Jorge Santiago estreou no UFC com o pé esquerdo, e terá a chance derradeira diante do compatriota Demian Maia, no UFC 136 (8 de outubro). Na preparação para a luta contra o faixa-preta, Santiago conversou com a TATAME e avisou que não teme lutar no chão contra Demian. “Ele tem um chão excelente, mas o meu chão não fica nem um pouco atrás. Ainda não tive a chance de mostrar no MMA, mas tenho chão para trocar com ele. Meu chão é focado para o MMA, não é só guardinha, chãozinho pra raspar... Se der mole, eu pego”, garante o carioca, animado. “Vou viver um pouco o mundo do Jiu-Jitsu mesmo, mas, lógico, focando no Jiu-Jitsu com porrada”.
Como estão os treinos para a luta?
Logo depois que acabou a luta (com Brian Stann), dei um tempinho e comecei aos poucos a treinar. Ainda não estou fazendo o jogo para ele, estou apenas fazendo a base bem forte. Espero fazer uma ótima luta com ele. O Demian está querendo dar show em pé, e vou gostar de trocar com ele também.
Você acha que ele vai partir para a trocação com você?
Não sei. Pelo que vi da última luta dele, ele está gostando de fazer o jogo em pé, mas o que ele tem de melhor é o Jiu-Jitsu. Se tiver que dar show em pé, estou na mesma.
O que acha do Jiu-Jitsu dele?
O jogo de chão dele é excelente. Eu já acompanhava as lutas dele há um tempo, ele tem um bom chão, mas o meu chão não fica nem um pouco atrás. Ainda não tive a chance de mostrar no MMA, mas tenho chão para trocar com ele. Meu chão é focado para o MMA, não é só guardinha, chãozinho pra raspar... É pra bater e pegar.
Você não teme, então, lutar com o Demian no chão?
Não... Se der mole, eu pego.
E como anda a preparação até agora?
Estou ficando mais forte, botando a carcaça mais forte, e comecei a treinar a parte de cima agora. A única coisa que vou ter que trabalhar de diferente é que ele é canhoto.
Será seu primeiro adversário canhoto?
Já lutei com vários canhotos... Antigamente, na ATT, a gente tinha vários atletas diferentes para treinar, e isso era ótimo. Hoje nosso time está menor, mais concentrado, mas estou com treinos muitos bons.
Com quem vai fazer a preparação na parte do Jiu-Jitsu?
Temos um pessoal bom de Jiu-Jitsu aqui. Treino com o Sérgio Babu e tem uma galera com um Jiu-Jitsu muito bom, mas também estou procurando outras novidades. A gente se reúne aos sábados com o pessoal do (Pablo) Popovitch, que tem o Vagner Rocha, o Banha (Luiz Cané), Edson (Junior), e vou começar a visitar outras academias também, inclusive a do Pablo, que tem vários lutadores de Jiu-Jitsu. Vou viver um pouco o mundo do Jiu-Jitsu mesmo, mas, lógico, focando no Jiu-Jitsu com porrada.
Como você encara essa luta, vindo de derrota para o Stann e precisando da vitória para permanecer no UFC?
Encaro como uma luta qualquer. Infelizmente, não era eu na minha última luta no UFC, foi só o corpo. Eu não estava lá. Paguei por achar que não ia acontecer comigo o que aconteceu com os outros que foram do Japão para os Estados Unidos. Mas já enterrei isso, não penso mais. Já perdi e fiz a melhor do ano na próxima, então... Estou encarando como uma luta dura.
Muitos atletas que saíram do Japão, assim como você, não se deram bem no UFC e Strikeforce, como Kid Yamamoto, Shinya Aoki e até mesmo o Fedor Emelianenko. O que pesou mais?
Pesou o público, a grandeza do UFC, o brilho que tem em volta, mas não pela qualidade dos lutadores, que são tão bons quanto os que eu enfrentei no Sengoku. O (Mamed) Khalidov estava arrebentando, o (Kazuo) Misaki sempre foi um cara bom... Tive bons oponentes lá, assim como tem aqui (nos EUA). Foram muitas mudanças ao mesmo tempo, tanto na vida pessoal quanto profissional, como troca de academia, evento... Perdi o foco no meio disso tudo. Agora estou mais adaptado, consciente das coisas que preciso para fazer.