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Tá Danado sábado, 10 de setembro de 2011 - 14:00:01 Por Marcelo Barone

Meses antes do UFC Rio, a organização divulgou em seu site oficial uma relação de brasileiros que poderiam estar no card do evento carioca. Naturalmente, muitos ficaram de fora, mas a maioria já lutou após a lista. Uma das exceções foi Carlos Eduardo Rocha, o Tá Danado, cuja última aparição se deu no UFC 126, em fevereiro. Em entrevista exclusiva à TATAME, direto de Hamburgo, na Alemanha, onde mora há cinco anos, o atleta da categoria meio médio revelou que, recentemente, descobriu que nas duas vezes em que entrou no octógono estava com os cotovelos quebrados. “Depois da luta (contra Jake Ellenberger) fiz um checkup e descobri que lutei com os dois cotovelos quebrados. Estavam luxados e com a articulação rompida. Sentia dores, mas achava que era algo simples, passageiro, porque não tinha envergadura completa. Operei o cotovelo esquerdo dois meses depois da luta, fui treinar de leve, mas não conseguia boxear. Fiz a radiografia e descobriram que o outro, o direito, estava pior. Operei em junho e comecei a fazer fisioterapia na semana passada. Já estou 100%, treinando, mas preciso continuar a fisioterapia para o braço ficar reto, pois está envergado. O tríceps teve uma carga tão grande que ficou pequeno e precisa ser esticado novamente”.



Faz sete meses que você não luta e a vontade de voltar é grande. Tem preferência por algum adversário?

 

Na próxima vou entrar num gás, numa vontade... Vou dar 1000%. Meu primeiro sonho sempre foi entrar no UFC. Agora é pegar o título. Vou pegar do Georges Saint-Pierre ou com quem estiver o cinturão. Farei que nem o Jon Jones, uma luta atrás da outra. Vou sair na porrada com quem estiver na minha frente para recuperar o tempo perdido.

 

Como é sua rotina de treinos na Alemanha?

 

As pessoas na Europa são muito boas de Boxe e Muay Thai. Estou o tempo todinho fazendo um intensivo na parte em pé, mas na parte de chão, infelizmente o nível é muito baixo. A parte de Wrestling é boa, mas o Brazilian Jiu-Jitsu está um pouco esquecido porque não tem nenhum faixa-preta ou marrom bom que possa ser meu parceiro de treinamento. Não vejo a hora de treinar chão. Provavelmente vou treinar na Team Nogueira, mas não é nada certo ainda. Não tenho família no Brasil por isso tenho planos de ficar na Alemanha. Devo ir só para treinar e rever os amigos. Morar no Brasil é difícil porque sempre quando vou não arrumo nada. Mas depois do UFC Rio o MMA está ficando popular, então pode ser diferente.

 

Você não é da equipe do Roberto Gordo?

 

Ele é meu amigo de coração, onde me preparei para o UFC 122, posso dizer que sou aluno dele, mas sou faixa-preta do mestre Dárcio Lira, de Fortaleza, porque foi ele que me tirou da rua e me ensinou tudo. Sou fiel a minha bandeira. Somos de uma equipe desconhecida, do Nordeste, já vencemos vários eventos, mas ninguém nos conhece, só falam "os cearenses ganharam".

 

O que achou do UFC Rio? Como foi a repercussão na Alemanha?

 

Fiquei torcendo para os brasileiros e graças a Deus o Shogun ganhou, se recuperou, e o Minotauro também. Torci e morri de saudade porque era para eu estar lá. Seria um orgulho e um prazer lutar no UFC Rio. Recebi muitas mensagens no meu Facebook. Pelo tempo que estou aqui, sou o brasileiro mais querido dessa área de Vale-Tudo. Vários bons lutadores já vieram aqui, mas ninguém se interessou. Graças a Deus sou bem reconhecido, estou sempre em revistas, tenho mais de três mil fãs só da Alemanha, onde o MMA ainda é desconhecido por causa da Federação de Boxe, que não quer deixar o UFC entrar no país. Há uma briga na justiça. Quando comecei a lutar aqui os alemães nem sabiam o que era Jiu-Jitsu, tive que falar que lutava Judô para eles entenderem um pouco. Eles viam a minha orelha estourada e achavam que eu estava com alguma doença (risos).

 

Do que você mais sente falta do Brasil?

 

Sinto falta da praia, da galera do Rio e de Fortaleza, todo mundo rindo e curtindo, das festas, do futebol, do surfe, que eu amo... Na Alemanha só faz frio, todo mundo é triste, só pensa em comer, treinar e pagar as contas (risos).

 

Gostaria de deixar um recado?

 

Queria mandar um abraço grande para todo mundo do Brasil. Estou morrendo da saudade da galera, do sensei Gordo, da equipe Dárcio Lira e em breve estarei de novo em atividade, dando orgulho e muitas vitórias para levantar a bandeira do nosso país.


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