Eduardo Santoro, mais conhecido como Português, foi um dos grandes destaques da World Cup, torneio da WLPJJ que agitou o começo do mês em São Paulo com uma premiação de R$ 100 mil. Depois de tratar duas graves lesões, que o mantiveram longe dos treinos por mais de cinco meses, o faixa-preta vestiu o quimono e venceu o absoluto no máster, mas roubou a cena mesmo na categoria adulto, finalizando os favoritos Guto Campos e Sérgio Moraes e levando para casa R$ 5 mil pelo ouro. Em entrevista exclusiva à TATAME, Português comentou sua volta aos tatames, falou sobre as lesões, comemorou as vitórias e prometeu mais títulos em 2011.
O que você achou do campeonato?
O campeonato foi super organizado, mesmo o Fepa tendo problemas com a entrega dos tatames. O nível estava altíssimo com as categorias de preta recheadas de atletas de ponta, não dava para saber quem era o favorito. Foi um campeonato pra fechar o ano com chave de ouro, realmente.
Você foi um dos grandes destaques do torneio, finalizando inclusive o campeão absoluto. O que você achou da sua performance?
Minha performance me surpreendeu, pois estava sem colocar o quimono desde o Mundial até o dia 8 de novembro, que foi quando voltei a treinar, devido a uma lesão que tive na virilha antes do Mundial, e depois estourei o joelho e tive que operar. O Instituto Vita foi de suma importância para minha recuperação. Eu ia lutar o absoluto máster e, se estivesse me sentindo bem, iria pro adulto meio pesado. Quando fechei o absoluto máster com André Bastos, os caras da minha categoria adulto estavam aquecendo e eu já tinha lutado. Desde a primeira luta uma pedreira, que é o Yan Cabral, depois o Alex Monsalve, Guto Campos e Serginho Moraes, sendo que os quatro estão num ritmo mais forte que eu esse ano, mas meu mestre Max me encheu de confiança e me pôs na cabeça pra lutar pra frente, com alegria, e foi o que tentei fazer em todas minhas lutas.
Qual foi a luta mais difícil?
Todas foram muito difíceis, suadas, mas acho que estava num dia iluminado e deu tudo certo. No Jiu-Jitsu é assim, você tem que estar preparado e iluminado. Tem campeonato que você treinou pra caramba, está no auge, e na hora da luta pega o campeão no começo, perde na combatividade e ninguém nem sabe que você lutou. E uma vantagem poderia reverter toda essa trajetória.
O que você achou da final contra o Serginho?
Ele era o favorito... Desde que ele ganhou do Kron (Gracie) vem fazendo campeonatos brilhantes e levando quase tudo, se bem que o conheço há muito tempo e ele sempre foi um dos tops da categoria. Então entrei sem responsabilidade, e no começo ele me deu uma queda e estava bem na luta, até a hora que consegui encaixar uma omoplata. Ele escapou e depois peguei no arm-lock que eu faço há muito tempo, mas ele deu a volta por cima e ganhou o absoluto em cima do duríssimo Alexandre de Souza, que havia ganho a categoria pesado.
O que você acha da premiação em dinheiro paga aos atletas?
A premiação em dinheiro é fundamental para todos nós que vivemos do Jiu-Jitsu. Imagina quantas aulas eu teria que dar para ganhar a quantia que faturei na World Cup... Conheço o Fepa desde 1994, quando comecei a treinar e ele era faixa-azul. Sempre foi um incentivador do Jiu-Jitsu organizando grandes campeonatos. O Black Belt era muito legal, com premiação de R$ 2.000 há uns oito anos atrás, ninguém pagava isso. E hoje em dia os campeonatos mais bem pagos do Brasil são os dele. E todo mundo recebe na hora e em dinheiro. Ele chega com uma maleta preta pesada lotada de dinheiro no campeonato. Falei pra ele: “cuidado, Fepa, com a maleta (risos)”. Espero que ele possa dar continuidade nesses campeonatos, e que muita gente que ama o Jiu-Jitsu não precise migrar pro MMA pela questão financeira.
Quais são os seus planos para 2011? Vai entrar forte em todas as competições?
Em 2011, pretendo entrar nas principais competições no Brasil e todas que eu tiver condições financeiras fora do Brasil, pois amo competir e faço isso desde 1994, me motiva a treinar forte, me alimentar bem, estar atualizado tecnicamente e estar no meio dessa molecada nova cada vez mais forte subindo pra preta e eu tendo que segurar a onda com eles.
Quer deixar algum recado?
Queria agradecer muito minha família, meu mestre Max e meus patrocinadores 6 Energy Shot, Probiótica, Red Restaurante e kimonos Vulkan pela força que eles me dão e todo o suporte para eu continuar treinando forte. Espero superar meus limites em 2011 e entrar em condições de brigar com os melhores em todos os principais campeonatos pelos títulos. Esse é meu mundo. Parabéns à revista, é um grande orgulho escrever para vocês.