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Carlo Prater quarta-feira, 21 de dezembro de 2011 - 16:19:01 Por Marcelo Barone

Uma chance que caiu do céu. Assim pode ser definida a entrada de Carlo Prater, no card principal do UFC 142, que será realizado no Rio, dia 14 de janeiro. Em preparação para lutar em um evento nacional, o atleta, que mora em Brasília, recebeu o chamado para substituir o afegão Siyar Bahadurzada e enfrentar seu compatriota Erick Silva. Sem pestanejar, aceitou o convite e vai estrear pelo Ultimate, em 2012. Em entrevista à TATAME, ainda com sotaque carregado por ter vivido alguns anos nos Estados Unidos, Prater afirmou que espera ganhar projeção após o evento carioca, elogiou Erick Silva, disse que se sente confortável na categoria até 77kg e destacou suas principais características.

 

Confira abaixo:

 

Fale um pouco sobre a sua história.

 

Eu morei nos Estados Unidos por muito tempo, pois meus pais são americanos. Eu nasci em São Paulo e logo meu pai mudou a nossa família para Brasília. Fiquei até uns sete anos de idade aqui, quando meu pai decidiu que era melhor voltarmos aos Estados Unidos. Fiquei lá até os meus 17 anos de idade. Voltei para Brasília com o meu pai e estou aqui desde então. Fiquei nos Estados Unidos alguns anos, de 2002 até 2006, basicamente treinando e cursando a faculdade de Educação Física, treinando com o Yves Edwards, Ricco Rodrigues, Tito Ortiz, o resto da Team Punishment. Lá fiz minhas primeiras lutas e não parei desde então.

 

Como você recebeu esse convite para lutar no UFC Rio?

 

Eu estava puxando um treino de Luta Olímpica na academia MMA Serrado, recebi um monte de ligações e sabia que era alguma coisa importante. Estava fazendo o treinamento para outro evento, no dia 20 de janeiro, então já estava treinando forte. Atendi ao telefone no meio do treino, aí o meu manager lá dos Estados Unidos me contou a boa notícia. Optei na hora pela luta do UFC, não pensei nem duas vezes.

 

Foi pego de surpresa?

 

Totalmente. O meu gerente lá nos Estados Unidos estava agitando para eu entrar no Ultimate no primeiro semestre de 2012, depois dessa luta que eu faria no dia 20 de janeiro, no sul do Brasil. Foi surpreendente. Eu achei que o card do UFC Rio já estava todo montado.

 

Quantas lutas estão previstas no seu contrato?

 

Bem, é mais de uma. Isso eu tenho liberdade para falar, mas não sei se tenho para falar quantas são. Não quero me comprometer.

 

Em qual categoria você está mais à vontade?

 

Nos últimos dois anos tenho lutado na categoria até 70kg, onde baixo de peso. Eu tenho mais de 30 lutas profissionais de MMA no peso de até 77kg, então é um peso que eu já tive muito sucesso e estou muito confortável também. É uma questão de dieta. O meu novo peso de competição, desde 2009, foi até 70kg, mas foi só uma escolha. Eu consigo competir no 77kg ou 70kg.

 

Quais as suas principais características como lutador?

 

Eu não sei me descrever muito bem, mas diria que sou um lutador que preza a técnica, gosto de lutar de uma forma bem afiada e técnica, tanto em pé como na luta agarrada. Mas a minha base é a Luta Olímpica, coisa que eu faço desde os 13 anos. Sou faixa-preta de Jiu-Jitsu do Julio Pudim e do Sandro Bala, grandes professores de Jiu-Jitsu, e faixa-preta de Luta Livre da equipe RFT, do Márcio Cromado. Tenho muitas lutas de Muay Thai porque comecei a lutar profissionalmente em 2000, quando fui para a Tailândia e fiz várias lutas lá. Voltei ao Brasil em 2001 e comecei no MMA no ano seguinte. Eu diria que eu tento ser um lutador completo, não mostro muitas falhas tanto em pé como no chão. Tento levar a luta aonde for melhor para mim: ou manter em pé ou ir para o jogo agarrado, dependendo do adversário e do momento de luta.

 

Como vê a chance de ganhar projeção no Brasil após o UFC 142, no Rio?

 

Eu sei que os olhos do mundo, pelo menos dos brasileiros, estão voltados para o MMA agora. O brasileiro já se mostrou dominante nesse esporte. Nosso país, que é tão querido, é a principal potência de lutadores. É uma honra poder lutar no Brasil, onde fiz duas lutas este ano. A expectativa é grande em relação a essa participação no UFC Rio.

 

O que você sabe sobre o Erick Silva? Já deu tempo de estudá-lo?

 

Claro. É um jovem talento, está nas cabeças no Brasil e o respeito muito, como todos os meus adversários. Estou treinando muito duro para poder entreter o público da melhor forma possível e poder vencê-lo também. É um lutador bem completo. Por mais que ele tenha nocauteado o (Luis) Beição em 40 segundos, isso pode acontecer com qualquer um. Não tem muito o que extrair dessa luta, fora que ele tem punch, é um garoto bem habilidoso com as mãos, além do alcance e da envergadura. Ele se mostra bem técnico no chão, acredito que não tenha muitas falhas, mas nosso treinamento não muda muito de acordo com o adversário. A gente treina tudo sempre e o meu maior adversário sempre fui eu mesmo.

 

Como está a sua preparação? Será toda feita em Brasília?

 

Sou abençoado porque em Brasília e bem visto por todos. Treino na RFT, na 2Brothers, na Constrictor Team, no Serrado MMA, na Gracie Barra. Eu rodo a cidade toda, eu faço Boxe com a Confederação Brasiliense de Boxe, faço parte da seleção de Luta Olímpica do Distrito Federal desde 2005. Eu tento treinar com todo mundo. Eu não tenho equipe própria, represento os meus mestres, que me formaram nas artes marciais, mas só isso. Como profissional, eu preciso trabalhar com todo mundo que eu puder.

 

Você vai dar ênfase a alguma parte do seu jogo?

 

Treino tudo. Eu estou trazendo o meu grande treinador de MMA, Saul Soliz, que é o treinador de grandes estrelas, como Tito Ortiz, Ryan Bader, entre outros. Fora o meu treinador de muitos anos, que estou trazendo ele também para me ajudar.

 


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