Rafael dos Anjos anotou um dos nocautes mais bonitos do UFC 132, mandando o australiano George Sotiropoulos para a lona em menos de um minuto de peleja, e era só festa em Las Vegas. No dia seguinte ao retorno com vitória, o faixa-preta bateu um papo exclusivo com a TATAME, feliz com a evolução em pé. “A estratégia era explorar os chutes altos e baixos, mas começou a luta e eu senti que a mão dele não estava tão pesada, aí me encorajei mais a entrar na trocação”, disse Rafael, que comentou a estratégia adotada e lamentou o revés de Wanderlei Silva par Chris Leben. “O clima estava tenso... Dois atletas perigosos, mão pesada... Todo mundo imaginava que poderia ser uma rápida, e infelizmente foi a favor do Leben. Estávamos torcendo pro Wanderlei, mas não deu”.
O que você achou da luta?
Entrei para, a principio, ganhar os rounds, mas a gente esperava buscar o nocaute ou a finalização, e não esperava que fosse acabar tão rápido. Graças a Deus fui feliz e consegui acabar no primeiro minuto de luta.
Qual era a estratégia?
A gente assistiu bastantes lutas dele e vimos que ele usava muito pouco os chutes, trabalhava com a perna na frente, e fomos explorar aquela perna na frente. Fui para tira proveito disso, que ele só usa a mão em pé. A estratégia era explorar os chutes altos e baixos, mas começou a luta e eu senti que a mão dele não estava tão pesada, aí me encorajei mais a entrar na trocação.
Ele chegou a reclamar que a luta teria sido interrompida cedo...
Porra (risos)... Ele ficou dormindo mais três minutos. O cara estava completamente impossibilitado de lutar. Pegou o soco, ele caiu e eu já estava em cima. O árbitro fez muito certo em parar a luta.
A sua vitória foi o primeiro nocaute da noite, mas depois o Guillard, Condit e Leben conquistaram grandes vitórias depois. Você imaginava que fosse ganhar o cheque de melhor nocaute?
Com certeza... Já tinham acontecido quatro lutas e nenhum nocaute, mas tiveram outros nocautes, e o do Condit foi muito bonito, legal pra caramba, mas a gente estava com a expectativa. Infelizmente, foi para o Carlos.
O que espera do seu futuro? Quem sabe uma revanche contra o Clay Guida?
Bem que eu ia gostar, mas acho difícil os caras colocarem. Eu fiquei esse tempo parado, o Guida já ganhou duas ou três lutas, mas bem que eu gostaria dessa revanche.
Como avalia sua evolução desde a luta com o Guida?
Esse tempo serviu para muita coisa. Sempre venho tentando melhorar onde tenho falhas. Sou oriundo do Jiu-Jitsu e onde tenho mais falhas é na parte em pé, e agora estou colhendo frutos com isso.
O pessoal do UFC te elogiou pela vitória?
Com certeza, recebi vários elogios, principalmente pelo fato de estar 10 meses sem lutar, fora de ritmo, e conseguir um nocaute bom desse. Eu estava muito tranquilo... O Sotiropoulos nunca tinha sido nocauteado, e eu consegui isso.
Outro atleta que estava parado há muito tempo é o Wanderlei, mas ele acabou nocauteado pelo Chris Leben. Como estava o clima nos bastidores do evento? Você ficou no mesmo vestiário que ele?
Só encontrei o Wanderlei na pesagem, não ficamos no mesmo vestiário, mas o clima estava tenso... Dois atletas perigosos, mão pesada... Todo mundo imaginava que poderia ser uma rápida, e infelizmente foi a favor do Leben. Estávamos torcendo pro Wanderlei, mas não deu.
Você presenciou, então, a vitória do Leben após a luta...
É, com certeza, ele ficou bem feliz. Nocautear o Wanderlei... Ele comemorou bastante. Mérito dele, né?
Tem muita gente se perguntando qual será o futuro do Wanderlei. Como atleta, o que imagina? Acha que é o momento de pendurar as luvas, repensar a carreira?
Isso é do cara mesmo, é difícil falar por ele. Se ele estiver sentindo que consegue lutar mais, render nos treinos e nas lutas ele tem que continuar, mas se chegar num ponto de ver que não consegue, ele tem que parar mesmo.