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Rafael Feijão quinta-feira, 10 de março de 2011 - 12:41:25 Por Guilherme Cruz

Nada saiu como Rafael Feijão planejava em sua luta contra Dan Henderson, no Strikeforce. No começo da peleja, o brasileiro quase conseguiu o nocaute, mas o gringo conseguiu reverter a situação, equilibrar o combate e, no terceiro round, anotar sua 13ª vitória sobre brasileiros com um nocaute. De volta ao Brasil sem o cinturão do Strikeforce, Feijão bateu um papo com a TATAME e comentou a derrota para o americano e revelou que o Strikeforce não lhe ofereceu uma luta contra Roger Gracie, falou sobre seu futuro no evento e a possibilidade de Fedor Emelianenko descer de categoria para enfrentar Henderson.

 

O que saiu dos seus planos?

 

O que saiu diferente foi aquele soco, a primeira coisa foi isso. Até então eu estava indo legal na luta. Tomei uma queda que não precisava, e é bem difícil um cara me botar para baixo. Ele fez uma estratégia boa, lutou bem pra caramba. Ele é um cara inteligente, sabe lutar, tem experiência, e achei bom que o meu condicionamento estava bem melhor do que o dele, tanto que eu estava me sentindo bem com a luta correndo, que ia progredir mais no quarto round, mas ele é perigoso... Infelizmente aquela mão pegou, mas eu estava fazendo a estratégia que combinamos, de tentar a meia para a longa distância, evitando brigar muito. Ele é um cara que joga muito a cabeça na hora que está brigando. O primeiro golpe que eu tomei foi esse mesmo, e já viu, né? Não tem o que fazer.

 

No primeiro round você quase o derrubou com aquela direita, derrubando o Henderson em knockdown, e ele que tem um queixo muito duro. Com um pouquinho a mais acabava a luta ali?

 

Eu tenho essa visão boa. Foi um knockdown, mas ele estava bem, vi no olho dele, vi que ele estava sabendo o que estava acontecendo, e por isso que eu não fui com o ímpeto de terminar e me desgastar à toa. Eu deixei ele se desgastar um pouco mais, por causa da idade dele, do meu condicionamento... Eu estava usando um pouco disso, deixando a luta correr um pouco mais.

 

Você esperava que ele fosse insistir tanto no jogo de te segurar na grade, trabalhando o clinche, apostando tudo no swing de direita?

 

Achei. Aquele jogo na grade, para mim, foi muito bom. É uma situação que eu me sinto confortável. Aquilo estava melhor para mim do que para ele... Eu sabia que ele ia fazer aquele swing, mas ele mudou. Naquele momento que ele acertou um swing na hora que eu fui dar um cruzado de esquerda. Ele estava jogando o swing primeiro para fora, naquele momento em que eu fui jogar o cruzado, ele jogou um swing por dentro... Por isso que pegou.

 

O que você tirou de aprendizado dessa luta?

 

Eu gostei muito da minha preparação física, me senti muito bem fisicamente, além de tudo. Eu consegui fazer a minha estratégia. O que eu tiro dessa luta é o que eu sempre soube: o MMA de luvinha é f... Se pegar no lugar certo, é um golpe duro e pode acabar. A nossa profissão é assim, ingrata. Você se prepara por três meses para uma luta e ela pode acabar em três segundos. O negócio é sempre tentar aprender um pouco com isso. A gente tenta sempre se defender dos golpes, não receber golpes em luta nenhuma. A partir do momento que você começa a lutar e se machucar, eu acho que não vale mais a pena, independente de quanto você ganhe. O importante é você entrar lá, não se machucar, se preservar como atleta...

 

Das 27 vitórias do Dan Henderson, 13 foram contra brasileiros – um grande carrasco para os brasileiros, que só o derrotaram em cinco oportunidades. Vai ter volta?

 

Com certeza. O mundo dá voltas. Eu estava lá, estava indo bem, minha estratégia estava boa, estava mais bem condicionado, não tinha tomado nenhum golpe ainda, mas é assim... Luta é luta, só está exposto quem está em cima, é 50-50 sempre. Não tem esse negócio de favoritismo, favoritismo acaba em dois segundos, quando uma mão pega no queixo. Eu acho que tenho capacidade de ganhar dele como lutador e a gente vai se ver de novo rapidamente, pode ter certeza disso.

 

O que você espera no evento? Você já está pensando em fazer uma luta para tentar recuperar o cinturão?

 

Eu nunca foquei assim no cinturão. Você sabe disso... O meu foco é na próxima luta, no meu treinamento, no meu próximo adversário... Meu foco é nisso. O cinturão, para mim, é só consequência, é o presente que você ganha no final da luta. A minha cabeça em relação ao que aconteceu é a mesma, porque nunca tive esse cinturão como um peso para mim. ‘Ah, eu estou defendendo o cinturão...’ Não é isso que me importa, o que me importa é o aprendizado, e isso ninguém pode me tirar.

 

Saiu em um site gringo (MMARating) de uma possível luta sua com o Roger Gracie. Isso chegou a ser comentado com você?

 

Não. Eu ainda não sei disso, na verdade ainda nem estou pensando nisso neste momento. Agora é um momento que eu quero descansar, ficar perto da minha família, que mora em Cuiabá e estou sempre longe deles. É o momento de rever o que eu fiz de errado, começar a arrumar, depois voltar a fazer a minha preparação. Vou ter um momento meu e depois, quando for definido esse meu adversário, a gente pode até conversar sobre isso.

 

Estão falando que o Henderson agora vai defender o cinturão contra o vencedor entre o Gegard Mousasi e Mike Kyle, mas também foi cogitada a possibilidade de o Fedor descer de categoria para poder disputar o cinturão. Disseram que o empresário do Fedor negou esses rumores, mas é uma possibilidade. Como você vê essa descida de categoria do Fedor para esse peso, quem sabe disputando um cinturão?

 

Eu acho um lutão. O Fedor é um atleta muito duro, mostrou isso por muitos anos, mas o MMA é  um esporte que tem sua evolução muito rápida, você não pode parar, não pode ficar muito tempo sem lutar de jeito algum senão você perde o timing da luta. Eu acho que pode ser legal, pode ser uma luta dura. Os dois são atletas duros e experientes, eu acho interessante.


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