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Ary Farias quinta-feira, 03 de fevereiro de 2011 - 16:42:14 Por Guilherme Cruz

O jovem Ary Farias deu show em sua primeira competição como faixa-preta. Depois de anotar duas finalizações, Aryzinho pegou o experiente Bruno Malfacine na grande final, e ficou com o ouro por pontos. “Faixa preta não é a Disneylândia, aquilo ali é tenso”, disse Ary, em entrevista à TATAME, sem acreditar que foi subestimado pelos adversários por ser um “novato”. “Eu não quero acredita nessa hipótese, mas se isso aconteceu todos viram que eu não vim para brincar e não sou nenhum garoto, não estou de bobeira nenhuma”, afirmou, rasgando elogios a Malacine. “Não é porque eu ganhei dele que isso significa que eu seja melhor que ele. Estou longe disso. Eu tenho duas opções: fazer o triplo do que ele anda fazendo ou nascer de novo. Ele é um ótimo lutador, só de eu chegar na final com ele é um honra para mim”, exalta.

 

O que você achou do seu desempenho no Europeu desse ano? Saiu tudo como você estava esperando?

 

Eu acho que o meu desempenho foi excelente para essa competição. Você colhe aquilo que planta, então, se você esta plantando o certo, vai colher o certo, se estiver plantando o errado vai colher o errado. Com a glória de Deus eu fiz a minha parte, procurei me focar o máximo para esse campeonato, mastiguei os treinos legal. Tenho a certeza que ainda tenho muito para apreender e muito para evoluir, mas isso não é da noite para o dia. Estou fazendo o meu trabalho, que é correr atrás...

 

Eu foquei em um objetivo, quero ser o melhor do mundo. Sei que para isso é difícil, mas vou atrás. Eu acredito em mim e sei que posso ir sempre mais longe. Nada é impossível na vida, tudo a gente conquista. Estou ligado que para isso eu vou ter que suar muito o quimono e fazer muitos calos nas mãos, mas estou disposto a fazer tudo para ser o melhor do mundo um dia. Eu não consigo ver outras pessoas dedicar essa vitória além do meu dos meus pais, essa vitória é mais deles do que minha. Eles são os meus maiores fãs, apostadores e incentivadores do meu sucesso. Sem miséria, essa vitória é de vocês. Obrigado por tudo, vocês são demais.

 

Quantas lutas você fez e como elas foram?

 

Eu fiz três combates com caras preparados e com sede de vitória. Na primeira luta eu peguei nas costas, na segunda eu finalizei na chave de pé, e na minha luta final foi uma guerra estilo Afeganistão (risos), por 6x4 em pontos.

 

Na final você pegou uma pedreira, o Bruno Malfacine. Como foi a sensação de bater o maior nome da categoria na atualidade logo na sua primeira competição de faixa preta?

 

Ganhar do Bruno Malfacine com certeza foi um espetáculo, eu aproveitei o momento. Mas já passou isso para mim, é passado. Estou pensando sempre em frente. Eu ganhei uma batalha, mas não a guerra. Não é porque eu ganhei dele que isso significa que eu seja melhor que ele. Estou longe disso. Eu tenho duas opções: fazer o triplo do que ele anda fazendo ou nascer de novo. Ele é um ótimo lutador, só de eu chegar na final com ele é um honra para mim. Eu tenho um respeito gigante por ele. Eu estou realmente estou sem palavras para falar sobre ele. Ele é um grande guerreiro e tem espírito de campeão. Vou estar sempre buscando fazer o melhor sempre. Foi iradíssimo esse Europeu. Eu e ele demos um grande gás na nossa final, foi sinistra para os dois lados. Foi uma final marcante, com dois caras na pilha de vitória e com  muita gana. Eu só tenho a agradecer a ele pelo show de combate e por todos terem julgado a nossa luta a melhor do evento.

 

Ele foi a sua luta mais difícil no Europeu?

 

Com certeza. Eu não estou aqui para menosprezar nenhum dos meus adversários, mas ele estava no gás.

 

Você acha que de certa forma foi subestimado por ser o seu primeiro ano na preta?

 

Eu não quero acredita nessa hipótese, mas se isso aconteceu todos viram que eu não vim para brincar e não sou nenhum garoto, não estou de bobeira.

 

Você tinha conquistado o Europeu duas vezes na marrom, inclusive pegando o bronze no absoluto do ano passado. Teve um gostinho diferente esse ano?

 

Antes eu tentava entender porque a galera toda, quando ganhava um titulo mundial na faixa preta, ficava fora de si. Eu não ganhei nenhum titulo mundial na faixa preta e sei que para isso acontecer vou ter que fazer por onde. Eu ganhei apenas uma competição importante para a minha carreira, mas já foi uma sensação sem explicações. Imagina se um dia eu receber a glória de Deus e for campeão mundial... Nem sei do que sou capaz de fazer naquela pirâmide de Long Beach...

 

Você sentiu alguma diferença nas lutas na faixa preta?

 

Eu já sabia a diferença, os meus parceiros de treinos já tinham me falado como eu deveria me comportar nas minhas lutas, que eu não podia errar, que faixa preta é faixa preta, que tinha que estar o tempo todo focado e malandro, não podia perder posição porque senão eu ia pagar caro por esses erros. Mas eu não tinha sentindo ainda na prática, e tudo que eles falaram é a pura verdade. Faixa preta não é a Disneylândia, aquilo ali é tenso.

 

Qual a sua expectativa para esse ano?

 

A expectativa é a melhor possível, e correr atrás dos meus sonhos dentro e fora do tatame, fazer o que sei de melhor e dar o meu máximo. Foca todas as cargas para os principais campeonatos da IBJJF e treinar, treinar e treinar para chegar sempre nas cabeças.

 

Quando você volta a lutar?

 

Eu estou com muita gana de competições, mas preciso cuidar do meu corpo, isso é a minha ferramenta de trabalho. Eu tive uma lesão na costela faltando duas semanas antes do Europeu e por duas semanas não pude dar tudo nos treinos. Fiquei desapontado, pensei em não competir, mas a minha família e os meus parceiros de treinos me animaram e mandaram 100% energias positivas e me animei. Agora, só preciso renovar o meu espírito, a minha alma, e focar em mim. Há duas semanas eu perdi uma das pessoas mais importante da minha vida, então não está sendo fácil, mas isso é a vida, faz parte. Só ganha e perde quem está nela. A nossa vida é um “game” e tudo isso são fases que temos que passar. Eu preciso estar firme e forte comigo mesmo.

 

Você vai tentar uma vaga no Mundial Profissional? Qual a expectativa?

 

Com certeza absoluta, esse é o projeto. O time Atos vai carregar todos os holofotes para essa competição, ali vão estar os mais sinistros da arte suave, então vamos lá. E eu não quero ficar de fora dessa.

 

Quer deixar um recado?

 

Quero que Deus mande todas as glórias e saudades para nos em 2011. Vamos que vamos, sempre para frente. Que esse seja o ano de todos. Galera, não há milagre sem sacrifício. Vamos amar o nosso trabalho, independente de qual for.

 

ESTA COBERTURA TEM O PATROCÍNIO DE KEIKO SPORTS


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