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Ricardo Funch segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 - 15:15:01 Por Marcelo Barone

Adversário de Paulo Thiago, Mike Pyle se livrou de ter o “caveira” pela frente, cortado por conta de uma lesão no cotovelo. Mas, o americano não escapou de enfrentar um policial no octagon, em 14 de janeiro, no Rio. Substituto do brasileiro, o baiano Ricardo Funch (pronuncia-se “fantche”), que se formou na academia de polícia dos Estados Unidos, planeja enquadrar o adversário. Radicado na América há onze anos, onde cursou e findou a faculdade de Biologia, fruto de uma bolsa de estudos por praticar futebol, Funch concilia a carreira de lutador com a de policial. E, em primeira mão à TATAME, disse que o dia a dia nas ruas o ajuda nos treinamentos. “O trabalho como policial me ajudou bastante a amadurecer. Estou mais relaxado, mais calmo”. Leia abaixo a entrevista completa:

 

Como soube que lutaria no Rio?

 

Eu trabalho como policial, de meia-noita às 8h. Cheguei em casa, dormi e um colega meu me ligou dando parabéns, se dizendo orgulhoso. Perguntei o que eu tinha ganho (risos). Eu nem sabia de nada e ele falou que viu na internet que eu estava no UFC. Liguei para o Marco (Alvan), meu manager, que confirmou. Acho que ele não disse nada para eu não ficar na expectativa. Pensei que eu estava sonhando porque estava cansadão, em um sono pesado. Foi maneiro para caramba, um sonho realizado.

 

O trabalho na polícia é para complementar a renda?

 

Lutar é divertido, gosto muito, mas é algo incerto. Você luta daqui a três meses, aí se machuca e fica sem dinheiro. O cronograma é inconstante. Tem que ter uma coisa secundária para ajudar financeiramente.

 

É policial desde quando?

 

Formei-me na academia de polícia no final de julho e desde então estou trabalhando. Sou formado em Biologia, mas não exerci a profissão. No meu último ano de faculdade comecei a treinar MMA e nunca mais olhei para trás. Segui com esse sonho de ser lutador.

 

Como é sua rotina?

Normalmente, logo quando saio do trabalho, às 8h, vou treinar. Volto para casa umas 11h, almoço e durmo até às 17h.  Mais tarde, umas 18h30, vou para o treino, onde ficou até às 21h. Depois, trabalho novamente, de meia-noite às 8h.

 

Como está se preparando para lutar?

 

Minha preparação está bem redonda, focada em todos os lados. Estou criando um equilíbrio em todas as áreas, com o Gonzaga (Napão), com meus treinadores e companheiros.  O forte do cara é o jogo de chão, por cima, então estou trabalhando bastante o Wrestling para não cair por baixo. Sem esquecer da mão, já que é preciso soltá-la..

 

Será especial lutar pela primeira vez no Brasil?

 

A ficha não caiu. É como se eu não tivesse acordado daquele sonho bem pesado. Mas vai ser muito bacana. A expectativa está muito, muito grande. Minha família nunca me viu lutando. Meu pai e meu irmão irão ao Rio me ver. Estou muito ansioso e contente.

 

Assistiu ao UFC Rio, em agosto?

 

Eu vi. Cara, como a torcida brasileira não tem. É muito animada, participativa, faz uma gritaria, empolga mesmo. Apesar de não ser conhecido, sou brasileiro e a torcida estará ao meu lado. Vai ser um sonho. Sempre lutei nos Estados Unidos com a torcida contra, pela primeira vez ela será ao meu favor.

 

Do que sente falta no Brasil?

 

Definintavamente, do clima, pois agora nos Estados Unidos é inverno. Na Bahia é sempre quente. Sinto falta da comida, dos amigos, da família, o básico. Falo inglês, trabalho, minha vida está andando, mas sinto falta do Brasil.

 

Você disse que não é conhecido em seu país. Como vê a chance de passar a ser?

 

Pela exposição que o esporte está tendo, com todo mundo seguindo, só cabe a mim ter uma grande exibição. Fazendo a minha parte, com certeza vão ficar sabendo quem sou. É uma chance de ouro.

 

O que mais sabe sobre o Mike Pyle?

 

Ele não é fenômeno em nada, nem na trocação, nem no Wrestling, mas é um cara completo. Sabe se virar em todas as áreas para levar a luta para o seu lado. Ele lutou com Rampage (Quinton Jackson) em 1999, é rodado, veterano mesmo, e não esta de bobeira. Mas eu também não estou. Se vai ser pedreira para mim, será para ele também.

 

Você tem duas derrotas na carreira, ambas no UFC. Por que acredita que agora irá se firmar no evento?

 

Quando comecei nesse esporte, não tinha muito tempo, e fui para o UFC sem treinar Boxe, do zero. Apesar de fisicamente estar pronto, não estava pronto emocionalmente. É um evento grande e a pressão psicológica influenciou bastante. Agora estou maduro, com 31 anos. O trabalho como policial me ajudou bastante a amadurecer. Estou mais relaxado, mais calmo. Agora, sou faixa-preta de Jiu-Jitsu do Marco Alvan, muita água passou por baixo da ponte. Sou outro lutador.

 

O que o público pode esperar de você?

 

Eu não quero dar muita pista para que não estudem muito meu jogo, já que o pessoal da academia do Randy Couture, é muito estrategista. Vou dar meu máximo, é uma oportunidade de ouro, um sonho realizado. Mesmo se minha carreira não for para frente, só de lutar num evento desse no Brasil, já estou satisfeito.

 

Gostaria de deixar uma mensagem?

 

Quero agradecer a Hyte Fightwear, a 180 fitness, a Team Link, ao meu treinador de Boxe, Brent Whitley, ao meu treinador de Muay Thai, Iberê Reis, ao Andrew DeVito, que faz um trabalho para prevenir lesões, ao Marco Alvan, grande mentor da equipe e aos meus parceiros de treino.


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