. Não fosse eu um amante de MMA e intrigado por ver como ele superaria o sistema de auto upgrade de Kenny Florian, teria marcado um encontro com Morfeu, com certeza. O pragmatismo tático de Maynard é tão preciso que chega e incomodar. Ele luta de maneira matemática, parece que cada movimento é calculado. Não há fantasia nem emoção, mas também não há erros ou fendas para o adversário aproveitar. Um adversário chato de ser vencido e de ser assistido, mas um digno desafiante ao cinturão. Kenny precisa passar alguns meses no Tibete ou tomar a pílula vermelha para expandir a mente e encarar lutas decisivas ou por cinturão, com a mesma coragem e criatividade que encara todas as outras. O resultado poderia até ser o mesmo, mas ele sairia do octagon se lamentando menos.

 

Demian Maia não lutou nesse UFC 118 ele passeou na terra abandonada chamada Mário Miranda. Esse é um bom exemplo de porque o casamento de lutas é uma arte. Agendar um confronto entre dois lutadores TOP é fácil. Mesmo que a luta não corresponda as expectativas, terá vendido bastante pay-per-view. Complica quando o casamento é entre um dos melhores no peso e um menos conhecido e competente. Num casamento inteligente, temos uma luta interessante e disputada como a de Minotouro e Jason Brilz, mas num casamento mal feito, temos Demian e Miranda. Vitória de um dos melhores atletas brasileiros sobre um que nem sabe ao certo porque estava lá. Miranda merece mais uma chance contra alguém que também esteja carregando nas costas o peso de ainda não se sentir em casa no maior evento do planeta.

 

Os americanos amam Randy Couture, parece um cara legal, daquele que nos emprestaria dinheiro para pegarmos um ônibus, mas ele tem talento suficiente para não precisar fazer lutas bizarras como essa. James Toney parece um dos homens primitivos e brutais dos quais todos os seres humanos da atualidade um dia evoluíram. Uma criatura agressiva e intrigante que se adequaria melhor ao interior de um bloco de gelo perdido em alguma montanha do Alasca, ou aos ringues de boxe onde trucidou a maioria de seus oponentes durante anos. Para Dana White a vitória fácil de Couture provou que MMA é superior a boxe, mas para mim provou que ele está mais preocupado com cifras do que com a evolução do esporte.

 

A vitória de Frank Edgar sobre o lendário B.J. Penn em seu primeiro combate roubou do ex-campeão mais do que seu cinturão dourado, roubou sua alma também. O sempre eufórico e confiante Penn parecia empalhado antes da luta. Olhar perdido de quem perambula pela rua pensando num modo de contar para a esposa grávida que acabou de ser demitido. Alguma coisa estava desencaixada. Alguma conjunção astral não estava alinhada. Penn não estava lá. Seu corpo estava, seu espírito, não. Edgar, que não está nem aí para esses dilemas da alma, zapeou ao redor do ex-campeão com a velocidade de quem transita entre duas dimensões, como se fosse sair tremido em qualquer foto, independente de flash. Edgar parece um caiaque com motor de lancha, energia demais para um receptáculo tão pequeno. Incansável, leve, imparável, decidido e corajoso, superou Penn, sem dificuldade nos 5 rounds. Se Penn realmente estava com a cabeça fora da luta, podemos dizer que Edgar fez o que tinha que ser feito e terá em Maynard um desafio muito maior. Mas se Penn usou de todas as suas habilidades e apenas pareceu lento e sem foco por conta do dinamismo nuclear de Edgar, então presenciamos o começo de um longo reinado no peso leve.

 

* Nico Anfarri é empresário da área da saúde, filósofo, cronista de MMA e escreve para o blog mmanapontadoqueixo.blogspot.com


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Cadu 10/02/2012 20:08 Drogas Ae rapaziada, pra quem tiver interesse sobre a questao de doping de drogas consideradas recreativas aqui vai a materia uma: http://waves.terra.com.br/surf/noticia/colunas/tulio-brandao/velha-polemica-de-roupa-nova/51332; ou mesmo uma recente dissertaçao de mestrado: http://igitur-archive.library.uu.nl/student-theses/2011-0628-200548/Scriptie Michel Riemersma.pdf. Este assunto esta em discussao no surf. A ASP vai iniciar esse ano a pegar a \"danada\" no doping.. Entao ja viu, muita polemica... abs
LACRAIA 10/02/2012 17:25 MELHORES DO K-1 Ele era baixinho, porém um verdadeiro carne-de-pescoço. Estou falando do MIKE ZAMBIDIS.
Rafael Soratto Souza 10/02/2012 15:33 P/ Wellington. Otimos seus comentários, assino embaixo.
juliano ramos pitombo 10/02/2012 14:58 Treinadores no TUF Brasil As equipes escolhidas por Vitor e Wanderley são interessantes nos seus aspectos de mudanças no MMA. Enquanto o Cachorro loco foi na base da camaradagem, escolheu praticamente amigos seus e parceiros de treinos. O Vitor que não tem essa de raízes foi ao que tinha de melhor, pegou o melhor treinador de boxe de MMA aqui no Brasil, que tem duas participações no TUF, pegou o melhor professor de Wrestling Rodrigo Artilheiro, trouxe o Francisco Filho o melhor lutador do Brasil no K1, como sempre o Vitor não tem preocupação de acolher os parceiros de treinos, tem o Gilberto Durinho que é considerado pupilo de Vitor, acredito que é uma forma de promover o menino. Já o Wand foi à base da amizade pegou os parceiros da academia de Rafael Cordeiro, pegou só amigos não sei se foi uma boa escolha, claro que não vou comparar os treinadores um por um, mas se fosse acredito que o Vitor começou melhor, agora resta ver as equipes de lutadores.
Ricardo Lemos 10/02/2012 14:48 Charles Charles, a faixa preta ta indo rápido demais mesmo. Mas pelo jeito é só para atleta profissional. Isto deve ser explicado porque a faixa preta dá mais status para o lutador, mais promoção. Então eles já entregam a preta mesmo, o que vai contra a filosofia de arte-marcial do jiu-jitsu. Muitos lutadores não mereciam a faixa preta, mas já a tem. Agora, quando se trata de puro jiu-jitsu, até onde sei, é dureza pegar a faixa preta!!! A não ser que o sensei seja amigo do aluno e esteja observando a evolução dele beem de perto! Numa academia com vários alunos, se destacar para conseguir a faixa-preta demora muitos anos de persistência na arte suave, muitos dedos ralados, orelhas inchadas, litros de suor e muitos, mas muitooosss 3 tapinhas no tatame! OSS
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