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Paulo Filho sexta-feira, 22 de julho de 2011 - 09:00:01 Por Erik Engelhart

Ex-campeão do WEC, Paulão Filho decidiu respirar outros ares e dar uma repensada em sua carreira. Após ter feito uma péssima apresentação em sua última luta contra o francês Norman Paraisy, no GP do X-Combat, Paulão fez amizades e desde então está morando em um sítio em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Amparado por uma equipe que conta com nutricionista, preparador físico, treinador e psiquiatra, Paulão está treinando forte e perto da natureza, como gosta. O atleta volta a lutar MMA no dia 14 de setembro, quando encara o judoca olímpico Satoshi Ishi, em Manaus, e dez dias depois garantiu que estará pronto para embolar a categoria até 88kg do ADCC. Paulão sabe que perdeu um pouco da credibilidade, já que não faz uma boa apresentação há algum tempo, mas garantiu que dessa vez é pra valer. Confira na entrevista abaixo como anda vida de Paulo Filho, a análise que o lutador fez sobre sua última derrota e o porquê decidiu ficar “isolado” em um sítio em Campos, entre vários outros assuntos.

 

Soube que você está treinando em Campos...

 

É verdade, estou recebendo um grande apoio aqui de uma galera. Estou em um sítio, venho treinando com o Leandro Ribeiro, que é meu professor de Jiu-Jitsu aqui, e mestre do Rodrigo Riscado, que também vem me dando uma força muito grande. O Geraldo Pudim (Secretário de Governo de Campos) está me dando uma moral também, em termos de academia, infraestrutura e até nas finanças. Estou aqui em um sítio muito bacana em Pedra Negra, só me cuidando.

 

Como estão os treinos e a parte física?

 

Está indo bem, graças a Deus. Estou fazendo preparação física com o professor Flávio, que é um super atleta de Decatlo (modalidade do Atletismo), estou fazendo um trabalho bem forte na parte da manhã com ele. Na parte da noite estou cuidando da parte de Submission e pancadaria com o professor Leandro.

 

Por que você tomou essa decisão de se isolar em um sítio em Campos?

 

Na realidade, o destino foi quem me trouxe aqui. Um resultado negativo em minha vida gerou essa coisa super positiva. Quando vim lutar aqui em Campos conheci grandes pessoas, grandes amigos, que estão fazendo coisas por mim sem nenhum interesse, sem esperar nada de volta. Estão me ajudando por carinho, por amor, por gostarem do esporte e por admirarem o que eu já fiz pelo Vale-Tudo. Eles ficaram sensibilizados pela péssima forma como me apresentei na minha luta, já que não me apresentei nada bem.

 

O que houve nessa luta contra o francês Norman Paraisy? Você parecia estar bem debilitado...

 

E estava mesmo. Eu sou um cara que perde muito peso, então cheguei muito fraco no dia da pesagem, além de estar abatido por alguns problemas pessoais. Não fiz uma luta boa, já estava mal com três minutos de luta e fui empurrando com a barriga até o final. Após o combate fui parar no hospital, estava tão fraco que durmi lá mesmo... A partir desse episódio, o Geraldo Pudim ficou muito sensibilizado com minha atuação no X-Combat, já que ele acompanha minha carreira, e se propôs a me ajudar.

 

Como está o seu dia-a-dia aí em Campos?

 

Estou recebendo apoio de muita gente, estou muito bem amparado por profissionais de alto gabarito. Tenho nutricionista, psiquiatra, que está cuidando da minha depressão, além da parte física e técnica que também está na mão de grandes profissionais como o Flávio e o Leandro. E o mais importante é o ambiente que eu encontrei aqui, pois amo a natureza, trouxe comigo todos os meus pitbulls para cá, então só tenho a agradecer a essas pessoas.

 

Você foi convidade para o ADCC desse ano, título que você ainda não tem. Você vai competir? Em que categoria?

 

Com certeza, estou 100% dentro, não tenho a menor duvida, pois esse é o sonho de todo atleta que luta Submission, Jiu-Jitsu, e realmente esse título me falta. Graças a Deus estou bem de cabeça, firme nos treinamentos. Vou vir na categoria até 88kg, que é um peso que conta com grandes nomes como André Galvão, Pablo Popovitch, além de outros nomes que vão vir forte. O Pablo é meu parceiro, morou no Rio um tempo e a gente era unha e carne, e ele é um cara duríssimo. O Galvão é um cara talentosíssimo, fora do normal. Hoje em dia é um lance esportivo, não existe mais aquela rivalidade boba. A gente vai chegar lá, se embaralhar e fica por isso mesmo, tudo em casa. O negócio é dar Brasil na cabeça.

 

Mas antes você enfrenta o duro judoca japonês, Satoshi Ishi, no Amazon Forest Combat, que acontece no dia 14 de setembro, em Manaus. Você vai dar conta? Como está a expectativa para enfrentar um atleta olímpico?  

 

É verdade, ele já foi campeão olímpico de Judô, e dez dias depois dessa luta, estarei lutando o ADCC. A expectativa é boa, vamos pra luta. Admiro muito meu oponente, pois treinei a vida inteira, quando era mais jovem, para ser um campeão olímpico, e o Ishi é um campeão olímpico e Mundial. O Judô é um esporte muito duro, o cara tem que ralar muito, então ele é um cara que está acostumado com treinamento duro, é um cara que eu respeito, e acredito que o Judô compense essa falta de experiência que ele tem no MMA. Vou tentar usar as minhas armas e a minha maior experiência na parte de chão especializada para MMA, e afiar a mão é claro. Vamos para a pancadaria e que vença o melhor.

 

Você está dando ênfase na parte física para essas lutas?

 

Com certeza, essa mudança de ares foi muito importante para mim, estou motivado e treinando bem mais. Eu sei que vão ter pessoas que vão falar: ‘É sempre a mesma conversa, o Paulão nunca muda’, mas dessa vez vai mudar e eu vou mostrar em cima do ringue. Minhas motivações agora são outras, e eu aprendi muitas coisas em relação a vida, coisas que eu não dava atenção e não tinha olhos para observar. Eu não prometo vitórias, mas garanto que vou fazer apresenteções melhores do que as pessoas já estavam se acostumando a ver, infelizmente.


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