Por Guilherme Cruz
Foto arquivo pessoal
Três atletas, três vitórias e três bônus extras no UFC Rio. A noite de sábado do empresário Alex Davis, responsável por administrar a carreira de Edson Junior, Thiago Tavares e Rousimar Toquinho, foi perfeita. “Como se fosse um royal flush”, brinca. Em entrevista exclusiva à TATAME, o manager analisou o triunfo dos seus atletas e traçou o futuro de cada um, comentando ainda o que vem por aí no caminho de Luiz Banha e Antônio Pezão, atletas que recentemente se submeteram a cirurgias e aguardam retorno ao UFC. Confira:
O que você achou da vitória do Thiago, o primeiro do trio a lutar?
A gente sabia que o Sam Stout era uma luta dura, tinha uma mão dura e bom de Wrestling. O Thiaguinho conseguiu aplicar o Judô, já que o Wrestling não estava funcionando. À medida que ele não foi conseguindo colocar pra baixo, ele partia, em pé, para o Boxe com o Sam Stout e mostrou inteligência, um amadurecimento enorme na luta. Aquilo não é a grande especialidade dele, a especialidade é Jiu-Jitsu. O que eu vi foi um lutador muito amadurecido, sabendo manter a distância, não se perdendo na luta em momento nenhum. Uma coisa impressionante. Ele está mostrando uma ascensão, uma inteligência dentro do ringue. Ele já tem mais de dez lutas no UFC, é um veterano e ele com certeza tem grandes lutas para vir.
Ele disse que já se considera um Top 10, possivelmente um Top 5. Concorda?
Eu vejo grandes lutas pra ele. Com certeza a coisa vai endurecer e o Thiaguinho está mostrando que ele está à altura dos próximos desafios. Estamos trazendo grandes lutas pra ele.
Outro que brilhou foi o Edson Junior, também peso leve. O que achou da luta?
O Edson, estamos vendo o talento que ele tem. O Edson tem um orgulho a mais pra mim, por ser o melhor aluno do Anderson França, que é o meu genro, de Nova Friburgo, onde eu nasci. É bom ver o longo futuro para esses garotos que vieram lá de baixo, assim como o Thiago. Então é um orgulho a mais. Esse cara veio pra lutar e endureceu a coisa pro Junior.
A luta não estava como os fãs esperavam. O Terry tentou quedar, mas o Junior mostrou uma defesa de quedas perfeita e conseguiu manter na trocação, o que é um risco para todo mundo...
Eu volto a dizer: nós ainda não vimos o melhor do Junior. Os adversários que eles têm colocado na frente do Junior são bons trocadores, e quando sabem que vão lutar com o Junior evoluem mais ainda. O Junior sabia que ia fazer aquilo. Ele vinha acertando na barriga aquele mesmo chute, preparando para dar na cara. Impressionante. O Junior tem muito pra crescer, ele vai criar seu espaço com calma. É lógico que vão vir desafios e ele está mostrando que está à altura. Estamos muito confortáveis com a ascensão. Ele tem muito o que fazer ainda, é sua quarta luta no Ultimate. Eu queria deixar um elogio para o Terry: o cara veio pra lutar. Eu não achei que ele fosse endurecer.
Gostaria de parabenizar três pessoas pelo trabalho excepcional com o Junior: Anderson França, Joe Mullings e Eduardo Guedes. O Anderson França, professor de Muay Thai dele desde os cinco anos, faz um trabalho fantástico. O Joe é um businessman, um apaixonado pelo esporte. Tem dias que ele acorda seis horas da manhã pra fazer preparação física para o Edson. O resultado do trabalho dele está todo mundo vendo. Para quem não é do meio da luta, quem não é atleta, ele está fazendo um trabalho tão bom quanto. O Eduardo Guedes é um grande casca-grossa, já lutou muito, e é um agregador, é um líder. Um lutador precisa de boas pessoas do lado dele. Não é só no ringue, é fora do ringue também.
O Thiago Tavares tem 12 lutas no UFC, é um cara experiente, e o Edson está cada vez ganhando mais espaço. Como empresário dos dois, como você encararia se o Ultimate desejasse casar essa luta?
Eu não acredito que eles vão fazer isso. Eles têm duas estrelas brasileiras, dois grandes brasileiros na 70kg, que estão chegando ao topo da divisão. O Thiago mais na frente, e o Edson mais atrás. Eu não acho que essa luta faça lógica. Se isso acontecer, vai ser um momento muito, muito difícil pra mim, porque eu amo os dois. Agora, é uma competição esportiva. Se eles tiverem que se enfrentar, o que eu vou fazer? Emocionalmente, eu não sei o que eu faria, teria que procurar definir papel de manager para ambos com neutralidade. Eu não sei nem se quero ver a luta.
O Toquinho também deu show ontem, fechando a sua noite com perfeição...
O Toquinho também vem amadurecendo muito. Nós vimos um Toquinho amadurecido, muito consciente dentro do octógono. Nós vimos um Toquinho na frente do microfone sem medo de falar, um Toquinho seguro, que está evoluindo como pessoa e como lutador. A presença do Murilo Bustamante na vida do Toquinho é uma coisa muito importante. O Murilo é um cara espetacular, um cara experiente, um cara singular, que sabe botar um freio, sabe endurecer. É um cara, pra mim, um dos lutadores mais inteligentes que subiu no octagon e, agora como coach, a mesma coisa. O Toquinho é o Toquinho. É maravilhoso e tem do lado dele um dos melhores técnicos que eu conheço.
O Murilo falou que espera que o Toquinho tenha uma chance no main event, e, em seguida, com uma nova vitória, uma disputa pelo cinturão. Você acha que esse é o caminho para o Toquinho?
Eu acho. Eu acho que vão vir grandes lutas, o resultado vai ser parecido, e o Toquinho vai ser campeão dos médios.
Muitos fãs acham que, pelo estilo dele, de quedas e Jiu-Jitsu, ele seria um cara perigosíssimo para enfrentar o Anderson. Concorda?
Primeiro, me deixe colocar o meu apreço e amor pelo Anderson. É um puta lutador, uma puta pessoa. O Toquinho é um lutador perigoso para qualquer um no mundo, qualquer um. O Toquinho é o Anderson do chão. O que o Anderson faz em pé, o Toquinho faz no chão. A coisa que mais me orgulha nesses lutadores é a atitude deles, porque quando eles saíram, todos os três lutadores, a primeira coisa que cada um deles fez antes de falar com médico foi ir lá cumprimentar e abraçar o adversário e ver se eles estavam bem. Os três. Isso mostra a atitude do lutador. Eu não quero que eles sejam apenas bons lutadores, eu quero que eles sejam boas pessoas e os três são mais do que isso.
Falando sobre outros atletas empresariados por você, surgiram rumores sobre o Antônio Pezão enfrentar o Cain Velasquez. Tem novidades quanto a isso?
O Pezão provavelmente lutará em abril. Ia ser uma ótima oportunidade para o Pezão, mas não foi concretizado isso. O Joe (Silva) me informou que já vai me dar o adversário dele. O Pezão com fome é um problema, porque ele quer lutar, quer brigar, está pronto. Ele vai abrir uma avenida nos pesos pesados do UFC, vai para rondar esse título até meados do ano que vem.
O Luiz Banha fez uma cirurgia recentemente. Ele continua sem luta marcada?
Banha fez cirurgia, já voltou a treinar, quer baixar de peso. Estamos nesse processo de baixar de peso. Ele vai me dar o sinal verde e eu vou informar o UFC. O Banha é um lutador que todo mundo sabe: quando o Banha vai pra briga, ele vai mesmo. Por isso que o UFC gosta tanto dele.
E como está o Fábio Maldonado, que lutaria no UFC Rio? Já voltou aos treinos ou vai ter que operar?
Não, o Maldonado está com um machucado na costela que não precisa de operação, é um machucado simples, porém muito doloroso. O Maldonado está muito desolado, chateado. É a segunda luta seguida que ele tem que descartar porque está machucado, mas ele é um grande lutador. Acho que nos próximos dois meses ele está de volta.