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Leonardo Vieira quinta-feira, 26 de maio de 2011 - 17:55:01 Por Erik Engelhart

Bicampeão do ADCC, Leozinho Vieira participa da maior competição de Grappling do mundo desde 2000 e esse ano o faixa-preta está mais motivado do que nunca e cheio de novidades. O líder da Checkmat, que foi quatro vezes finalista na categoria até 66kg, dessa vez lutará na categoria até 77kg e sabe que as pedreiras estarão em seu caminho como sempre, só que dessa vez mais pesadas. “Eu estou me sentindo muito motivado, mas não sei se vou sentir por causa da troca de categoria. É a mesma coisa de sempre: treino para caramba e estar preparado porque a pedreira vai ser a mesma. Só que vai vir coisa pesada”, brincou Leozinho. Confira na entrevista exclusiva abaixo, as expectativas do faixa-preta para o ADCC 2011, seus palpites para as superlutas e o porquê ele considera o quimono fundamental para o refinamento da luta agarrada.

 

Como está a expectativa para lutar o ADCC, uma competição que você conhece bem?

 

Para o ADCC desse ano e eu vou vir 100%. Os meus alunos inclusive estão me ajudando muito na minha dieta, nos meus treinamentos e me dando todo o suporte necessário para fazer uma boa competição. Eu sou o cara que mais lutou. Eu luto desde 2000. Eu lutei em todas as edições desde que comecei. Essa agora deve ser o quarto ou quinto ADCC.

 

E o que muda com esse peso novo?

 

Muda que eu vou ter que fazer menos dieta, perder menos e sofrer menos para bater o peso. Mas o resto, meu irmão, é a mesma coisa de sempre: treino para caramba e estar preparado porque a pedreira vai ser a mesma. Só que vai vir coisa pesada.

 

O que a gente pode esperar do Leozinho nesse ADCC? Mais um show?

 

Mais ou menos (risos). Eu estou me sentindo muito motivado, mas não sei se vou sentir por causa da troca de categoria. É um campeonato que eu estou amarradão para lutar, e agora, com essas superlutas entrando, aumenta ainda mais o cenário da luta. Eu acho que vai ser muito bacana. Vai ser um campeonato que vai marcar bastante de novo.

 

O que faltou no último ADCC para você encontrar essa motivação? E o que mudou do ano passado para esse ano?

 

Então, eu acho que o último ADCC eu entrei mais pelo fato de ter conquistado os campeonatos anteriores, então você acaba sendo convidado, e eu fiquei meio que me sentindo na obrigação de comparecer às lutas, entendeu? Tem muita gente querendo lutar, e eu lutando, e eles não podem lutar. Então eu me senti na obrigação de ter que lutar. Mas é um campeonato que tem muita tradição, é um campeonato que eu gosto muito, eu tenho um carinho muito grande por essa competição.

 

Você arrisca algum palpite na superluta entre o Renzo Gracie e o Zé Mário Sperry?

 

Cara, eu acho que qualquer coisa pode acontecer. São duas pessoas, dois caras que eu vejo há muito tempo, eu os acompanho há muito tempo e é impressionante de ver. Não tem como arriscar. Eu fico naqueles 50% para os dois. A gente quer ver um bom espetáculo, uma boa luta, e tenho certeza de que é assim que vai acontecer, sem a menor sombra de dúvidas.

 

E nessa revanche do Royler contra o Eddie Bravo? Você acha que o fato dele estar treinando há muitos anos sem quimono possa ser uma vantagem para ele, ou você aposta no Royler?

 

Cara, o Eddie Bravo treina Jiu-Jitsu. Eu acredito e sei que o lutador se prepara para uma série de qualidades. Ele tem várias qualidades, e ele vai se preparando nelas. Existe o fator sorte também. Eu acredito no Jiu-Jitsu. Eu acho que, por mais que você lute muito tempo sem quimono, pode ajudar, mas não é o diferencial. O diferencial é o Jiu-Jitsu ser o que é. Por ser uma das melhores lutas da parte do grappling, do sem quimono, essa parte abre um espaço, um leque de opções muito grande. Eu quero muito ver essa luta, principalmente porque na última luta houve um monte de acontecimentos que foram surpresa. E acredito que todo mundo queira ver essa luta de novo.

 

Você derrotou o Eddie Bravo na semifinal do ADCC 2003. Você acha que a vitória dele sobre o Royler não acontecerá novamente, como o próprio Royler disse, “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”, ou você acha que é um combate imprevisível?

 

Nesse ADCC, eu tinha acabado de lutar com o Rany Yahrya e fiquei esperando quem ganhasse dessa luta e eu ia lutar com o vencedor desse combate, que seria o Royler ou o Eddie Bravo. Até próximo do final da luta seria o Royler e, de repente, foi o Eddie Bravo. E eu acabei lutando com o Eddie Bravo no evento de Abu Dhabi, onde eu fui campeão. Óbvio que eu gostaria de ver essa luta, mais ainda porque eu estava ali e vi como tudo aconteceu de perto, por isso aposto na vitória do Royler, que tem mais recursos, acho que ele vence essa revanche.

 

Por que você acha que os caras que treinam Jiu-Jitsu, muitas vezes levam vantagem no Submission em cima de lutadores que costumam treinar sem o quimono?

 

Eu acho que o quimono te dá uma série de opções de pegada diferentes, e aí você vai para o sem quimono com um monte de ideias, mas tendo que criar as oportunidades, então você começa adaptar aquelas pegadas que você fazia antes e acaba criando muita coisa. A grande característica do lutador de Jiu-Jitsu acaba sendo isso: é uma adaptação. Ele é inclusivo. Essa parte de improvisar é muito característica do Jiu-Jitsu. Na luta de quimono você tem uma série ilimitada de posições, então isso faz a diferença.


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