Por Guilherme Cruz
Foto Josh Hedges
Anderson Silva x Vitor Belfort ficará marcado na história do MMA. Não pelo combate em si, que encerrou aos três minutos e 25 segundos com um nocaute a favor de Anderson, mas pela dimensão que a peleja tomou em todo o país.
Em Las Vegas, é comum ver bares e boates se renderem ao MMA e prepararem uma programação especial a cada edição do UFC, mas o preconceito com o esporte no Brasil era uma barreira difícil de ser superada. Não era raro ver donos de bares negarem pedidos de fãs para sintonizar no canal Combate. Porém, a história mudou com o UFC 126.
A “luta do século”, que estampou a edição mais vendida da Revista TATAME em 2010, tomou conta do país.
No Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e principais capitais das regiões Norte e Nordeste, a cada bar que você fosse, lá havia pelo menos uma televisão ligada no Ultimate. Nas boates da zona sul do Rio de Janeiro, terra natal de Belfort, as festas se interromperam durante alguns minutos para que os jovens assistissem ao combate. O desfecho deixou alguns fãs tristes, e outros apenas resumiam: “não dá, o Anderson é imbatível”.
A expectativa em torno da luta, ampliada com a cobertura maciça da grande mídia e do trabalho impecável da TATAME em Las Vegas, quebrando todos os recordes de audiência e colocando a TATAME TV como um dos canais mais assistido do mundo durante toda a semana no YouTube (no fim de semana, a TATAME TV ficou em primeiro lugar no Brasil), levou crianças e adultos a esperarem até três da manhã pela luta do século.
E como brincou o jornal O Globo, que por vezes estampou o UFC na capa do caderno de esportes e ainda criou uma cobertura especial em seu site, “o século tem três minutos”.
Satisfeitos com a vitória de Anderson e o interesse do grande público na luta, os treinadores de Anderson conversaram com a TATAME e festejaram a dupla vitória. “A dimensão que essa luta tomou foi incrível, abriu muitas portas não só para o Anderson, mas para o MMA como um todo”, comentou Ramon Lemos, apoiado por Luis Carlos Dórea. “Ele está em outro nível, impressionante... A trocação dele é de outro planeta”, elogia.
“Comandante geral” da tropa que preparou Anderson, Ramon Lemos, líder da equipe Atos Jiu-Jitsu e um marinheiro de primeira viagem quando o assunto é MMA, não escondia a felicidade. “Estamos muito felizes, esse é o resultado de um longo trabalho. Estou ligado às lutas desde os cinco anos de idade, quando comecei no Jiu-Jitsu, e agora trabalho com MMA com o Anderson”, comemora.
Antes da luta começar, a TATAME convocou 20 especialistas, que analisaram o jogo de Silva e Belfort para o combate, e apenas um apontou vantagem para o desafiante. Enquanto muitos esperavam um duelo longo e estudado, porém, Anderson e sua equipe sabiam exatamente o que queriam.
“O professor Dórea apostou, alguns minutos antes da luta, que terminaria entre o fim do primeiro round e o começo do segundo, e disse: ‘o Anderson vai arriar o Vitor com esse chute’. E realmente aconteceu... A nossa estratégia era essa, entrar com o chute no queixo”, revela Ramon, se despedindo com um sorriso no rosto.
Anderson Silva, sempre caladão e monossilábico nas entrevistas, foi ovacionado pelos fãs e imprensa após a luta. Ele mesmo, que foi duramente vaiado na pesagem e lutou sob os gritos de “Vitor! Vitor!”. Na coletiva de imprensa após o show, ainda em Las Vegas, Anderson estava mais sorridente, afinal havia quebrado seu próprio recorde no Ultimate: 13 vitórias consecutivas e oito defesas de cinturão.
Próximo adversário? Georges St. Pierre? “Vai ser soco para cá, soco pra lá, chute para lá, chute pra cá... Vai ser engraçado”, decretou, repetindo a previsão que fez antes do combate contra Belfort.
E aí, alguém duvida?