Paulão Filho já foi o melhor peso médio do Pride e o número dois do mundo, mas seu tempo nos ringues é passado. Em entrevista reveladora à TATAME, o ex-campeão do WEC e faixa-preta de Carlson Gracie revelou que pendurará as luvas em novembro, transformando o duelo com Mamed Khalidov, na Polônia, em sua luta de despedida. “Sinto uma tristeza nesse momento. Se eu lutar em novembro, se eu lutar, já estou anunciando que posteriormente eu não luto mais”, disparou Paulão, que fez um balanço de sua carreira, rebateu as acusações feitas por Rodrigo Riscado, em carta aberta aos nossos parceiros do PVT, e revelou que chegou a receber ameaças de morte em Niterói, cidade onde mora.
Como você está?
Estou muito chateado. São apurações que dão margem às pessoas pensarem com relação a drogas ou outras coisas que não existem mais. Meu grande problema sempre foi medicação, meus calmantes... Não é à toa que sou tarja preta.
Foi falado que você estaria sendo internado...
Porra, isso não tem nada de verdade. São declarações infundadas, de uma pessoa louca, com uma mão na frente e outra atrás. Meu irmão, as pessoas inventam uma porção de coisas, e infelizmente eu dei margem. O cara falou isso tudo para não me pagar.
Qual era a relação profissional entre você e o Riscado? Ele era o seu empresário?
Eu dei uma oportunidade a ele, mas ele não soube aproveitar. O cara pegou o meu dinheiro, e o que ele fez eu não sei. Só sei que não está na minha mão, e eu tenho dívidas e as pessoas estão começando a me apertar.
O dinheiro que você diz, são as bolsas das lutas?
Pegou minha bolsa inteira, inteira... E deu declarações infundadas. O acordo que fiz com o Geraldo Pudim (secretário do governo de Campos) foi por amor, carinho, mas acabou. Acho que o Riscado se aproveitou disso para poder se levantar e ter apoio para fazer as coisas dele.
Você permanece ou Campos ou volta para Niterói?
Já estou em Niterói há muito tempo.
Não volta para Campos?
Não, não... A não ser para visitar os amigos, mas morar, definitivamente, não.
Ele chegou a falar que temia pela sua morte. O que você tem a dizer sobre isso?
Ele fica no morde e assopra... Claro que estou aquém do que era, devido a esses problemas de luta e não recebe, luta e não recebe, fora meus problemas pessoais e de família, doença dos meus pais, mas todo mundo tem. Enfim... Tudo o que ele falou foi para tirar o dele da reta, dar uma de bonzinho e tirar o foco da história, que é o que ele me deve.
E quanto à sua carreira? Volta a treinar para lutar em breve ou tira um tempo para se preparar melhor?
Estou decidindo pela aposentadoria, cara. Devo lutar em novembro (na Polônia) porque já assinei o contrato, e depois disso vou me aposentar. Não quero mais isso, não...
Essa será a sua última luta, então? Não acha que uma vitória trará mais ânimo para retomar a carreira?
Não, não... Estou muito decepcionado com esse meio, com as pessoas que não procuram informações sobre o que está acontecendo, de lutar e não receber... Não queria ninguém passando a mão na minha cabeça, só queria o que era meu. Já é o terceiro evento que eu levo o cano. Até de morte eu já fui ameaçado, pelas pessoas que devo aqui em Niterói.
Que balanço você faz da sua carreira?
O balanço que eu faço é que eu sempre defendi o Jiu-Jitsu com unhas e dentes, sempre fui um cara honesto. Nunca refuguei luta, nunca escolhi adversário. Entrei com condições lamentáveis, mas nunca fugi. Ninguém teve o privilégio de me finalizar. Sinto uma tristeza nesse momento. Se eu lutar em novembro, se eu lutar, já estou anunciando que posteriormente eu não luto mais.
O que fará da sua vida após pendurar as luvas? Pensa em trabalhar dando aulas, algo relacionado ao Jiu-Jitsu?
No momento não procurei nem pensar, mas de luta eu não quero mais saber. Tive momentos bons, momentos médios e momentos péssimos. Estou com uma certa idade também, não posso dar margem às pessoas... Não digo nem pela idade, mas sim pelo psicológico, as coisas que aconteceram. Já deu, fiz o que eu pude. Não fui de longe o que poderia ser, o que tinha potencial para ser, mas estou satisfeito. Com tudo isso, pude bem ou mal fazer tudo com muita honra. Estou muito agradecido ao Jiu-Jitsu, às pessoas que me apoiaram, mas basta.