O peso pesado Brendan Schaub aplicou um duro nocaute em seu maior ídolo, o croata Mirko Cro Cop, no UFC 128. Logo após a vitória, Schaub pediu para enfrentar outra lenda, o brasileiro Rodrigo Minotauro. Alguns meses depois, o baiano também manifestou interesse em enfrentá-lo, deixando o caminho aberto para o Ultimate casar a luta para o UFC Rio, no dia 27 de agosto. Na entrevista a seguir, Schaub explica porque quis enfrentar Minotauro no Brasil, acreditando que uma vitória o coloca ainda mais perto de uma chance pelo cinturão.
Como reagiu quando soube que enfrentaria o Minotauro?
Eu nunca tinha ficado tão empolgado para uma luta. Esse será o maior e mais duro teste da minha carreira, então estou feliz pela oportunidade.
Por que pediu tanto por esta luta?
Acredito que o UFC Rio vai entrar para a história, e quero fazer parte dela. Brasil é a Meca do Jiu-Jitsu e MMA, então sempre foi um sonho competir no Brasil.
Cro Cop também pediu para enfrentar o Minotauro no UFC Rio. Você temia perder essa concorrência, uma vez que muitos fãs brasileiros queriam essa revanche?
Acho que o Dana White e Joe Silva sempre querem a luta mais empolgante possível, por isso eles escalaram essa luta. Será uma luta fantástica para os fãs. Eu pretendo fazer um grande show.
Acredita que uma vitória sobre o Minotauro te coloca ainda mais perto do cinturão?
Sim. Cada luta a partir daqui me coloca ainda mais perto de uma chance pelo título. Minotauro é considerado um dos melhores de todos os tempos, então uma vitória sobre ele, na sua casa, definitivamente coloca meu nome entre os melhores.
Será sua primeira luta fora dos Estados Unidos, e a primeira do Minotauro no Brasil. Isso tornará a luta mais difícil?
Sim, acho que a luta, por ser no Brasil, será ainda mais dura, mas estou pronto para o desafio, foi isso que eu pedi. Nada pode ser mais difícil que lutar contra uma lenda em sua terra natal, então vou ter que trabalhar dobrado.
Minotauro disse à TATAME que será a luta da noite, e que ele vai te finalizar. O que acha disso?
Eu concordo que será a luta da noite, mas espero um nocaute, e posso garantir que não terminar na decisão dos juízes. Somos pesos pesados, e poucos pesos pesados vão para a decisão. Eu não espero que essa vá também.
O UFC Rio será um evento histórico, com quatro campeões ou ex-campeões em ação. O que espera do show?
Foi por isso que pedi para fazer parte do UFC Rio. Será um evento histórico, com os melhores dos melhores. E sempre quis conhecer o Brasil.
Você já venceu o Napão, que tem um Jiu-Jitsu tão bom quanto o do Minotauro. Como pretende trabalhar o jogo de chão nessa luta?
Jiu-Jitsu sempre foi a minha maior paixão, e treino forte cada dia para ficar melhor, então não tenho medo de ir para o chão com o Gonzaga ou Nogueira. Confio nas minhas habilidades e no meu treinador, Amal Easton. Ainda não tive a oportunidade de mostrar minhas habilidades no Jiu-Jitsu, mas sou melhor no chão do que muita gente pensa.
Quem são os responsáveis por seu Jiu-Jitsu?
Meu professor é o Amal Easton, que é faixa-preta do Renzo Gracie, Gordo e Soneca. Meu Jiu-Jitsu é de alto nível e estou cercado pelos melhores lutadores de Jiu-Jitsu do mundo, como Denílson Pimenta, Luiz Dentinho Eduardo, Nick Kline, Eliot Marshall e Nate Marquadt. Também passei um bom tempo treinando em Nova Iorque, na academia do Renzo Gracie.
Se sentiria confortável lutando na guarda do Minotauro?
Estou confortável onde quer que a luta vá.
Muitos fãs dizem que o Minotauro não é mais o mesmo, principalmente depois de tantas guerras que ele travou no Pride. O que acha disso?
Acredito que enfrentar um Minotauro “descansado” no Brasil é um desafio complicado para qualquer um no mundo. Ele estará mais motivado e condicionado do que nunca. Espero, e planejo, uma batalha lendária que as pessoas comentarão por um longo tempo.
Acredita que o Minotauro ainda tem condições de se tornar campeão do UFC?
Sim, 100%. Ele pode bater qualquer um dos Top 5 dessa categoria.
Espera vencer por nocaute? Como seria nocautear uma lenda como o Minotauro?
Eu nunca planejo vencer de uma maneira específica e não quero encerrar a carreira de ninguém, apenas aproveito as brechas que meus oponentes deixam. Se for por nocaute, ótimo, mas também posso finalizar qualquer um no octagon.
Se vencê-lo, será a terceira vitória seguida sobre uma pedreira da categoria. Como vê o crescimento da sua carreira?
Uma vitória sobre o Nogueira me coloca entre os cinco melhores da categoria e a um passo do cinturão. Estou pronto para qualquer um que o Dana White coloque na minha frente. Treino forte e estou ficando melhor a cada dia.
Quanto você evoluiu desde que perdeu a final do TUF para o Roy Nelson?
Eu fui “pego” contra o Roy Nelson. Eu estava aprendendo, poderia acontecer com qualquer um. Mostrei o tipo de lutador que sou nas minhas últimas quatro lutas. Uma luta não define quem você é, e sim como você reage a uma derrota. Minhas quatro últimas lutas falam por si.
Você deseja ter uma revanche contra ele no futuro?
Não é algo que eu esteja me preocupando muito. Estou focado em qualquer coisa que me deixa mais perto do cinturão, e agora eu terei um desafio e tanto contra o Minotauro.
Falando sobre sua vida, como decidiu trocar o futebol americano pelo MMA?
Sempre fui muito competitivo. Joguei futebol no mais alto nível e era hora de mudar, perseguir algo que eu gostasse de fazer, e isso foi lutar no UFC.
Foi uma transição complicada?
Não foi difícil porque eu trabalho duro para me tornar um bom lutador. Não é pra qualquer um.
Quando começou, imaginou que chegaria tão longe no MMA?
Não acho que teria começado nesse esporte se não achasse que poderia me tornar um dos melhores do mundo nele. Ainda tenho um longo caminho pela frente, mas estou na direção certa. Você tem que ter confiança e acreditar que pode ser o melhor, trabalhar duro e se dedicar.
Você pensa em voltar a jogar futebol americano algum dia?
Nunca! Minha vida é ótima, eu nasci para lutar.