Por Guilherme Cruz
Foto Eduardo Ferreira
Campeão brasileiro de Caratê, Jayme Sandall é o responsável por introduzir a arte nos treinos de Vitor Belfort desde a vitória do “Fenômeno” sobre Rich Franklin, em seu retorno ao UFC. Em entrevista exclusiva à TATAME, o carateca comentou a preparação de Belfort para sua próxima luta, contra o japonês Yoshihiro Akiyama, e apostou tudo na vitória. “Em todo cenário que eu coloco na minha cabeça, não vejo o Vitor perdendo essa luta. Seria uma zebra muito grande”, decreta Jayme, que falou sobre o nocaute sofrido pelo carioca diante de Anderson Silva e muito mais.
Como está a preparação do Vitor, focado para a luta contra o Akiyama no UFC?
Ele já começou o treinamento, liguei e falei com ele outro dia. Ele está em um dos melhores lugares do mundo para se treinar, que é a Xtreme Couture, que tem vários sparrings, a estrutura lá é maravilhosa, tem muito equipamento, muito material humano... Ele está treinando com o Cézar Mutante, que também acabou de fazer uma luta de Vale-Tudo e nocauteou em 13 segundos... Ele está muito bem assessorado lá.
Você acha que o jogo deles casa bem?
Casa... Ele é um cara muito duro, como todos eles são. Mas eu, sinceramente, não vejo o Vitor perdendo essa luta. Em todo cenário que eu coloco na minha cabeça, não vejo o Vitor perdendo essa luta. Seria uma zebra muito grande o Vitor.
Você acha que é melhor ele lutar em pé ou levar para o chão, já que o Akiyama recentemente foi finalizado pelo Chris Leben?
Para o Vitor essa luta tem que ficar em pé, apesar de que o Vitor também é superior no chão. Como eu te falei, não vejo o Vitor perdendo essa luta.
Você acha que vai ser uma luta fácil para o Vitor?
Não. Fácil, não. Eu acho que esse é um problema: não se pode levar nada nesse sentido. Quando você considera a luta muito difícil, ela acaba sendo fácil. Como foi o caso do Rich Franklin. O Vitor fez uma preparação muito forte e, na cabeça dele e de todo o time, ia ser uma luta duríssima, e acabou sendo uma luta fácil. Eu acho que o pensamento tem que ser o mesmo: vai ser uma luta dura, difícil, tem que ter cuidado. Mas, se Deus quiser, vai ser uma luta fácil.
Como você vê o Vitor na categoria? Vencendo essa luta e mais umas duas, você acha que ele tem chances de disputar o cinturão de novo?
Eu acho que sim, porque todo mérito tem que ser dado para o Anderson pelo chute que ele deu, mas a gente sabe que tem um quê de sorte dele. Foi um golpe muito bem encaixado que calhou de entrar, mas a luta até então estava muito boa. Indiscutível a vitória. O Vitor não tinha mesmo que ter uma revanche agora porque foi uma vitória demolidora, devastadora. Mas, o Vitor ganhando essa agora e mais uma, tem que ter uma revanche. Ele continua sendo, para mim, o único cara da categoria que pode vencer o Anderson. O Anderson pode perder até lá? Pode, mas seria uma zebra. Para o Vitor, não.
Estava todo mundo esperando uma luta entre Vitor e Wanderlei. Você acha que essa luta poderia acontecer?
Acho que sim. O Wanderlei pediu tanto essa luta, não entendi muito bem porque depois ele mudou de ideia. Tem muita gente que diz que ele correu. É óbvio que ele não correu, o Wanderlei não corre de ninguém, o Wanderlei não precisa provar mais nada para ninguém. Ele é um cara que talvez tenha sido um dos maiores nomes do MMA brasileiro na história. Mas, talvez, por algum motivo, ele tenha preferido não fazer essa luta agora. Talvez, ele vencendo e o Vitor vencendo, quem sabe não acontece essa luta? E depois, o vencedor dessa luta poderia pegar o Anderson Silva. Já pensou? O Wanderlei ou o Vitor lutar com o Anderson... De qualquer forma, casa cheia.
Vocês já previam que ele fosse tentar fazer algo como aquele chute? Vocês tinham se preparado para isso?
Olha, eu procurei catalogar todos os golpes que o Anderson usa, o que foi difícil, porque o Anderson faz muitas coisas do arco da velha, tira coisas da cartola... Mas eu sei que ele usa muitos golpes na linha da cintura. De qualquer forma, a gente treinou muito defesa de chute no rosto. Infelizmente, o Vitor parou. Teve um momento que ele parou, e o Anderson teve tempo de calibrar, calcular a distância em uns dois, três segundos... Você não pode ficar parado três segundos na frente do Anderson, mas você também não pode ficar parado três segundos na frente do Vitor. O Anderson calibrou o chute e foi muito feliz.
Como está a sua vida desde que você começou a treinar com o Vitor? Mudou alguma coisa em termos de visibilidade?
Mudou bastante. Foi exponencial o crescimento que eu tive de visibilidade. Para mim foi bom, tudo isso é muito bom, e para o Caratê é muito bom. Eu estou tendo a chance de divulgar o Caratê, tive a chance de até explicar um pouco as regras do Caratê... Foi muito bom porque eu mudei muitas coisas no meu treinamento, porque eu incorporei coisas do treinamento profissional, no qual eu aprendi e vi lá nos Estados Unidos na parte do MMA. E o treino do MMA serve muito para o Caratê também.
Você pensa em trabalhar mais voltado para o MMA, além do Vitor?
Penso sim, principalmente na parte de técnico, porque eu gostei muito, mas também como professor. Nas minhas aulas de Caratê, estou incorporando algumas técnicas que aprendi do MMA, que eu acho muito importante. Antes tinha aquele negócio de treinar só uma arte... Hoje, eu acho besteira. Mesmo que você goste de Jiu-Jitsu, dentro da aula de Jiu-Jitsu é importante que o professor te passe algumas outras técnicas diferentes. No meu caso, com o Caratê, eu gosto de passar algumas coisas do Jiu-Jitsu, que eu acho uma luta formidável, algumas partes do clinche, que vem no Muay Thai. Até na minha aula eu mudei o meu estilo um pouco.