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José Aldo sexta-feira, 20 de maio de 2011 - 09:00:01 Por Erik Engelhart

Em entrevista exclusiva à TATAME, o peso pena José Aldo, campeão do UFC, falou sobre a sua primeira defesa de título no evento, contra o canadense Mark Hominick, disse que estava sob controle no último round e acredita que o combate deveria ter sido encerrado devido ao hematoma no rosto do canadense. Aldo comentou também a estratégia de botar Hominick para baixo, falou sobre os rumores de uma possível luta com o invicto Chad Mendes, no UFC Rio, e muito mais.

 

Qual o balanço que você faz dessa sua primeira defesa de cinturão no UFC? Saiu tudo conforme o esperado?

 

Nós fizemos um trabalho todo certinho, tivemos cinco rounds e, na luta, a gente tem que estar preparado para tudo.

 

O Dedé (Andre Pederneiras) confirmou que você teve uma infecção no pé antes da luta. Você chegou a lutar lesionado?

 

Eu estava 1000%. Lesão, acho que todo atleta tem, acho que isso não interferiu em nada. O tratamento foi importante. Se eu não tivesse feito o tratamento, aí sim teria feito diferença, mas eu tratei, fiz tudo certinho e estava com um corte no dedo do pé, mas estava treinado e não influenciou em nada. Não teve problema de lesão ou algo do gënero. Lesão é quando um joelho está fora do lugar ou alguma coisa... Isso daí não foi nada.

 

Você acha que o tempo em que você ficou afastado influenciou em alguma coisa lá dentro da jaula ou não?

 

Para mim, não. Eu lutei como em todas as lutas. O tempo maior que eu fiquei sem lutar acho que me deu mais força ainda para chegar lá e fazer o meu trabalho. Eu acho que, o quanto mais você fica um tempo sem lutar, com mais vontade eu fico de entrar lá dentro e mostrar o meu trabalho.

 

E aquele hematoma na cabeça do Hominick... Você chegou a ficar preocupado ou se assustou? Você acha que a luta deveria ter sido interrompida? Em algum momento você hesitou em bater ali porque estava meio esquisito?

 

O hematoma foi assustador, estava muito grande. Eu não queria estourar aquele hematoma de jeito nenhum. Eu acho que a luta tinha que ser parada. Se fosse com outro cara, teriam parado. Mas, faz parte... Eles não pararam e a gente lutou mais, ele mostrou também a sua garra, foi um cara muito guerreiro em terminar os cinco rounds, me colocando no chão e tudo, brigando até o final. Foi sensacional. Isso só valorizou a luta. Eu gostei, mas acho que tinham que ter parado sim, pelo fato de estar muito grande o hematoma dele, o que expôs o atleta ao risco.

 

Você mostrou um lado seu que você não vinha mostrando muito, que é a parte de Wrestling e as quedas. Você colocou muito bem para baixo... Vocês já vieram com essa estratégia de quedas e ground and pound?

 

Com certeza. A estratégia foi essa: botar para baixo e manter a luta em baixo, para que quando a gente subisse, ele já não estivesse nos seus 100%. Como eu te falei, no MMA, a gente tem que usar tudo: a luta de chão, queda, em pé... Hoje, o atleta que quer ser campeão, quer chegar a algum lugar, tem que estar preparado para tudo. Sempre que eu chegar para uma luta, vou estar preparado para lutar em pé, no chão, ou onde a luta ocorrer.

 

Naquele quinto round, você ficou por baixo e o Hominick trabalhando no ground and pound. O Dedé falou que estava tudo sob controle, mas a galera ficou com o coração na mão, com medo de você tomar uma no queixo e, de repente, ser desconectado... Como você realmente estava se sentindo naquele sufoco final?

 

Foi como o Dedé falou mesmo, estava tudo sob controle. A gente fez essa preparação na academia com vários caras, com a luta caindo, eu estando por cima ou por baixo, mas todo mundo comentou que eu estava cansado, que eu estava tomando antibiótico e não sei o que...  A verdade é que ele sentiu um gancho que eu dei, e com isso foi para as minhas pernas e eu tentei pegar ele numa guilhotina, pegar o pescoço, e fiquei ali por baixo, mas estava tudo bem.

 

Eu estava me sentindo bem, bloqueando bem com as pernas os socos. Com certeza entraram vários golpes dele também, mas isso é luta, faz parte, mas eu estava tranquilo. Tem muita gente falando que eu estava cansado, mas a minha respiração estava normal, só que já estava no quinto round, então a força não é a mesma do que a do primeiro round. Ele até poderia acertar no meu queixo naquela situação, mas no quinto round a força já não é a mesma do começo da luta. A luta estava ganha, só precisei segurar o round, na hora até conversei com o Dedé, ele viu que eu estava sob controle e ficou tranquilo.

 

Aquele final de luta foi histórico, quando você foi fazer aquelas flexões ao lado do Hominick para mostrar que ainda estava no gás. O que foi aquilo? Foi uma demonstração de respeito dos dois?

 

Foi bom. Ele sempre faz flexão quando termina a luta e eu fui lá fazer um agrado. O detalhe é que eu fui fazer de mão fechada, e ele costuma fazer de mão aberta. Eu estava me sentindo bem ali. Estava lutando normal como no primeiro, segundo, o terceiro e o quarto rounds, tudo normal. Foi um pouco de show mesmo eu fazer aquelas flexões, eu acho que isso faz parte do negócio.

 

Você já tatuou mais uma cabeça no ombro? (Aldo tem tatuado no ombro caveiras que representam os adversários que já derrotou)

 

Quem me dera, ainda não tive tempo, mas tenho que preparar mais uma, porque depois desse lutão vou ter que fazer uma especial para esse combate. Com certeza irei “homenagear” o Hominick.

 

Estão cogitando essa luta com o Chad Mendes, um cara que está invicto... Já está certa essa luta? Existem rumores de que aconteceria no UFC Rio.

 

Cara, eu não sei de nada ainda. Eu acho que isso daí não é a minha parte. A minha parte é voltar para treinar, e isso é o empresário que estipula. E agora eu tenho que voltar a treinar e esperar.

 

Mas você conhece esse cara que estão cogitando? Seu treinador já falou que pode acontecer, mas não confirmou... Se ela acontecer, você sabe alguma coisa do jogo dele, já pensou em alguma estratégia?

 

Com certeza. Se for ele, já o conheço de outras lutas, já sei mais ou menos como é o jogo dele. Eu já o encontrei no vestiário algumas vezes, então com certeza a gente teria que bolar um bom plano para enfrentá-lo. Mas, por enquanto isso não tá confirmando, não tem nada certo, e eu nem voltei a treinar ainda. Eu peguei uma suspensão da Comissão, então só daqui 30 dias que voltarei. Tem que acabar a suspensão, e aí eu volto a treinar.

 

Você está nessa expectativa de receber esse convite para lutar no UFC Rio? Você sonha em lutar de frente para o seu público?

 

Não só eu, mas todos os lutadores do Brasil. Vontade eu tenho, mas eu acho que o card já está quase todo fechado, e como já tem uma disputa de cinturão, é difícil ter duas. Então... Mas vamos ver, vamos esperar.

 

Fique à vontade para mandar um recado...

 

Queria deixar um abraço para todo mundo. Obrigado pela torcida, pela força. Queria sempre agradecer porque eu não luto só por mim, eu luto por todos os meus fãs.


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