Cinco anos após derrotar Anderson Silva por desclassificação no Rumble on The Rock 8, quando o brasileiro acertou uma pedalada ilegal, o japonês Yushin Okami está escalado para disputar o cinturão dos pesos médios contra Anderson no dia 27 de agosto, quando acontece o UFC Rio, na HSBC Arena. Em entrevista exclusiva, Okami falou sobre o polêmico resultado da primeira luta, contou como andam os treinos e disse estar pronto para bater o número um do mundo.
Quando vocês se enfrentaram, a luta terminou com vitória sua por desclassificação. Acredita que o Anderson virá mais motivado por causa disso?
Eu venci por desclassificação, mas sinto que perdi aquela luta. É difícil imaginar o que vai acontecer dessa vez, mas tenho certeza que nós dois evoluímos muito em vários aspectos. Anderson sempre luta agressivamente, então prometo que será uma luta excitante.
Anderson disse que você fingiu que se machucou com a pedalada para não voltar à luta. Você realmente não tinha condições de lutar mais?
Eu me machuquei. Não há o que falar sobre coisas passadas, então não me importo com o que as pessoas comentam sobre aquela luta. No entanto, aquela experiência me tornou mais forte, e o resultado disso foi que eu pude lutar no UFC, então tenho que agradecer e respeitar o Silva. A palavra que ele usou foi que eu fingi estar machucado, mas eu não fingi. Vou lutar com respeito, e teremos a chance de mostrar quem é o melhor.
Você já conhecia o Anderson naquela época? Acreditava que ele poderia se tornar um campeão tão dominante?
Eu o conhecia desde o Pride e assistia seus vídeos com frequência. Eu sabia que ele não mudava tanto seu estilo, mas ainda assim era muito duro e dá tudo se si nas lutas. Eu não sabia se ele seria um campeão, mas suspeitava que seria um lutador top.
Que diferenças vê no Anderson de 2006 para o Anderson de hoje?
A grande diferença é a experiência de defender seu título várias vezes no UFC. Isso deve ter dado a ele muita confiança, o que se pode notar em suas últimas lutas. Ele tem uma atmosfera que controla a performance dos seus oponentes.
E como você avalia a sua evolução desde então?
Eu melhorei em quase tudo, especialmente no aspecto físico.
Chael Sonnen, que também é wrestler, foi o único que chegou perto de vencer o Anderson. Acredita que ele mostrou um buraco no jogo do Anderson?
Eu esperava que o Chael pudesse colocar o Silva para baixo, mas nunca pensei que ele o dominaria usando técnicas de Boxe e Wrestling. Isso se mostrou muito eficiente e uma grande referência para mim, mas eu não sou o Chael e devo usar minhas próprias técnicas e habilidades para ser eficiente.
O fato de ter a chance de se tornar o primeiro japonês campeão do UFC te pressiona? O que isso significaria para os fãs japoneses?
Eu sempre sinto a pressão, mas dessa vez será pelo título e muitos fãs estarão torcendo por mim. Isso me dará muita força para me preparar para a luta, estou muito motivado. Quero transformar as expectativas em pressão positiva. Preciso me preparar para o dia 27 de agosto, e quero que todos os fãs apreciem a luta e o meu auge.
O que achou do Brasil quando nos visitou?
Visitei São Paulo em 2003 para o ADCC. Treinei um pouco, mas não tinha nenhum lutador que eu conhecia. A imagem que eu tenho do Brasil... Belas mulheres! Samba! Acredito que o Brasil tem uma força natural que cabe bem nos lutadores, habilidades incríveis para os atletas. Os lutadores brasileiros têm uma cabeça forte e nunca desistem. Parece uma mistura das partes boas das personalidades europeias e japonesas.
O que você espera do card do UFC Rio?
Tem muitos lutadores brasileiros, então com certeza será um evento empolgante. Silva nunca foi derrotado, todos sabem como ele é duro. Terão milhares de fãs do Silva no evento, mas vou mostrar tudo o que tenho para satisfazer o público nessa luta, eles nos respeitarão mesmo que eu vença. Vou fazer o meu melhor para provar e convencer os fãs de MMA do Brasil.