Responsável pela única vitória brasileira no UFC on Versus, evento que aconteceu ontem nos Estados Unidos, o mineiro Rousimar Toquinho bateu um papo com a TATAME e, para a surpresa de todos, revelou que não treina as chaves de pé, modo como anotou sete das nove vitórias por finalização, incluindo a vitória de ontem, sobre Dave Branch. “Vou te falar a verdade, eu não treino muito a chave de pé, é uma coisa natural minha. Sempre que eu vou lutar, a pessoa pensa que eu vou pegar o pé e ficam se escondendo muito, ficam na defensiva, então tive que aprender a pegar o que dava na hora”, disse Toquinho, que falou sobre seus treinos na BTT, a evolução na trocação, a ida do UFC para o Rio de Janeiro e uma possível luta contra Anderson Silva, atual campeão da categoria. “Todo mundo, se lutar bem, pode dar trabalho para o outro. Eu acho que eu posso dar trabalho para ele, sim”, afirmou.
O que você achou da luta? Saiu tudo como vocês estavam planejando?
Não tudo como a gente tinha planejado, mas deu tudo certo, graças a Deus. Estou muito feliz com o resultado dessa luta.
O Dave Branch conseguiu trabalhar bem até certo momento a defesa de quedas, a escapada da chave de calcanhar... Você se surpreendeu com essa defesa dele?
Na primeira vez eu fui, mas não ficou muito justa a posição, aí pensei que tinha cometido um erro, mas pouca coisa, e sabia que se fosse de novo conseguiria... Foi o que eu fiz, mas tentando pegar de outro ângulo e de outro jeito.
Todo mundo que te enfrenta espera que você ataque o calcanhar, mas ninguém consegue defender... Você já pegou caras duríssimos de Jiu-Jitsu, e ninguém consegue evitar. Qual é o segredo?
Não é segredo, é por causa da minha estatura, e muitos caras também são do Wrestling, então eles sabem defender muito a parte de cima, a parte de quedas, mas essa parte de perna é difícil defender porque ninguém está preparado. Eu vou procurando um caminho até encaixar. Quando encaixa certinho, eu fico até ele bater.
Mais uma perna para a coleção, não é?
(gargalhadas) Deu tudo certo.
Com quem você aprimorou essas chaves de pé e os ataques no joelho? Eu vi vídeos seus no começo da sua carreira e você já usava esses golpes. Como você descobriu esses ataques?
Foi com o meu antigo treinador, Waldomiro... Colocavam uns caras muito mais pesados para treinar comigo e isso me obrigava a fazer vários outros tipos de posição. Eu fui desenvolvendo algumas posições de perna, e isso era melhor porque os caras entravam mais com guilhotinas, montadas, chaves de braço, então tive que trabalhar as outras opções.
Nos seus treinos na BTT, você foca o treino nas finalizações de pé ou faz um treino geral? Como é a divisão?
Vou te falar a verdade, eu não treino muito a chave de pé, é uma coisa natural minha. Sempre que eu vou lutar, a pessoa pensa que eu vou pegar o pé e ficam se escondendo muito, ficam na defensiva, então tive que aprender a pegar o que dava na hora. Eu não sei lutar sem tentar pegar, o que estiver mais fácil para mim eu vou tentando pegar até dar certo.
O cara fica preocupado demais com o pé e acaba deixando um pescoço ou o braço e aí já era, não é?
Tem muita finalização, você não faz nem ideia, mas cada vez eu vou me soltando mais e os caras vão me dando as chances para eu buscar outro tipo de posição, outro tipo de finalização, porque é a única coisa que eu sei fazer, que eu gosto de fazer. Eu gosto de fazer isso, eu faço naturalmente.
Outra coisa interessante do seu jogo é um estilo solto. Na sua estreia no UFC, você estava nas costas do Ivan Salaverry e nem pensou duas vezes em largar as costas para ir para o braço, quando muitos atletas persistiriam nas costas. Essa agressividade em pensar primeiro em um ataque e depois manter a posição de vantagem também é um segredo?
Eu treino muito isso, fico tentando muito chegar à posição. Quando vejo que tenho que fazer muita força ou que eu tenho risco de perder, eu vou mudando, ligando uma na outra sem correr muito risco. Cada vez que você muda de posição você corre um risco e você tem que saber o que você vai fazer porque assim você tem o tempo para se recuperar.
Você é um cara muito bom de quedas e ainda está evoluindo na parte de trocação. Como você vê essa sua evolução no Boxe e Muay Thai? Você já sente uma evolução?
É claro, sinto muito essa evolução. Tem muita gente me ajudando nessa parte. Tem o Claudio Coelho, tem os alunos dele que treinam comigo, todo mundo me ajuda nessa parte de Boxe e eu vou melhorando, mas o que é o meu automático mesmo é o Jiu-Jitsu. Eu me sinto melhor a cada dia na parte de trocação, vou melhorar cada vez mais. Cada vez vocês vão ver um cara melhor na trocação, se Deus quiser.
Você enfrentou o Dan Henderson, que é um wrestler de alto nível, e colocou pra baixo várias vezes. Como é esse seu treino de Wrestling?
Nesse trabalho de Wrestling, eu busco em quedas diferentes, às vezes em quedas simples, mas é porque eu tenho um suporte muito bom de Wrestling e eu gosto de treinar Wrestling. O pessoal que está do meu lado me ajuda muito: o Murilo, o Antoine... Tem coisas que eu ainda faço com um pouco de inexperiência e eles vão me colocando no caminho certo para fazer do jeito certo, sem ter que ficar fazendo muita força.
Muitos fãs acham que, se você melhorar a sua trocação, poderia trazer um jogo perigoso para o Anderson Silva pelas suas boas quedas e pelo Jiu-Jitsu. O que você acha?
Todo mundo fala isso, que eu sou o cara que posso dar trabalho, mas todo mundo, se lutar bem, pode dar trabalho para o outro. O segredo da luta é você estar bem na luta, focado. Eu acho que eu posso dar trabalho para ele, sim. Estando bem, treinado, com a cabeça no lugar, no lugar e na hora certa... O dia que chegar a hora, eu vou estar pronto. Ele é o campeão, eu não tenho o que falar.
O UFC vem para o Brasil em agosto. Você pensa em quem sabe ter uma chance nesse card? Como seria a emoção de lutar no Rio de Janeiro, onde você mora atualmente?
Quem sabe... O que ele me der para fazer, eu vou fazer, vou trabalhar. Eu boto tudo na mão de Deus.