Campeão peso pena do UFC, José Aldo estreou na organização com o pé direito, ao derrotar o canadense Mark Hominick. Após sua primeira defesa de cinturão, o faixa-preta da Nova União aguarda a definição de um novo desafiante, que provavelmente será Kenny Florian, segundo Dana White anunciou após o americano derrotar Diego Nunes no UFC 131. Na entrevista exclusiva, que você confere abaixo, Aldo analisou a derrota de seu companheiro para seu futuro desafiante, falou sobre a expectativa para assistir ao UFC Rio, analisou a escolha de Florian e explicou qual o seu segredo para não cair na perigosa “zona de conforto”, maior vilã dos campeões.
Ainda no UFC 131, quando Kenny Florian derrotou seu companheiro Diego Nunes, Dana White declarou que ele seria seu próximo desafiante. O que você achou da luta?
Poxa, cara, foi uma ótima luta. Ele mostrou várias posições e fez uma grande luta, faltou vencer. Ele foi muito bem ali, e poderia até ter conseguido o nocaute, mas infelizmente ele perdeu e faz parte. Não sei de nada até agora a respeito da luta com o Florian, ainda está para ser confirmado.
O que você acha que faltou para o Diego sair com a vitória? Você acha que o corte na cabeça o desestabilizou?
Eu acho que o machucado pode ter desestabilizado ele, mas não sei. Ele estava bem no treinamento, estava treinando muito bem, fazendo tudo certinho, mas chegou na luta e alguma coisa deve ter pegado, eu não sei ainda, porque não conversei com ele para ter uma conclusão maior. Mas, pelo que eu vi, ele cansou ali, não sei se aqueles cortes abalaram ele, mas eu acho que não. O Diego é um cara guerreiro, já passou por situações piores e foi até o final e venceu a luta. Mas isso daí é assim mesmo, luta é luta.
E sobre o UFC Rio. Quais lutas você está ansioso para ver acontecendo?
Eu estou na espera pelo evento inteiro. É um card cheio de brasileiros, então eu quero estar lá presente. É um marco no Ultimate, e todas as lutas envolvem um compatriota nosso, então eu estou na torcida por todos os brasileiros, mas não apenas por uma luta em especial.
Você acha que o fato do Diego Nunes já ter lutado com o Florian, no caso da confirmação desta luta, de certa forma te ajuda?
Cada um tem um estilo, então apesar de ser alguém com que um companheiro de equipe já tenha lutado, acho que isso independe. Primeiramente, quando confirmar, a gente vai sentar, vai ver as lutas, vai analisar tudo certinho, e aí sim vai montar a estratégia. Por enquanto, a gente está esperando confirmarem o dia e tudo certinho para podermos dar uma estudada no Kenny e partir para cima, fazer mais uma defesa lá.
Você já conseguiu identificar algum caminho que seja interessante traçar diante o jogo do Florian?
Eu vi a luta como um torcedor, então é muito difícil a gente vê-la com um olhar clínico. Eu vi a luta como torcedor, estava torcendo para o Diego, então eu não consegui observar, eu só observei a luta como um todo, até porque foi rápida. Geralmente, quando você vê como torcedor, você não analisa tanto, você torce pela vitória do seu animo e quer que tudo saia bem. Então eu não observei tecnicamente, mas a gente está esperando. Quando for confirmado tudo certinho, a gente vai pegar, sentar e ver e aí sim a gente vai ver os pontos fracos e fortes para poder montar uma estratégia.
Caso se confirme essa luta, você acha que o Florian é um cara credenciado para essa disputa de cinturão ou você acha precoce essa chance que ele terá?
Então, isso depende muito. Toda vez que o Ultimate tiver qualquer alternativa, eu vou lutar. Se for o Kenny Florian, eu vou chegar lá e fazer o meu papel. Eu sou um contratado, então quem manda é o Dana White, o Lorenzo, o Joe... Então eu tenho que chegar lá e ganhar, independente se meu oponente estava credenciado, se ganhou a primeira luta ou não. Eu acho que depende deles. Eu só venho a somar com o Ultimate. Se eles colocarem o Kenny, tranqüilo para mim. Se eles acham que ele merece, eu não vejo problema algum. Eu acho que vou chegar lá e fazer o meu máximo.
Na sua última luta, você mostrou um lado seu que estava adormecido: as quedas e um poderoso jogo de ground and pound. Você acha que pode voltar a ser o José Aldo da trocação, no caso de uma luta com o Florian?
Com certeza. Eu gosto de receber bastantes críticas construtivas, e eu acho que isso me ajuda a melhorar o meu jogo. Passando a semana, eu ouvi vários comentários e observei a luta duas vezes e vi que o cara tem um Boxe bom, mas eu sou muito melhor do que ele no Boxe, dei um knockdown nele, então eu acho que eu estou bem para caramba, já que levei vantagem no Boxe, em cima de um cara que era um striker nato. A minha trocação sempre está afiada, toda vez que eu lutar, eu luto em pé, no chão, onde cair... Eu sempre tenho uma carta na manga, eu sou faixa-preta de Jiu-Jitsu, e nunca posso esquecer minhas raízes, então sempre que eu tiver a oportunidade, dependendo da estratégia, eu posso colocar para o chão e fazer essa parte de ground and pound também.
Como fazer para não cair naquela perigosa “zona de conforto” que muitas vezes pode ser letal para um campeão?
Não caio nessa armadilha por causa de todos os objetivos que eu tenho na minha vida. Eu acho que todo lutador tem seus sonhos e objetivos, então eu quero alcançar todos. Eu sou um lutador, então eu sempre tento buscar os objetivos que eu traço, e o que me motiva bastante é a busca por quebrar recordes. Eu gosto de estar aí bem, então estou procurando fazer isso, o que me motiva são os objetivos que eu tenho... Eles são meus grandes incentivadores.